

MANIFESTO POR MULHERES NEGRAS NO PODER
O problema
Tem uma cadeira vazia em cada plenário deste país. Ela devia estar ocupada por uma mulher preta. Está vazia há séculos, e a gente já naturalizou o vazio.
Olha os números. Não pra se indignar por um segundo e seguir rolando a tela.
Olha pra entender o tamanho do buraco que estamos pedindo pra você ajudar a fechar.
2022: O ANO DO “RECORDE” QUE NÃO MUDA NADA
Em 2022, o Brasil elegeu 302 mulheres para Câmara, Senado, Assembleias e governos estaduais. Contra 1.394 homens. Já dá pra sentir o desequilíbrio.
Dessas 302, quantas eram pretas? 29. Vinte e nove mulheres pretas eleitas para Câmara Federal e Senado, num país onde somos dezenas de milhões. A taxa de sucesso de uma candidata preta foi de 1,5%. A de uma mulher branca, 3,5%. A de um homem branco, 8,8%. Uma mulher preta teve quase seis vezes menos chance de se eleger do que um homem branco. Isso não é coincidência, é engenharia.
E no comando dos estados? Duas mulheres governadoras eleitas em todo o Brasil. Uma preta. Uma. Fátima Bezerra, sozinha, segurando um posto que deveria ter fila.
2024: A EXCEÇÃO QUE CONFIRMA A REGRA
Passaram-se dois anos, veio outra eleição, e a régua nem se moveu.
Mulheres seguem sendo só 18% das vagas em Câmaras Municipais do país inteiro. Dentro desse recorte já pequeno, mulher negra é 40% das eleitas, mesmo sendo 28% da população, mais numerosa que a mulher branca. Das quase 80 mil mulheres negras que se candidataram em 2024, pouco mais de uma em cada dez conseguiu se eleger. No total, somos 7% dos vereadores do Brasil.
Tem capital nesse país, Aracaju, onde 37% da população é formada por mulheres negras e nenhuma delas ocupa uma cadeira na Câmara Municipal. Isso não é falta de gente qualificada. É porta fechada.
ENQUANTO ISSO, LÁ FORA, É A NOSSA VIDA EM JOGO
A gente não fica de fora do poder por acaso, e não fica de fora sem pagar um preço.
Em 2024, o Brasil bateu recorde de feminicídios: 1.492 mulheres mortas só por serem mulheres. A maioria, mulher negra. Quase 7 em cada 10 mulheres assassinadas no país são pretas. No mesmo ano, recorde de estupros também, uma pessoa estuprada a cada 6 minutos, mais da metade das vítimas, negra.
E o racismo? As denúncias ao Disque 100 mais que dobraram entre 2023 e 2024. Não porque o racismo nasceu ontem, mas porque finalmente estamos denunciando o que sempre existiu. Só que denunciar não é o mesmo que legislar, e quem escreve a lei que devia nos proteger quase nunca é quem vive sob a mira dela.
Enxerga a linha reta: pouca mulher preta no poder, muita mulher preta enterrada, muito racismo sem resposta. Essas três coisas não são estatísticas separadas. São a mesma engrenagem.
CHEGA DE PEDIR ESPAÇO. VAMOS OCUPAR PELO VOTO
Não estamos aqui pedindo compaixão. Estamos convocando ação.
Se você é preta, sabe na pele o que esses números significam. Sabe o que custa cada mulher que não chegou lá. Este é um chamado pra você votar pensando em poder, não em simpatia.
Se você não é preta e chegou até aqui, seu voto também decide quem vai estar na mesa quando as leis sobre a sua vida forem escritas. Representatividade não é caridade. É a diferença entre uma política pensada por quem entende a dor de perto e uma política pensada de longe, por quem nunca vai sentir o peso dela.
O COMPROMISSO QUE ESTAMOS PEDINDO
Este manifesto não fica só no papel. Ele vai circular, e vai pedir assinatura. De gente comum, e principalmente de quem tem palanque: autoridades, lideranças, formadores de opinião, gente que fala e é ouvida.
Assinar este manifesto é assumir um compromisso público com três coisas:
VOTO. Descobrir quem são as candidatas negras na sua cidade e no seu estado antes de entrar na cabine, e votar de forma intencional e direcionada, não por acaso.
APOIO. Ajudar candidaturas negras a chegar mais longe. Doar quando puder, ceder tempo, espaço, palanque, plataforma. Cobrar dos partidos as cotas de dinheiro e tempo de TV que a lei já garante e que quase sempre é descumprida.
MANIFESTAÇÃO PÚBLICA. Assinar com o nome, não escondido. Divulgar para quem confia em você. Se você é figura pública, usar sua voz pra isso importa mais do que qualquer estatística que a gente possa citar aqui.
Mulher preta no poder não é sobre inclusão bonita pra discurso de campanha. É sobre virar o jogo de quem decide o destino de quem.
A cadeira vazia só continua vazia enquanto a gente aceita que ela fique assim.
ASSINA. DIVULGA. VOTA.

