O Hospital do Andaraí e seus experientes profissionais merecem respeito

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No dia 12 de novembro passado, seis médicos do Hospital Federal do Andaraí, foram comunicados pelo diretor do hospital que estavam sendo removidos, por determinação do Superintendente Estadual do Ministério da Saúde,  Cel George da Silva Diverio.

Como é de conhecimento público, o hospital do Andaraí apresenta carência de médicos em diversas áreas, e a perda desses profissionais irá agravar as condições de atendimento, além de desestruturar os respectivos serviços, pela perda de suas chefias técnicas.

Foram removidos:

Chefe do Centro de Tratamento de Queimados, e presidente do Corpo Clinico.

Chefe do serviço de Oncologia.

Chefe do serviço de Cirurgia Torácica.

Chefe do Serviço de Clínica Médica.

Chefe do serviço de Emergência.

Ex componente da Direção executiva do Corpo Clínico.

 

A decisão, sem nenhum tipo de contato prévio, atingiu majoritariamente profissionais com mais de 35 anos de dedicação ao serviço público, cinco destes, com mais de 60 anos de idade, e detentores de cargos de Chefias de serviços. A trajetória destes servidores se confunde com a história do Hospital Federal do Andaraí nas últimas 3 a 4 décadas, pois além de suas atribuições profissionais específicas, seja na assistência direta aos pacientes, seja participando na formação de novos especialistas, sempre estiveram presentes em todos os momentos de dificuldades do Hospital, lutando por melhores condições de trabalho para seus profissionais; denunciando eventuais falhas que comprometessem a assistência e a segurança, de profissionais e usuários, etc.

Essa atuação se deu através de demanda aos órgãos públicos da Administração direta(MS), à autarquias(CREMERJ), aos órgãos de controle e de fiscalização,  como o MPF, PF, CBMERJ, etc.

Além deste papel, focado no zelo com a coisa pública, este grupo de servidores sempre esteve também envolvido no planejamento, organização, e preparo do Hospital, para resposta à diferentes cenários potencialmente desafiadores, como foram a crise interna de 2013,  em que a Unidade esteve temporariamente sem Direção-geral efetiva, em meio à desabastecimento de insumos e paralisação de inúmeras obras;  o desafio da preparação do Hospital para contingência de “desastres e catástrofes”, durante os Jogos Olímpicos Mundiais de 2016;  a organização atual para o enfrentamento da emergência da pandemia do Covid 19, etc...

Estes servidores, com longo histórico de serviços ao Hospital, e em consequência à sociedade, alguns pioneiros em suas respectivas áreas de atuação, e participando ainda na formação de novos especialistas, sempre gozaram de reconhecimento entre os seus pares e entre os demais servidores;  traduzido por exemplo, em suas eleições internamente, por variados períodos, para membros da Comissão de Ética Médica do Hospital do Andaraí, eleições para membros de seu Corpo Clínico, etc.

E nesse momento de vida, durante a vigência de uma pandemia, e em que poderiam quase todos estar aposentados, optaram por manter-se no Hospital, ao qual dedicaram a maior parte de suas vidas profissionais...

E foram agora surpreendidos por medida dessa natureza, sem que os motivos e razões, lhes tenham sido claramente apresentados.

Diante da gravidade desse fato, capaz de trazer prejuízo às condições assistenciais da população, solicitamos às autoridades responsáveis, que essa medida seja reconsiderada.