Manifesto inter-religioso de apoio aos povos indígenas, indigenistas e servidores da FUNAI

O problema

Quem morre vira semente! Esta é a frase que foi recorrentemente afirmada por representações indígenas ao longo de toda a pandemia da COVID-19.  Ao virarmos semente, a existência assume outros significados que servirão de consolo, orientação e força para quem ficou.

Hoje, 23/06/2022, fazem sete dias que as mortes de Bruno e Dom foram confirmadas, após dez dias de profunda angústia e ausência de respostas. Bruno e Dom foram assassinados de várias formas. Além da barbárie do crime, a dignidade de ambos foi assassinada por autoridades políticas que tentaram desqualificar a história destes dois filhos do Brasil. Bruno e Dom tinham como missão de vida a defesa dos povos das florestas, a proteção às comunidades indígenas de recente contato e a coragem profética de contar ao mundo, em palavras e ações, tanto sobre o modo de vida das comunidades indígenas do Vale do Javari, quanto sobre as capilaridades entre crime organizado, pesca ilegal, mineração e outras formas de destruição da floresta e suas múltiplas formas de vida.

Bruno e Dom viraram sementes, ou, como expressou Beatriz de Almeida Matos, antropóloga e companheira de Bruno, tanto na vida, quanto na luta pela defesa dos povos indígenas, os espíritos de Bruno e Dom passeiam pela floresta e estão espalhados entre nós, por isso, a força de lutar por políticas indigenistas e pelas florestas torna-se mais forte. 

Esta força impulsiona o movimento que desvela a política anti-indígena promovida pelo atual governo. Os e as servidoras da FUNAI, corajosamente, estão mobilizados e em greve como reação às atrocidades cometidas pelas autoridades que deveriam zelar e garantir a existência das comunidades e lideranças indígenas e a segurança de indigenistas e ambientalistas.

Os espíritos-sementes de Bruno e Dom revelam que o que se tornou crime no Brasil é a defesa dos direitos humanos, territoriais, sociais, ambientais, econômicos. A legalidade é mobilizada para justificar atrocidades e criminalizar a luta por direitos. 

O Brasil chegou no limite. A barbárie instalou-se entre nós. Ela está nos assassinatos de Mariele Franco, de Genivaldo, de Bruno e de Dom. Está presente nas chacinas de Jacarezinho e da Vila Cruzeiro e em todas as políticas que reforçam e legalizam a violência.

A greve dos e das servidoras e servidores da FUNAI é por Justiça para Bruno e Dom, é pela interrupção das políticas anti-indigenistas coordenada por Marcelo Xavier e por uma FUNAI que cumpra a sua tarefa de proteger os povos indígenas!

A mobilização e a greve das trabalhadoras e dos trabalhadores da FUNAI é uma brecha para nos reencontrarmos com nossa humanidade perdida.

Nós, organizações religiosas e pessoas de diferentes espiritualidades apoiamos esta greve, da mesma forma, que exigimos a apuração independente, séria, profunda e transparente das mortes de Bruno e Dom, para isso, não é possível ignorar as denúncias feitas pela UNIJAVA. Estas denúncias precisam ser incluídas e ser parte central do processo de investigação, sob o risco de legalizarmos o crime e criminalizarmos os direitos humanos.

Convidamos você, sua organização a assinarem este manifesto. Por Bruno, por Dom, por todas as comunidades indígenas, por todos/as indigenistas, pelos/as ambientalistas.

Não ao Marco temporal e por uma FUNAI indígena e indigenista!

- Catedral Anglicana da Ressurreição

- Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil

- Comissão Brasileira Justiça e Paz

- Diocese Anglicana de Brasília

- Instituto de Imigrações e Direitos Humanos 

- URI Amércia Latina e Caribe CRB - Brasília

- RENADIR - Rede Nacional da Diversidade Religiosa e Laicidade

 

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tatiana ribeiroCriador do abaixo-assinado
Este abaixo-assinado conseguiu 557 apoiadores!

