

Foi com muita alegria que li, na edição de 24 de fevereiro do jornal O Globo a matéria onde o jornalista Ruan de Sousa Gabriel faz um balanço do problema.
Abaixo, o trecho da matéria onde a petição é citada.
“O poeta Augusto de Campos, irmão de Haroldo, chamou a transferência de “crime cultural inominável” e exigiu que governo esclarecesse “essa conduta suspeita e sub-reptícia” em declaração à Folha de S.Paulo. O deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) cobrou explicações da Secretaria da Cultura, Economia e Indústrias Criativas e solicitou que a Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo apurasse o caso. Um abaixo-assinado pedindo o retorno do acervo à Casa das Rosas já somava quase 1.500 apoios.”
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https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2025/02/24/haroldo-de-campos-em-barueri-entenda-como-e-o-novo-acervo-do-poeta-e-a-polemica-da-familia-com-a-casa-das-rosas.ghtml?giftId=493129ebe281fd3&utm_source=Whatsapp&utm_medium=Social&utm_campaign=compartilharmateria
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Abaixo, a matéria completa.
Cultura
Haroldo de Campos em Barueri: entenda como é o novo acervo do poeta e a polêmica da família com a Casa das Rosas
Biblioteca do concretista foi transferida da Avenida Paulista para a região metropolitana; Secretaria da Cultura de SP afirma que se trata de uma 'medida técnica'
Por
Ruan de Sousa Gabriel
— São Paulo
“Onde estão os 21 mil livros de Haroldo de Campos?” Em tom de protesto, essa pergunta vem sendo repetida desde o início do mês em São Paulo. No último dia 15, surgiu na lateral de um prédio na Rua da Consolação — iniciativa do Projetemos, coletivo que lança palavras de ordem na paisagem urbana. Até 27 de janeiro, a biblioteca do tradutor e poeta concretista estava na Casa das Rosas (cujo nome oficial é Casa das Rosas — Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura), equipamento cultural do governo estadual na Avenida Paulista. Sem que a família do autor soubesse, o acervo foi transferido para uma reserva técnica em Barueri, na região metropolitana, a cerca de 30 quilômetros dali.
O poeta Augusto de Campos, irmão de Haroldo, chamou a transferência de “crime cultural inominável” e exigiu que governo esclarecesse “essa conduta suspeita e sub-reptícia” em declaração à Folha de S.Paulo. O deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) cobrou explicações da Secretaria da Cultura, Economia e Indústrias Criativas e solicitou que a Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo apurasse o caso. Um abaixo-assinado pedindo o retorno do acervo à Casa das Rosas já somava quase 1.500 apoios.
Em nota, a Secretaria da Cultura afirmou que “o acervo foi transferido para uma reserva técnica, a Clé Reserva Contemporânea, em Barueri, um local especializado em obras de arte e com as condições ideais para a preservação das coleções”.
Livros raros e anotações
Daisy Brito Rezende, viúva de Ivan, filho único de Haroldo, disse ao GLOBO que soube da transferência porque um amigo da família foi almoçar na Casa das Rosas, perguntou do acervo e ouviu que os livros não estavam mais lá.
Ao negociar a doação à instituição, em 2004, a família exigiu a abertura da coleção à consulta pública e a criação de uma comissão formada por nomes indicados por eles e pelo governo. Na semana passada, Daisy e seu advogado se reuniram com a Poiesis, organização social que administra a Casa das Rosas, e receberam a promessa de que a comissão voltará a funcionar e a casa-museu seguirá investida na promoção do legado de Haroldo. Agora, espera “documentos assinados” que comprovem tais intenções.
A biblioteca de Haroldo acumula livros raros, anotados pelo autor, além de coleções de revistas acadêmicas que marcaram época, como a Tel Quel, que registrou a renovação do pensamento francês entre as décadas de 1960 e 1970, e a Vuelta, editada pelo Nobel de Literatura mexicano Octavio Paz. Nicollas Ranieri, pesquisador da obra de Haroldo na Unicamp, afirma que o acervo permite compreender a interlocução do concretista com intelectuais latino-americanos e teóricos como o linguista russo Roman Jakobson e o filósofo francês Jacques Derrida.
— Durante 20 anos, o acervo de Haroldo de Campos garantiu a identidade à Casa das Rosas como um centro de pesquisa — diz Ranieri, acrescentando que a transferência para “um lugar incógnito em Barueri” torna a biblioteca menos acessível.
Rafael Bonavina, que investigou o diálogo de Haroldo com autores russos, também teme que, com o acervo longe, “a identidade da Casa das Rosas seja aos poucos desfeita e ela se transforme num espaço de cultura como qualquer outro”.
Visita à ‘nova casa’
Na última quarta-feira, na companhia de equipes da Secretaria da Cultura e da Casa das Rosas, o GLOBO visitou o acervo do escritor em Barueri. Por ora, os volumes estão em cerca de 200 caixas de papelão e, em breve, serão dispostos em estantes de ferro num espaço de 65m². O aluguel custa R$ 25 mil por mês e inclui ainda a guarda do acervo da Casa Guilherme de Almeida, também gerida pela Poiesis. Em março, a biblioteca estará novamente aberta a pesquisadores, mediante agendamento pelo e-mail contato@casadasrosas.org.br.
A biblioteca estava no porão da Casa das Rosas, onde, diz o governo, sofria risco devido à umidade.
— A transferência foi uma medida técnica que tem o objetivo de preservar e garantir a longevidade do acervo — afirma Marcelo Assis, secretário executivo da pasta da Cultura, que reconhece que não comunicar a mudança à família Campos foi um erro.
Arquitetura e planos
Construída em 1935, a Casa das Rosas é um dos quatro casarões remanescentes do tempo em que a Paulista era o endereço de barões do café e da indústria. O museu-casa reabriu em 2023 após uma reforma que durou dois anos, custou R$ 4,2 milhões e recuperou as características originais do imóvel — que impedem a construção de uma reserva técnica adequada. O porão tornou-se de fato mais úmido; já instalar a biblioteca em outro espaço da Casa das Rosas exigiria intervenções muito grandes no imóvel, revertendo os ganhos do restauro.
Diretora executiva da Poiesis, Ceres Alves Prates assegura que, mesmo com o acervo longe, Haroldo não será escanteado. O contrato da Poiesis com o governo, diz ela, determina a promoção da obra do poeta. E a Bolsa Haroldo de Campos, que incentiva pesquisas no acervo, vai voltar.
O concretista, porém, vai dividir os holofotes com Ramos de Azevedo, arquiteto cujo escritório projetou a casa (e o Theatro Municipal de São Paulo) e também ganhou uma bolsa com seu nome. O resgate de Ramos de Azevedo é justo: a arquitetura do casarão atrai público (cerca de cinco mil pessoas todo domingo, dia em que a avenida é aberta aos pedestres).
Na semana que vem, haverá outra reunião entre a Casa das Rosas e a família Campos — que ainda espera o retorno do acervo à Paulista.
— Concordamos que o acervo fique em Barueri? Não — diz Daisy. — Como vão fazer eventos sobre o Haroldo na Casa das Rosas sem o acervo dele lá? São desses que os amigos dele vão participar.