

MANIFESTO EM DEFESA DE GRAVATÁ: SALVE ESTE CLIMA
O problema
– Soluções urgentes para uma cidade sustentável
Gravatá construiu ao longo de sua história, a reputação de uma cidade de clima ameno, ar puro e elevada qualidade ambiental. Durante décadas, foi reconhecida como destino para recuperação da saúde de pessoas acometidas por doenças respiratórias como a tuberculose, graças às suas condições climáticas e à riqueza de seus ecossistemas.
Esse patrimônio natural resulta da interação entre dois importantes biomas brasileiros: a Caatinga, predominante nas áreas de menor altitude e responsável pela conexão ecológica da região, e os remanescentes de Mata Atlântica nos brejos de altitude, fundamentais para a proteção das nascentes e dos recursos hídricos. Juntos, esses ambientes sustentam uma biodiversidade singular, essencial para o equilíbrio climático, a disponibilidade de água e a qualidade de vida da população.
Entretanto, Gravatá segue na contramão do tempo. Em pleno contexto da Tripla Crise Planetária — mudanças climáticas, perda da biodiversidade e poluição — o município continua reproduzindo um modelo de desenvolvimento baseado na supressão da vegetação nativa, na expansão desordenada da construção civil e na ocupação de áreas ambientalmente sensíveis.
A cidade ainda é orientada por um Plano Diretor de 2006. Embora uma revisão tenha sido elaborada em 2016, ela não foi aprovada, deixando o município sem um instrumento atualizado capaz de orientar seu crescimento de forma sustentável. Essa ausência favoreceu a expansão imobiliária sobre áreas de Caatinga, Mata Atlântica e terras agricultáveis, comprometendo ecossistemas, reduzindo áreas de produção de alimentos e ampliando os impactos ambientais.
A Caatinga, muitas vezes subestimada por sua aparência, é um dos ecossistemas mais eficientes do planeta na captura de carbono. Segundo a Embrapa, esse bioma responde por cerca de metade do carbono sequestrado no Brasil, retirando da atmosfera, em média, 5,2 toneladas de carbono por hectare. Sua destruição representa não apenas a perda de biodiversidade, mas também a redução da capacidade natural de enfrentar o aquecimento global.
Além dos desmatamentos, Gravatá enfrenta problemas relacionados à poluição do solo e das águas, decorrentes do aterro sanitário e de práticas agrícolas convencionais. A eliminação da cobertura vegetal, as terraplanagens, o aterramento de açudes e cursos d'água e a fragmentação dos habitats aumentam a vulnerabilidade do município a secas prolongadas, escassez hídrica, erosão, enchentes, assoreamento, queimadas e ilhas de calor.
Embora o licenciamento ambiental seja um instrumento previsto em lei, sua aplicação muitas vezes autoriza intervenções que aceleram a perda da biodiversidade e agravam as mudanças climáticas. A compensação ambiental, por sua vez, não substitui uma floresta madura nem os serviços ambientais que ela presta, como regulação do clima, proteção do solo, conservação da água e abrigo da fauna.
O aquecimento global é uma realidade científica. Pernambuco figura entre os estados brasileiros mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas. A desertificação avança sobre o semiárido, eventos extremos tornam-se mais frequentes e a Caatinga poderá perder até 90% de sua biodiversidade nas próximas décadas caso medidas de adaptação não sejam implementadas urgentemente. Em 2025 foi registrado o terceiro ano mais quente desde o período pré-industrial (1850-1900), evidenciando a urgência de ações concretas.
A Associação dos Amigos do Meio Ambiente de Gravatá (AMA-Gravatá) sempre se posicionou contra esse modelo de desenvolvimento que sacrifica o patrimônio natural em nome de um progresso ilusório. Defendemos um crescimento compatível com os compromissos climáticos assumidos pelo Brasil, com o Plano Clima, o Plano Estadual de Descarbonização e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.