O problema

Quem morre vira semente! Esta é a frase que foi recorrentemente afirmada por representações indígenas ao longo de toda a pandemia da COVID-19.  Ao virarmos semente, a existência assume outros significados que servirão de consolo, orientação e força para quem ficou.

Hoje, 23/06/2022, fazem sete dias que as mortes de Bruno e Dom foram confirmadas, após dez dias de profunda angústia e ausência de respostas. Bruno e Dom foram assassinados de várias formas. Além da barbárie do crime, a dignidade de ambos foi assassinada por autoridades políticas que tentaram desqualificar a história destes dois filhos do Brasil. Bruno e Dom tinham como missão de vida a defesa dos povos das florestas, a proteção às comunidades indígenas de recente contato e a coragem profética de contar ao mundo, em palavras e ações, tanto sobre o modo de vida das comunidades indígenas do Vale do Javari, quanto sobre as capilaridades entre crime organizado, pesca ilegal, mineração e outras formas de destruição da floresta e suas múltiplas formas de vida.

Bruno e Dom viraram sementes, ou, como expressou Beatriz de Almeida Matos, antropóloga e companheira de Bruno, tanto na vida, quanto na luta pela defesa dos povos indígenas, os espíritos de Bruno e Dom passeiam pela floresta e estão espalhados entre nós, por isso, a força de lutar por políticas indigenistas e pelas florestas torna-se mais forte. 

Esta força impulsiona o movimento que desvela a política anti-indígena promovida pelo atual governo. Os e as servidoras da FUNAI, corajosamente, estão mobilizados e em greve como reação às atrocidades cometidas pelas autoridades que deveriam zelar e garantir a existência das comunidades e lideranças indígenas e a segurança de indigenistas e ambientalistas.

Os espíritos-sementes de Bruno e Dom revelam que o que se tornou crime no Brasil é a defesa dos direitos humanos, territoriais, sociais, ambientais, econômicos. A legalidade é mobilizada para justificar atrocidades e criminalizar a luta por direitos. 

O Brasil chegou no limite. A barbárie instalou-se entre nós. Ela está nos assassinatos de Mariele Franco, de Genivaldo, de Bruno e de Dom. Está presente nas chacinas de Jacarezinho e da Vila Cruzeiro e em todas as políticas que reforçam e legalizam a violência.

A greve dos e das servidoras e servidores da FUNAI é por Justiça para Bruno e Dom, é pela interrupção das políticas anti-indigenistas coordenada por Marcelo Xavier e por uma FUNAI que cumpra a sua tarefa de proteger os povos indígenas!

A mobilização e a greve das trabalhadoras e dos trabalhadores da FUNAI é uma brecha para nos reencontrarmos com nossa humanidade perdida.

Nós, organizações religiosas e pessoas de diferentes espiritualidades apoiamos esta greve, da mesma forma, que exigimos a apuração independente, séria, profunda e transparente das mortes de Bruno e Dom, para isso, não é possível ignorar as denúncias feitas pela UNIJAVA. Estas denúncias precisam ser incluídas e ser parte central do processo de investigação, sob o risco de legalizarmos o crime e criminalizarmos os direitos humanos.

Convidamos você, sua organização a assinarem este manifesto. Por Bruno, por Dom, por todas as comunidades indígenas, por todos/as indigenistas, pelos/as ambientalistas.

Não ao Marco temporal e por uma FUNAI indígena e indigenista!

- Catedral Anglicana da Ressurreição

- Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil

- Comissão Brasileira Justiça e Paz

- Diocese Anglicana de Brasília

- Instituto de Imigrações e Direitos Humanos 

- URI Amércia Latina e Caribe CRB - Brasília

- RENADIR - Rede Nacional da Diversidade Religiosa e Laicidade

 

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tatiana ribeiroCriador do abaixo-assinado

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Abaixo-assinado criado em 27 de junho de 2022