

O Gás Atrasou, os Salários Também: Quem Está Cuidando do Dinheiro da Mangueira?
GESTÃO GUANAYRA FIRMINO DOS SANTOS:
Nesta sexta-feira, dia 15 de maio de 2026, recebemos a informação a partir de dois funcionários do Barracão de Alegorias da Mangueira que o salário está atrasado, há dez dias. Além dos funcionários que estão com os vencimentos em atraso, já que informaram que o pagamento ocorre no quinto dia útil do mês.
Recebemos ainda, nesta sexta-feira, dia 15/05/2026 o aviso de corte da Companhia Naturgy que se comunicou através do telefone: 21 96937-0167. Evidentemente recebemos a cópia da mensagem.
Apresentou-se como representante da empresa o Técnico Caique Silva. Às 11:01 enviou o seguinte texto:
"Responsável Mangueira Bom dia, meu nome é Caique Sou técnico da Naturgy estou com uma ordem de corte para sua unidade, e pra mim dar baixa no seu corte e evitar fazer o serviço preciso que você me envie o comprovante pago da fatura que gerou o corte por favor, somente o comprovante pago e nada a mais, vou lhe enviar a ordem de servico mostrando justamente e fatura que consta em aberto, você consegue verificar sobre e me enviar este comprovante por gentileza?'
Além da mensagem foi encaminhada o boleto para pagamento, que segue abaixo:
Em tempos de tantos golpes — golpe em Brasília, golpe em Washington e, por que não dizer, golpe também na Mangueira — realizamos a conferência documental e constatamos: o pagamento em questão é, de fato, destinado à CEG — Companhia Distribuidora de Gás.
Essa confirmação torna ainda mais grave a informação de que a Mangueira recebeu aviso de corte por falta de pagamento de uma conta no valor de R$ 810,05. Pode ser um episódio isolado? Pode. Mas causa estranheza que esse suposto “evento isolado” já se arraste por onze dias consecutivos de atraso.
A pergunta que fica é simples: como uma instituição da grandeza da Estação Primeira de Mangueira, que movimenta recursos, projetos, parcerias e contratos, chega ao ponto de receber aviso de corte por uma conta desse valor?
Mais do que uma conta em atraso, o episódio indica um sinal preocupante de desorganização administrativa, fragilidade de controle financeiro e ausência de transparência na gestão cotidiana da escola. A Mangueira merece explicações. A comunidade merece respeito.
Mas, agora, a conta de gás é secundária. O que é prioritário são as pessoas. As pessoas. Trabalhadores e trabalhadoras que recebem, em média, cerca de um salário mínimo estão com seus salários em atraso. O que explica que o pagamento, que deveria ter sido realizado, no máximo, até o dia 08/05/2026, ainda não tenha sido executado em 15/05/2026? Pelo adiantar da hora, esse atraso tende a se estender, pelo menos, até o dia 18/05/2026, segunda-feira.
Mas por que atrasar? Existe algum motivo especial? Tenho convicção de que não deveria ser falta de recursos. E por que essa hipótese causa tanta estranheza? Porque uma escola de samba que, nos últimos meses, teria recebido recursos na casa de mais de R$ 20 milhões, além dos repasses ordinários da LIESA, não deveria chegar a esse ponto. Somente do Amapá, teriam sido R$ 10 milhões. Da Fundação Open Society, mais R$ 4,3 milhões. Ainda haveria cerca de R$ 2,7 milhões em emendas parlamentares.
Além desses valores, há ainda a exposição da Mangueira em Seul, na Coreia do Sul, que contou, inclusive, com a participação da primeira-dama do Brasil, a Excelentíssima Senhora Janja Lula da Silva, e que, por razões ainda não esclarecidas, até o momento não foi amplamente divulgada pela página oficial da Mangueira. Soma-se a isso o repasse de R$ 450.000,00 feito pela Secretaria de Estado de Turismo à empresa Barizon, produtora do Camarote Verde e Rosa, por um evento que, em tese, teria sido realizado no ensaio da quadra do dia 31/01/2026.
O fato é que parece inimaginável que as contas estejam zeradas ou que a Mangueira não disponha de recursos financeiros suficientes para pagar seus trabalhadores e trabalhadoras. Diante desse quadro, o atraso salarial deixa de ser apenas uma questão administrativa e passa a exigir explicações públicas, transparentes e documentadas. A prioridade não pode ser a aparência da gestão. A prioridade tem que ser o respeito às pessoas que trabalham, sustentam e fazem a Mangueira acontecer.