Manifesto das Entidades Gerais da Unicamp Pelo fim da escala 6x1

O problema

Hoje, no dia 04 de junho, lançamos a campanha Unicamp Pelo Fim da Escala 6x1 e nos integramos às crescentes jornadas de luta que tomam as ruas e locais de trabalho, em todo o país, com manifestações massivas de rua e greves de trabalhadores de inúmeras categorias, tais como, as greves dos trabalhadores da Pepsico, em São Paulo, e dos trabalhadores de limpeza urbana, em João Pessoa (PB).  Esta luta não é de uma só categoria: é de todas e todos que fazem a Unicamp e constroem conhecimento, riqueza, cuidado e futuro para o país. Docentes, técnicos, estudantes, pesquisadoras e pesquisadores – todas as vozes precisam estar juntas contra essa lógica desumana de exploração!  


A escala 6x1 significa trabalhar seis dias seguidos e ter apenas um dia de descanso e essa é a realidade de milhares de trabalhadoras e trabalhadores, principalmente dos serviços terceirizados. Em nossa universidade, temos o bandejão, a limpeza e a segurança. Trabalhar 44 horas semanais e ter apenas um dia de descanso precariza vidas e leva à exaustão e até à morte, como vimos com a perda da funcionária Cleide Aparecida Lopes no restaurante da Unicamp e com o trabalhador ferido pela explosão de uma panela de pressão, entre outros, inúmeros casos de insalubridade das condições de trabalho dos trabalhadores em nossos campi. São essas situações que escancaram a crueldade da terceirização e da lógica de lucro que ignora o bem-estar das pessoas.  


Como podemos concluir do estudo O Brasil está pronto para trabalhar menos publicada pelo TRANSFORMA/UNICAMP (Nota de Economia nº 13, 2025), a escala 6x1 e as jornadas abusivas de trabalho estão diretamente associadas à:


1. Saúde mental e qualidade de vida: longas jornadas, somadas a deslocamentos e tarefas domésticas resultam em pouco tempo livre, degradando a saúde mental. Em 2024, o Brasil registrou 470 mil afastamentos por transtornos mentais – um aumento de 68% em relação a 2023.  

2. Rotatividade e insatisfação: setores como comércio e serviços, onde a escala 6x1 é predominante, vemos altíssimos índices de demissão voluntária (ex.: 55,7% em telemarketing).  

3. Desigualdade de gênero: mulheres, especialmente negras, acumulam 11 horas diárias entre trabalho remunerado e não remunerado (cuidados e afazeres domésticos). A redução da jornada é essencial para uma divisão mais justa e que combata, ativamente, as desigualdades raciais e de gênero em nossa sociedade.  


A luta não é só dos terceirizados

Docentes também estão na engrenagem da precarização. A reforma trabalhista, os cortes bilionários na educação, a falta de investimento nas universidades públicas e a falta de concursos públicos sobrecarregam professores com aulas, pesquisas e funções administrativas. A pesquisa da UNICAMP mostra que 20% da população ocupada (20,88 milhões de pessoas) está em sobrejornada, trabalhando mais que o permitido por lei.  

A juventude também sente o peso dessa injustiça. Estudantes, vindos de escolas públicas sucateadas, são obrigados a trabalhar em escalas como o 6x1 para poder estudar, pagar as contas, ajudar suas famílias e sobreviver. Muitos acabam na informalidade ou abandonando os estudos por não conseguirem conciliar tudo isso. E quando conseguem algum auxílio, como a permanência estudantil, precisam cumprir contrapartidas que os empurram ainda mais para o trabalho precarizado.

A pesquisa científica, fundamental para o desenvolvimento do país, também é atravessada pela mesma lógica. Pesquisar é trabalhar! E a atividade de pesquisa precisa ser tratada como tal: com condições dignas, valorização, financiamento e progressão de carreira. Sem isso, a ciência no Brasil não avança, e quem perde é toda a sociedade.

