

Judias e judeus gaúchos com o campo progressista nas eleições de 2026
O problema
Nós, judias e judeus gaúchos que nos identificamos com o campo democrático popular, vimos a público nesta carta-manifesto declarar apoio às candidaturas do campo progressista. Compreendemos que o que está em jogo nestas eleições não é apenas um pleito eleitoral normal, mas a própria democracia e quais serão os valores que nortearão nossa sociedade nas próximas décadas.
Temos uma longa história de luta por justiça e igualdade no campo progressista que não se restringe apenas à origem judaica de Karl Marx, Rosa Luxemburgo, Emma Goldman, Walter Benjamin, Rabino Heschel, Vladimir Herzog, entre outras e outros. Da História carregamos a dura lembrança do que significa sermos minoria e bode expiatório de governos que operacionalizam o ódio como combustível para capitalização de apoio político.
Nos identificamos com os valores éticos e humanistas da tradição judaica, como o respeito à vida, liberdade e autonomia para todos os indivíduos e povos do planeta. “Nunca mais” significa para nós “nunca mais para nenhum povo”. Vemos com preocupação o crescimento da extrema direita brasileira e global em seus ataques às democracias e ao Estado de direito. Neste sentido, o antissemitismo crescente sinaliza sintoma inequívoco de adoecimento da sociedade, uma vez que não diz respeito apenas aos judeus: o ódio a uma minoria assinala o quão combalida está uma sociedade e o quão deteriorados se encontram os seus valores democráticos. Compreendemos que os princípios judaicos de Tikkun Olam (reparar o mundo) e Kevod HaBriot (dignidade de todas as criaturas) – que nos impulsionam a buscar justiça, equidade e dignidade humana – devem nortear nossos atos e posicionamentos.
Vemos com enorme suspeita – e apreensão – a fetichização do povo judeu através da colonização do imaginário de como nós somos ou deveríamos ser. A imagem popularizada nas últimas décadas de um povo armamentista, de costumes conservadores e amigo de figuras como Bolsonaro, Trump ou Milei não refletem a pluralidade das comunidades judaicas mundo afora. Acreditamos que esta produção é profundamente antissemita ao tutorar e normatizar o tipo de judeus que querem que sejamos por conta de certas agendas políticas.
Pelos motivos acima assinalados, entendemos que defender a democracia é defender o direito à vida e à liberdade de todas e todos. Ao partilharmos destes valores, acreditamos no direito à autodeterminação de todos os povos e declaramos nosso apoio às candidaturas de Juliana Brizola (PDT) e Edegar Pretto (PT) ao governo do estado do Rio Grande do Sul e de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSB) à presidência do Brasil.
Ao declararmos apoio às chapas de Brizola/Pretto e Lula/Alckmin, conclamamos estas candidaturas a se comprometerem nas lutas contra o antissemitismo, o racismo, a islamofobia, a LGBTQIAfobia, bem como a favor dos direitos dos povos originários e quilombolas e das religiões de matriz africana, ou seja, contra todos os preconceitos que direcionam ao Outro, em sua diferença, o ódio – este que é, em seu cerne, antidemocrático porquanto intolerante.
Nunca digas que esta é a senda final,
Porque o cinza cobriu o azul do céu,
Nossa hora tão esperada chegará,
Ressoará nosso marchar,
Estamos aqui!
- trecho do poema e hino partizan “Zog nit keyn mol” (“Nunca diga”)
Coletivo Estamos Aqui!
Renato Levin Borges (Judz)
Raquel Padão Laks
Marcelo Sikinowski Silveira
Deborah Kotek Selistre
Efraim Golbert
Rosa Cristina Machline Harzheim
Raul Trajano Sibemberg
Nathalia Tessler
Alexandre Panta Teitelbaum
Beatriz Kotek Selistre
Felipe S Burd
Leonardo Kotek Selistre Osorio
Helen Tais Da Rosa
Laura Jovchelovitch
Andréa Borba Pinheiro
Rafaela Brodacz de Vasconcellos
Miguel Zanona Krasner

