

MANIFESTO PELA BASE DO DESPORTO
O problema
Há um erro estrutural que Portugal insiste em não corrigir: a base do desporto é tratada como custo privado e a elite como prioridade pública. O resultado é um sistema que mobiliza centenas de milhares de praticantes, mas só recompensa uma minoria quando o percurso já está quase concluído.
Em 2024, o desporto federado português chegou aos 844.186 praticantes, enquanto o estatuto de alto rendimento se limitou a 851 atletas. Ao mesmo tempo, as câmaras municipais investiram 458,9 milhões de euros no desporto, sobretudo em infra estruturas, e o financiamento direto do IPDJ às federações ficou nos 51,1 milhões de euros.
Estes números mostram uma verdade simples: a base existe, sustenta o sistema e paga a conta; o apoio estruturado, porém, chega tarde e estreito.
Durante demasiado tempo, aceitamos que o talento “natural” bastaria para chegar ao topo. Mas o que os factos mostram é outra coisa: mensalidades, seguros, exames médicos, equipamentos, transportes, estágios e tempo familiar são os custos invisíveis que mantêm o desporto vivo. Quando essa fatura cai quase toda sobre as famílias, a continuidade passa a depender da carteira, e não apenas do mérito.
O abandono desportivo na adolescência não é um acidente. As investigações que fizemos apontam para o período entre os 13 e os 15 anos como um momento crítico de ruptura, agravado por exigências escolares, pressão por resultados, falta de perspetiva de carreira e desgaste económico acumulado. É precisamente nesta fase que o apoio é mais fraco e a perda de talento mais irreversível.
Também não podemos continuar a fingir que o financiamento só deve existir quando já há medalhas, rankings ou títulos. O modelo atual favorece quem já provou valor competitivo, em vez de proteger quem ainda está construindo esse valor. Em termos práticos, isto significa que o sistema apoia mais o desfecho do que o percurso.
É por isso que a iniciativa privada tem aqui um papel decisivo. Se empresas, fundações, antigos atletas, clubes, pais e cidadãos quiserem alterar o paradigma, têm de deixar de ver o desporto de base como um espaço assistencial e passar a tratá-lo como um investimento nacional em saúde, educação, coesão social e mobilidade. Sem essa viragem, continuaremos a pedir excelência a uma base subfinanciada.
O que propomos não é financiar tudo de forma indiscriminada. Propomos apoiar melhor o percurso: bolsas faseadas para jovens em desenvolvimento, mecenato simplificado, deduções fiscais para famílias, mecanismos transparentes de micro-patrocínio, maior integração entre escola e clube e regras mais claras sobre a distribuição de recursos. Este é um debate sobre eficiência, justiça e futuro — não apenas sobre desporto.
A Sportrack Network assume-se como signatária e distribuidora deste manifesto, para amplificar uma conversa que o país já devia ter tido há anos. Se queremos mudar o modelo, temos de começar pela base e construir uma rede que torne visível, financiável e sustentável o percurso do atleta.

54
O problema
Há um erro estrutural que Portugal insiste em não corrigir: a base do desporto é tratada como custo privado e a elite como prioridade pública. O resultado é um sistema que mobiliza centenas de milhares de praticantes, mas só recompensa uma minoria quando o percurso já está quase concluído.
Em 2024, o desporto federado português chegou aos 844.186 praticantes, enquanto o estatuto de alto rendimento se limitou a 851 atletas. Ao mesmo tempo, as câmaras municipais investiram 458,9 milhões de euros no desporto, sobretudo em infra estruturas, e o financiamento direto do IPDJ às federações ficou nos 51,1 milhões de euros.
Estes números mostram uma verdade simples: a base existe, sustenta o sistema e paga a conta; o apoio estruturado, porém, chega tarde e estreito.
Durante demasiado tempo, aceitamos que o talento “natural” bastaria para chegar ao topo. Mas o que os factos mostram é outra coisa: mensalidades, seguros, exames médicos, equipamentos, transportes, estágios e tempo familiar são os custos invisíveis que mantêm o desporto vivo. Quando essa fatura cai quase toda sobre as famílias, a continuidade passa a depender da carteira, e não apenas do mérito.
O abandono desportivo na adolescência não é um acidente. As investigações que fizemos apontam para o período entre os 13 e os 15 anos como um momento crítico de ruptura, agravado por exigências escolares, pressão por resultados, falta de perspetiva de carreira e desgaste económico acumulado. É precisamente nesta fase que o apoio é mais fraco e a perda de talento mais irreversível.
Também não podemos continuar a fingir que o financiamento só deve existir quando já há medalhas, rankings ou títulos. O modelo atual favorece quem já provou valor competitivo, em vez de proteger quem ainda está construindo esse valor. Em termos práticos, isto significa que o sistema apoia mais o desfecho do que o percurso.
É por isso que a iniciativa privada tem aqui um papel decisivo. Se empresas, fundações, antigos atletas, clubes, pais e cidadãos quiserem alterar o paradigma, têm de deixar de ver o desporto de base como um espaço assistencial e passar a tratá-lo como um investimento nacional em saúde, educação, coesão social e mobilidade. Sem essa viragem, continuaremos a pedir excelência a uma base subfinanciada.
O que propomos não é financiar tudo de forma indiscriminada. Propomos apoiar melhor o percurso: bolsas faseadas para jovens em desenvolvimento, mecenato simplificado, deduções fiscais para famílias, mecanismos transparentes de micro-patrocínio, maior integração entre escola e clube e regras mais claras sobre a distribuição de recursos. Este é um debate sobre eficiência, justiça e futuro — não apenas sobre desporto.
A Sportrack Network assume-se como signatária e distribuidora deste manifesto, para amplificar uma conversa que o país já devia ter tido há anos. Se queremos mudar o modelo, temos de começar pela base e construir uma rede que torne visível, financiável e sustentável o percurso do atleta.

Os tomadores de decisão

Atualizações do abaixo-assinado
Compartilhar este abaixo-assinado
Abaixo-assinado criado em 10 de julho de 2026