A redução da jornada é possível e necessária
O estudo citado comprova, cientificamente, o que os trabalhadores já sabem na prática: a escala 6x1 é desumana e sua diminuição para 4x3, acompanhada de uma jornada semanal de 36 horas, é uma necessidade. A PEC proposta pela deputada Érika Hilton (PSOL-SP) não é uma utopia - é uma resposta política e justa à realidade do trabalho no Brasil. 

Benefícios diretos
37% dos trabalhadores formais teriam sua jornada reduzida, imediatamente.
Pessoas pretas, as mais afetadas por jornadas excessivas, seriam as principais beneficiadas.
Mulheres ganhariam com a possibilidade de divisão mais igualitária do trabalho doméstico.
Experiências que comprovam:
Setores, como o metalúrgico, já implementaram reduções para 40h semanais sem perder produtividade.
Em outros países, houve redução da jornada de trabalho e, ao mesmo, tempo crescimento econômico.
Essas são as nossas reivindicações:

- Fim imediato da escala 6x1 e adoção da escala 4x3, na Unicamp e no país.  

- Jornada de 36 horas semanais sem redução salarial.  

- Fim da terceirização e contratação direta com direitos.  

- Investimento em permanência estudantil sem contrapartidas exploratórias.  

- Valorização da pesquisa e da ciência como trabalho digno.  


A Unicamp não pode ser conivente de um sistema que adoece e mata. Como mostra a pesquisa da Unicamp, O Brasil está pronto para trabalhar menos, a redução da jornada é viável, justa e urgente. Vamos juntas e juntos construir uma universidade e um país, em que o ser humano esteja acima do lucro.  


Referências: 

- TRANSFORMA/UNICAMP. *Nota de Economia nº 13* (2025).  

- Dados da PNAD Contínua (IBGE, 2024) e OIT (2023).  

- Proposta da PEC 36h (Dep. Érika Hilton, 2025).  

 

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O problema

Hoje, no dia 04 de junho, lançamos a campanha Unicamp Pelo Fim da Escala 6x1 e nos integramos às crescentes jornadas de luta que tomam as ruas e locais de trabalho, em todo o país, com manifestações massivas de rua e greves de trabalhadores de inúmeras categorias, tais como, as greves dos trabalhadores da Pepsico, em São Paulo, e dos trabalhadores de limpeza urbana, em João Pessoa (PB).  Esta luta não é de uma só categoria: é de todas e todos que fazem a Unicamp e constroem conhecimento, riqueza, cuidado e futuro para o país. Docentes, técnicos, estudantes, pesquisadoras e pesquisadores – todas as vozes precisam estar juntas contra essa lógica desumana de exploração!  


A escala 6x1 significa trabalhar seis dias seguidos e ter apenas um dia de descanso e essa é a realidade de milhares de trabalhadoras e trabalhadores, principalmente dos serviços terceirizados. Em nossa universidade, temos o bandejão, a limpeza e a segurança. Trabalhar 44 horas semanais e ter apenas um dia de descanso precariza vidas e leva à exaustão e até à morte, como vimos com a perda da funcionária Cleide Aparecida Lopes no restaurante da Unicamp e com o trabalhador ferido pela explosão de uma panela de pressão, entre outros, inúmeros casos de insalubridade das condições de trabalho dos trabalhadores em nossos campi. São essas situações que escancaram a crueldade da terceirização e da lógica de lucro que ignora o bem-estar das pessoas.  


Como podemos concluir do estudo O Brasil está pronto para trabalhar menos publicada pelo TRANSFORMA/UNICAMP (Nota de Economia nº 13, 2025), a escala 6x1 e as jornadas abusivas de trabalho estão diretamente associadas à:


1. Saúde mental e qualidade de vida: longas jornadas, somadas a deslocamentos e tarefas domésticas resultam em pouco tempo livre, degradando a saúde mental. Em 2024, o Brasil registrou 470 mil afastamentos por transtornos mentais – um aumento de 68% em relação a 2023.  

