MANIFESTO DA ESPERANÇA - Por Dignidade e Respeito à População LGBTQIAP+

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O problema

MANIFESTO DA ESPERANÇA - Por Dignidade e Respeito à População LGBTQIAP+ de Pernambuco, do Nordeste e do Brasil.

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    Segundo o Observatório de Mortes e Violências Contra LGBTI+, a cada 27h uma pessoa LGBTQIAP+ morre de forma violenta no Brasil. A plataforma #VOTELGBT e BOX1824 apontam que durante a pandemia 06 em cada 10 pessoas LGBTQIAP+ perderam a renda ou o emprego. Segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra): apenas 4% das pessoas transexuais possuem emprego formal, só 6% possuem emprego informal e cerca de 90% trabalham com prostituição. O Brasil segue sendo o país que mais mata pessoas LGBTQIAP+ em todo o mundo e as taxas de transfeminicídio são ainda maiores. Muitas pessoas LGBTQIAP+, ainda que sigam vivas, sofrem diariamente com a exclusão de todos os espaços possíveis, inclusive de seus lares. As escolas e universidades também não são lugares acolhedores de nossas identidades. A pesquisa, da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), indica que em 2016, 27% dos entrevistados afirmaram ter sofrido agressão na escola e 73% foram alvos de xingamento em razão de sua orientação sexual. Agredidos na escola, ao chegarem no mercado de trabalho (quando chegam) a situação também não é amistosa. Um estudo realizado pelo Boston Consulting Group (BCG) mapeou as vivências e dificuldades de pessoas LGBTQIAP+ no mercado de trabalho, o Brasil foi incluído nesse levantamento. De acordo com a pesquisa, chamada “Por que o primeiro ano importa para empregados LGBTQ+?”,, 77% das pessoas LGBTQIAP+ brasileiras já foram discriminadas no ambiente corporativo.

    Todos estes dados, nos leva à compreensão de que: pessoas LGBTQIAP+ são atravessadas por algo chamado Estresse de Minorias. Esse estresse acontece porque vivemos em uma sociedade preconceituosa, carregada de estigmas e muito violenta contra a população nossa população. Por se tratar de uma violência estrutural e que se manifesta nos mais diversos âmbitos da vida cotidiana, pessoas LGBTQIAP+ estão em constante estado de alerta, com medo de sofrer alguma violência ou repressão. O estresse de minorias causa sérios danos saúde mental e é construído através do tempo nos mais diversos lugares: na escola ou faculdade, no trabalho, na rua e até em casa.

    Considerando o estresse de minorias, a dimensão política atravessa nossa população com muita força. Nos últimos 04 anos, as pessoas LGBTQIAP+ viram seus direitos ameaçados cotidianamente através de ações governamentais cujo intuito sempre foi atacar e violentar suas existências. A violência contra nossos corpos e corpas  sofreu escalada por falas preconceituosas do então presidente e as ruas se tornaram um lugar ainda mais violento.

    Nos encontramos num processo de retomada e reconstrução da democracia, ao mesmo tempo que também  estamos reconstruindo  a  confiança  em atuar como grupos de base, na ponta, junto à sociedade e se expondo aos riscos que antes já existiam, mas agora parecem maiores. Precisamos, dessa forma, nos fortalecer no que toca à saúde mental e autocuidado, na mesma medida que pensamos estratégias para continuar nossa atuação, em rede.

    Queremos, então, renovar as esperanças e reafirmar a certeza que a nossa vitória será fruto de muita luta e resistência coletivas. Dezembro é o último mês do ano, o mês da virada, do fim. Mas em dezembro de 2022, não é apenas o ano quem termina, chega ao fim também um tempo sinistro onde o fascismo ameaçou a vida de todas nós, pessoas LGBTQIAP+.

    Atravessamos uma pandemia que ainda não acabou e deixou e ainda deixará fortes sequelas do vírus e da política de morte, negacionismo e violência implantada por Bolsonaro e seus aliados. Pandemia, que além de matar milhares de Brasileires, escancarou a desigualdade e os abismos sociais em que vivemos, trazendo à tona de maneira ainda mais evidente as nossas vulnerabilidades como pessoas LGBTQIAP+.

    A nossa luta continua. A vitória de Lula é (e muito) um alívio para o campo progressista, que pensa e executa direitos humanos como política de vida e de mundo.

    Mas a vida de Pessoas LGBTQIAP+ não vai se tornar fácil só porque Lula venceu as eleições em 2022. O que ganhamos foi a garantia de um espaço democrático, no qual iremos continuar incidindo politicamente, propondo, cobrando, mobilizando, protestando e fazendo o que sempre fizemos: Conquistando nossos direitos na base de muita articulação e luta. Porque Direitos Humanos é uma política pública e de estado, nunca de nenhum partido, mas sempre do povo.

    Os dados que foram apresentados nesse manifesto nos entristecem. Muitas vezes nos afetam fortemente e fragilizam a nossa saúde mental, mas decidimos seguir firmes, pelas pessoas LGBTQIAP+ que vieram antes de nós, pelas que já se foram, pelas que estão aqui e agora, e também por aquelas que ainda virão. Transformamos o nosso luto em luta para enterrar de uma vez por todas a ameaça fascista e golpista que tentou transformar o Brasil numa terra de ódio e intolerância, numa terra cinza, numa terra morta. Hasteamos a nossa bandeira com todas as suas cores em sinal de retomada sobre os nossos corpos, orientações sexuais, identidades de gênero, desejos e formas de amar e de ser amades.

    A Arco reitera o compromisso de continuar realizando forte incidência política e disputando narrativas para promover e garantir os Direitos Humanos de pessoas LGBTQIAP+, considerando também as interseccionalidades de raça, etnia, gênero, gerações, território, classe, deficiências, orientações sexuais, identidades e expressões de gênero como marcadores sociais de diferença. Através da arte em suas mais variadas linguagens, da comunicação, da articulação entre grupos de base, do desenvolvimento de projetos, do fortalecimento de ativistas e de grupos, queremos trazer para a centralidade do debate a importância de se discutir e pensar questões LGBTQIAP+.

Convidamos a todes, para unirmos forças nessa grande rede, para a reconstrução da nossa democracia. Uma reconstrução plural, negra, latina,  indígena. Lésbica, Gay, Bi, 

Trans, Queer, Intersexo, Assexual e Agênero e todas as demais formas de ser e estar no mundo. Uma reconstrução feita por nós, para nós e para todes. Com este manifesto, chamamos a atenção  de todes para a necessidade de pautar questões LGBTQIAP+ com mais força e frequência nos mais variados espaços que ocupamos na sociedade e seguir construindo estratégias para diminuir o preconceito, a discriminação e a violência, para construirmos uma sociedade mais colorida, diversa e segura. Que em 2023, possamos pautar ainda mais questões LGBTQIAP+ dentro e fora de nossos coletivos, com ações educativas, de trabalho e renda, saúde mental, combate à violência e tantas outras formas plurais de atuação contra o preconceito.

    Esses são os mais sinceros desejos e planos da Arco para o futuro que está logo ali e pertence a nós. Nos manifestamos por Respeito e Dignidade à População LGBTQIAP+ de Pernambuco, do Nordeste e do Brasil.

 

Jaboatão dos Guararapes, 03 de Dezembro de 2022


 

 

 

 

 

 

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Arco LGBTQIAP+Criador do abaixo-assinadoAtuamos para promover e garantir os direitos humanos de toda população, em especial da comunidade LGBTQIAP+. Contribuindo dessa forma para a diminuição do preconceito e discriminação, além de levar educação e informação sobre diversidade para a população

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