Por isso, conclamamos gestores públicos, vereadores, candidatos, construtoras, engenheiros, arquitetos, empreendedores, agricultores, órgãos ambientais e toda a sociedade a assumirem um novo compromisso com o futuro de Gravatá, baseado nas seguintes ações:
1. Conservar as últimas áreas de Caatinga, Mata Atlântica, brejos de altitude, nascentes, cursos d'água e açudes;
2. Exigir corredores ecológicos e fragmentos de vegetação nativa, em novos empreendimentos públicos e privados, e regenerar a vegetação, onde for possível, em empreendimentos antigos, reduzindo ilhas de calor e abrigando a fauna;
3. Impedir construções de grande porte em áreas agricultáveis e ambientalmente sensíveis;
4. Reduzir terraplanagens e erosão, adaptando projetos à paisagem natural;
5. Adotar princípios de cidades inteligentes, verdes, resilientes e sustentáveis;
6. Atualizar o Plano Diretor com ampla participação popular;
7. Revisar e atualizar a Lei Municipal do Meio Ambiente 3.751/2017; e as demais leis ambientais, como as leis 3632/2013 e 3857/2021;
8. Preparar o município para enfrentar secas, ondas de calor, escassez de água e demais eventos extremos relacionados às mudanças climáticas;
9. Fortalecer a fiscalização ambiental, promover concursos efetivos para fiscais ambientais e investir na formação dos mesmos, além de aumentar as multas ambientais;
10. Intensificar a educação ambiental para gestores, professores e alunos em escolas urbanas e rurais, como também a políticos e cidadãos em geral;
11. Implantar um novo Aterro Sanitário urgentemente, compostagem e coleta seletiva na cidade;
12. Criar Selo Municipal de Sustentabilidade da Biodiversidade para a Construção Civil, além de promover quem segue as Normas Técnicas do ABNT para construções sustentáveis;
13. Formar uma Comissão Permanente na Câmara Municipal de Gravatá junto com a sociedade civil com a finalidade de discutir o desenvolvimento sustentável da cidade.
O futuro de Gravatá depende das nossas escolhas feitas hoje. Defender suas florestas, sua Caatinga, suas águas e sua biodiversidade é defender também sua economia, sua agricultura, sua saúde e a qualidade de vida das futuras gerações.
Gravatá ainda pode escolher o caminho da sustentabilidade. Mas o tempo para agir é agora.
Associação dos Amigos do Meio Ambiente de Gravatá – AMA-Gravatá
Gravatá, 30 de julho de 2026.
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O problema
– Soluções urgentes para uma cidade sustentável
Gravatá construiu ao longo de sua história, a reputação de uma cidade de clima ameno, ar puro e elevada qualidade ambiental. Durante décadas, foi reconhecida como destino para recuperação da saúde de pessoas acometidas por doenças respiratórias como a tuberculose, graças às suas condições climáticas e à riqueza de seus ecossistemas.
Esse patrimônio natural resulta da interação entre dois importantes biomas brasileiros: a Caatinga, predominante nas áreas de menor altitude e responsável pela conexão ecológica da região, e os remanescentes de Mata Atlântica nos brejos de altitude, fundamentais para a proteção das nascentes e dos recursos hídricos. Juntos, esses ambientes sustentam uma biodiversidade singular, essencial para o equilíbrio climático, a disponibilidade de água e a qualidade de vida da população.
Entretanto, Gravatá segue na contramão do tempo. Em pleno contexto da Tripla Crise Planetária — mudanças climáticas, perda da biodiversidade e poluição — o município continua reproduzindo um modelo de desenvolvimento baseado na supressão da vegetação nativa, na expansão desordenada da construção civil e na ocupação de áreas ambientalmente sensíveis.
A cidade ainda é orientada por um Plano Diretor de 2006. Embora uma revisão tenha sido elaborada em 2016, ela não foi aprovada, deixando o município sem um instrumento atualizado capaz de orientar seu crescimento de forma sustentável. Essa ausência favoreceu a expansão imobiliária sobre áreas de Caatinga, Mata Atlântica e terras agricultáveis, comprometendo ecossistemas, reduzindo áreas de produção de alimentos e ampliando os impactos ambientais.
A Caatinga, muitas vezes subestimada por sua aparência, é um dos ecossistemas mais eficientes do planeta na captura de carbono. Segundo a Embrapa, esse bioma responde por cerca de metade do carbono sequestrado no Brasil, retirando da atmosfera, em média, 5,2 toneladas de carbono por hectare. Sua destruição representa não apenas a perda de biodiversidade, mas também a redução da capacidade natural de enfrentar o aquecimento global.