2. Rotatividade e insatisfação: setores como comércio e serviços, onde a escala 6x1 é predominante, vemos altíssimos índices de demissão voluntária (ex.: 55,7% em telemarketing).  

3. Desigualdade de gênero: mulheres, especialmente negras, acumulam 11 horas diárias entre trabalho remunerado e não remunerado (cuidados e afazeres domésticos). A redução da jornada é essencial para uma divisão mais justa e que combata, ativamente, as desigualdades raciais e de gênero em nossa sociedade.  


A luta não é só dos terceirizados

Docentes também estão na engrenagem da precarização. A reforma trabalhista, os cortes bilionários na educação, a falta de investimento nas universidades públicas e a falta de concursos públicos sobrecarregam professores com aulas, pesquisas e funções administrativas. A pesquisa da UNICAMP mostra que 20% da população ocupada (20,88 milhões de pessoas) está em sobrejornada, trabalhando mais que o permitido por lei.  

A juventude também sente o peso dessa injustiça. Estudantes, vindos de escolas públicas sucateadas, são obrigados a trabalhar em escalas como o 6x1 para poder estudar, pagar as contas, ajudar suas famílias e sobreviver. Muitos acabam na informalidade ou abandonando os estudos por não conseguirem conciliar tudo isso. E quando conseguem algum auxílio, como a permanência estudantil, precisam cumprir contrapartidas que os empurram ainda mais para o trabalho precarizado.

A pesquisa científica, fundamental para o desenvolvimento do país, também é atravessada pela mesma lógica. Pesquisar é trabalhar! E a atividade de pesquisa precisa ser tratada como tal: com condições dignas, valorização, financiamento e progressão de carreira. Sem isso, a ciência no Brasil não avança, e quem perde é toda a sociedade.

A redução da jornada é possível e necessária
O estudo citado comprova, cientificamente, o que os trabalhadores já sabem na prática: a escala 6x1 é desumana e sua diminuição para 4x3, acompanhada de uma jornada semanal de 36 horas, é uma necessidade. A PEC proposta pela deputada Érika Hilton (PSOL-SP) não é uma utopia - é uma resposta política e justa à realidade do trabalho no Brasil. 

Benefícios diretos
37% dos trabalhadores formais teriam sua jornada reduzida, imediatamente.
Pessoas pretas, as mais afetadas por jornadas excessivas, seriam as principais beneficiadas.
Mulheres ganhariam com a possibilidade de divisão mais igualitária do trabalho doméstico.
Experiências que comprovam:
Setores, como o metalúrgico, já implementaram reduções para 40h semanais sem perder produtividade.
Em outros países, houve redução da jornada de trabalho e, ao mesmo, tempo crescimento econômico.
Essas são as nossas reivindicações:

- Fim imediato da escala 6x1 e adoção da escala 4x3, na Unicamp e no país.  

- Jornada de 36 horas semanais sem redução salarial.  

- Fim da terceirização e contratação direta com direitos.  

- Investimento em permanência estudantil sem contrapartidas exploratórias.  

- Valorização da pesquisa e da ciência como trabalho digno.  


A Unicamp não pode ser conivente de um sistema que adoece e mata. Como mostra a pesquisa da Unicamp, O Brasil está pronto para trabalhar menos, a redução da jornada é viável, justa e urgente. Vamos juntas e juntos construir uma universidade e um país, em que o ser humano esteja acima do lucro.  


Referências: 

- TRANSFORMA/UNICAMP. *Nota de Economia nº 13* (2025).  

- Dados da PNAD Contínua (IBGE, 2024) e OIT (2023).  

- Proposta da PEC 36h (Dep. Érika Hilton, 2025).  

 

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Abaixo-assinado criado em 28 de maio de 2025