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O problema
Nós, judias e judeus gaúchos que nos identificamos com o campo democrático popular, vimos a público nesta carta-manifesto declarar apoio às candidaturas do campo progressista. Compreendemos que o que está em jogo nestas eleições não é apenas um pleito eleitoral normal, mas a própria democracia e quais serão os valores que nortearão nossa sociedade nas próximas décadas.
Temos uma longa história de luta por justiça e igualdade no campo progressista que não se restringe apenas à origem judaica de Karl Marx, Rosa Luxemburgo, Emma Goldman, Walter Benjamin, Rabino Heschel, Vladimir Herzog, entre outras e outros. Da História carregamos a dura lembrança do que significa sermos minoria e bode expiatório de governos que operacionalizam o ódio como combustível para capitalização de apoio político.
Nos identificamos com os valores éticos e humanistas da tradição judaica, como o respeito à vida, liberdade e autonomia para todos os indivíduos e povos do planeta. “Nunca mais” significa para nós “nunca mais para nenhum povo”. Vemos com preocupação o crescimento da extrema direita brasileira e global em seus ataques às democracias e ao Estado de direito. Neste sentido, o antissemitismo crescente sinaliza sintoma inequívoco de adoecimento da sociedade, uma vez que não diz respeito apenas aos judeus: o ódio a uma minoria assinala o quão combalida está uma sociedade e o quão deteriorados se encontram os seus valores democráticos. Compreendemos que os princípios judaicos de Tikkun Olam (reparar o mundo) e Kevod HaBriot (dignidade de todas as criaturas) – que nos impulsionam a buscar justiça, equidade e dignidade humana – devem nortear nossos atos e posicionamentos.
Vemos com enorme suspeita – e apreensão – a fetichização do povo judeu através da colonização do imaginário de como nós somos ou deveríamos ser. A imagem popularizada nas últimas décadas de um povo armamentista, de costumes conservadores e amigo de figuras como Bolsonaro, Trump ou Milei não refletem a pluralidade das comunidades judaicas mundo afora. Acreditamos que esta produção é profundamente antissemita ao tutorar e normatizar o tipo de judeus que querem que sejamos por conta de certas agendas políticas.
Pelos motivos acima assinalados, entendemos que defender a democracia é defender o direito à vida e à liberdade de todas e todos. Ao partilharmos destes valores, acreditamos no direito à autodeterminação de todos os povos e declaramos nosso apoio às candidaturas de Juliana Brizola (PDT) e Edegar Pretto (PT) ao governo do estado do Rio Grande do Sul e de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSB) à presidência do Brasil.
Ao declararmos apoio às chapas de Brizola/Pretto e Lula/Alckmin, conclamamos estas candidaturas a se comprometerem nas lutas contra o antissemitismo, o racismo, a islamofobia, a LGBTQIAfobia, bem como a favor dos direitos dos povos originários e quilombolas e das religiões de matriz africana, ou seja, contra todos os preconceitos que direcionam ao Outro, em sua diferença, o ódio – este que é, em seu cerne, antidemocrático porquanto intolerante.
Nunca digas que esta é a senda final,
Porque o cinza cobriu o azul do céu,
Nossa hora tão esperada chegará,
Ressoará nosso marchar,
Estamos aqui!
- trecho do poema e hino partizan “Zog nit keyn mol” (“Nunca diga”)
Coletivo Estamos Aqui!
Renato Levin Borges (Judz)
Raquel Padão Laks
Marcelo Sikinowski Silveira
Deborah Kotek Selistre
Efraim Golbert
Rosa Cristina Machline Harzheim
Raul Trajano Sibemberg
Nathalia Tessler
Alexandre Panta Teitelbaum
Beatriz Kotek Selistre
Felipe S Burd
Leonardo Kotek Selistre Osorio
Helen Tais Da Rosa
Laura Jovchelovitch
Andréa Borba Pinheiro
Rafaela Brodacz de Vasconcellos
Miguel Zanona Krasner

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Abaixo-assinado criado em 31 de agosto de 2026