Além dos desmatamentos, Gravatá enfrenta problemas relacionados à poluição do solo e das águas, decorrentes do aterro sanitário e de práticas agrícolas convencionais. A eliminação da cobertura vegetal, as terraplanagens, o aterramento de açudes e cursos d'água e a fragmentação dos habitats aumentam a vulnerabilidade do município a secas prolongadas, escassez hídrica, erosão, enchentes, assoreamento, queimadas e ilhas de calor.
Embora o licenciamento ambiental seja um instrumento previsto em lei, sua aplicação muitas vezes autoriza intervenções que aceleram a perda da biodiversidade e agravam as mudanças climáticas. A compensação ambiental, por sua vez, não substitui uma floresta madura nem os serviços ambientais que ela presta, como regulação do clima, proteção do solo, conservação da água e abrigo da fauna.
O aquecimento global é uma realidade científica. Pernambuco figura entre os estados brasileiros mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas. A desertificação avança sobre o semiárido, eventos extremos tornam-se mais frequentes e a Caatinga poderá perder até 90% de sua biodiversidade nas próximas décadas caso medidas de adaptação não sejam implementadas urgentemente. Em 2025 foi registrado o terceiro ano mais quente desde o período pré-industrial (1850-1900), evidenciando a urgência de ações concretas.
A Associação dos Amigos do Meio Ambiente de Gravatá (AMA-Gravatá) sempre se posicionou contra esse modelo de desenvolvimento que sacrifica o patrimônio natural em nome de um progresso ilusório. Defendemos um crescimento compatível com os compromissos climáticos assumidos pelo Brasil, com o Plano Clima, o Plano Estadual de Descarbonização e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.
Por isso, conclamamos gestores públicos, vereadores, candidatos, construtoras, engenheiros, arquitetos, empreendedores, agricultores, órgãos ambientais e toda a sociedade a assumirem um novo compromisso com o futuro de Gravatá, baseado nas seguintes ações:
1. Conservar as últimas áreas de Caatinga, Mata Atlântica, brejos de altitude, nascentes, cursos d'água e açudes;
2. Exigir corredores ecológicos e fragmentos de vegetação nativa, em novos empreendimentos públicos e privados, e regenerar a vegetação, onde for possível, em empreendimentos antigos, reduzindo ilhas de calor e abrigando a fauna;
3. Impedir construções de grande porte em áreas agricultáveis e ambientalmente sensíveis;
4. Reduzir terraplanagens e erosão, adaptando projetos à paisagem natural;
5. Adotar princípios de cidades inteligentes, verdes, resilientes e sustentáveis;
6. Atualizar o Plano Diretor com ampla participação popular;
7. Revisar e atualizar a Lei Municipal do Meio Ambiente 3.751/2017; e as demais leis ambientais, como as leis 3632/2013 e 3857/2021;
8. Preparar o município para enfrentar secas, ondas de calor, escassez de água e demais eventos extremos relacionados às mudanças climáticas;
9. Fortalecer a fiscalização ambiental, promover concursos efetivos para fiscais ambientais e investir na formação dos mesmos, além de aumentar as multas ambientais;
10. Intensificar a educação ambiental para gestores, professores e alunos em escolas urbanas e rurais, como também a políticos e cidadãos em geral;
11. Implantar um novo Aterro Sanitário urgentemente, compostagem e coleta seletiva na cidade;
12. Criar Selo Municipal de Sustentabilidade da Biodiversidade para a Construção Civil, além de promover quem segue as Normas Técnicas do ABNT para construções sustentáveis;
13. Formar uma Comissão Permanente na Câmara Municipal de Gravatá junto com a sociedade civil com a finalidade de discutir o desenvolvimento sustentável da cidade.
O futuro de Gravatá depende das nossas escolhas feitas hoje. Defender suas florestas, sua Caatinga, suas águas e sua biodiversidade é defender também sua economia, sua agricultura, sua saúde e a qualidade de vida das futuras gerações.
Gravatá ainda pode escolher o caminho da sustentabilidade. Mas o tempo para agir é agora.
Associação dos Amigos do Meio Ambiente de Gravatá – AMA-Gravatá
Gravatá, 30 de julho de 2026.
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Abaixo-assinado criado em 5 de agosto de 2026