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O problema
Tem uma cadeira vazia em cada plenário deste país. Ela devia estar ocupada por uma mulher preta. Está vazia há séculos, e a gente já naturalizou o vazio.
Olha os números. Não pra se indignar por um segundo e seguir rolando a tela.
Olha pra entender o tamanho do buraco que estamos pedindo pra você ajudar a fechar.
2022: O ANO DO “RECORDE” QUE NÃO MUDA NADA
Em 2022, o Brasil elegeu 302 mulheres para Câmara, Senado, Assembleias e governos estaduais. Contra 1.394 homens. Já dá pra sentir o desequilíbrio.
Dessas 302, quantas eram pretas? 29. Vinte e nove mulheres pretas eleitas para Câmara Federal e Senado, num país onde somos dezenas de milhões. A taxa de sucesso de uma candidata preta foi de 1,5%. A de uma mulher branca, 3,5%. A de um homem branco, 8,8%. Uma mulher preta teve quase seis vezes menos chance de se eleger do que um homem branco. Isso não é coincidência, é engenharia.
E no comando dos estados? Duas mulheres governadoras eleitas em todo o Brasil. Uma preta. Uma. Fátima Bezerra, sozinha, segurando um posto que deveria ter fila.
2024: A EXCEÇÃO QUE CONFIRMA A REGRA
Passaram-se dois anos, veio outra eleição, e a régua nem se moveu.
Mulheres seguem sendo só 18% das vagas em Câmaras Municipais do país inteiro. Dentro desse recorte já pequeno, mulher negra é 40% das eleitas, mesmo sendo 28% da população, mais numerosa que a mulher branca. Das quase 80 mil mulheres negras que se candidataram em 2024, pouco mais de uma em cada dez conseguiu se eleger. No total, somos 7% dos vereadores do Brasil.
Tem capital nesse país, Aracaju, onde 37% da população é formada por mulheres negras e nenhuma delas ocupa uma cadeira na Câmara Municipal. Isso não é falta de gente qualificada. É porta fechada.
ENQUANTO ISSO, LÁ FORA, É A NOSSA VIDA EM JOGO
A gente não fica de fora do poder por acaso, e não fica de fora sem pagar um preço.
Em 2024, o Brasil bateu recorde de feminicídios: 1.492 mulheres mortas só por serem mulheres. A maioria, mulher negra. Quase 7 em cada 10 mulheres assassinadas no país são pretas. No mesmo ano, recorde de estupros também, uma pessoa estuprada a cada 6 minutos, mais da metade das vítimas, negra.
E o racismo? As denúncias ao Disque 100 mais que dobraram entre 2023 e 2024. Não porque o racismo nasceu ontem, mas porque finalmente estamos denunciando o que sempre existiu. Só que denunciar não é o mesmo que legislar, e quem escreve a lei que devia nos proteger quase nunca é quem vive sob a mira dela.
Enxerga a linha reta: pouca mulher preta no poder, muita mulher preta enterrada, muito racismo sem resposta. Essas três coisas não são estatísticas separadas. São a mesma engrenagem.
CHEGA DE PEDIR ESPAÇO. VAMOS OCUPAR PELO VOTO
Não estamos aqui pedindo compaixão. Estamos convocando ação.
Se você é preta, sabe na pele o que esses números significam. Sabe o que custa cada mulher que não chegou lá. Este é um chamado pra você votar pensando em poder, não em simpatia.
Se você não é preta e chegou até aqui, seu voto também decide quem vai estar na mesa quando as leis sobre a sua vida forem escritas. Representatividade não é caridade. É a diferença entre uma política pensada por quem entende a dor de perto e uma política pensada de longe, por quem nunca vai sentir o peso dela.
O COMPROMISSO QUE ESTAMOS PEDINDO
Este manifesto não fica só no papel. Ele vai circular, e vai pedir assinatura. De gente comum, e principalmente de quem tem palanque: autoridades, lideranças, formadores de opinião, gente que fala e é ouvida.
Assinar este manifesto é assumir um compromisso público com três coisas:
VOTO. Descobrir quem são as candidatas negras na sua cidade e no seu estado antes de entrar na cabine, e votar de forma intencional e direcionada, não por acaso.
APOIO. Ajudar candidaturas negras a chegar mais longe. Doar quando puder, ceder tempo, espaço, palanque, plataforma. Cobrar dos partidos as cotas de dinheiro e tempo de TV que a lei já garante e que quase sempre é descumprida.
MANIFESTAÇÃO PÚBLICA. Assinar com o nome, não escondido. Divulgar para quem confia em você. Se você é figura pública, usar sua voz pra isso importa mais do que qualquer estatística que a gente possa citar aqui.
Mulher preta no poder não é sobre inclusão bonita pra discurso de campanha. É sobre virar o jogo de quem decide o destino de quem.
A cadeira vazia só continua vazia enquanto a gente aceita que ela fique assim.
ASSINA. DIVULGA. VOTA.

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Abaixo-assinado criado em 24 de agosto de 2026