Contra o corte de verbas na saúde no estado de São Paulo

0 pessoa já assinou. Ajude a chegar a 35.000!


     Manifestamos nosso total repúdio ao corte de verbas na saúde anunciado pelo governo do estado de São Paulo na última semana e exigimos a reversão imediata desta decisão.

     A recente decisão tomada pelo governo do estado e pela Secretaria de Saúde afeta os serviços prestados pelo Hospital Estadual de Sumaré (HES), Hospital Regional de Piracicaba, Centro Cirúrgico Ambulatorial (CCA) do Hospital de Clínicas, além de hospitais filantrópicos e santas casas. Além disso, desconsidera a necessidade assistencial da população, a formação de médicos e especialistas, e as atividades de pesquisa desenvolvidas.

    Os atendimentos realizados no HES contemplam todos os níveis de complexidade. Em divergência com a nota realizada pela Secretaria Estadual de Saúde, a maioria dos casos, especialmente os que demandam internação hospitalar, não consegue ser absorvidos pela rede primária. Isso porque há incompatibilidade entre o grau de complexidade exigido para o cuidado adequado dos pacientes e o nível de assistência que a atenção primária (como as UBS) é capaz de oferecer, sem mencionar a demanda de atendimentos já saturada pelos Centros de Saúde. 

     O corte de verbas anunciado afeta o setor de Pediatria (fechamento de internações em enfermaria e extinção de atendimentos de urgência e emergência, com consequências negativas às internações em unidade de terapia intensiva), Oftalmologia, Ortopedia, Cirurgia Pediátrica e Urologia do HES, trazendo danos irreversíveis para a população.

     A Pediatria enfrenta habitualmente grande demanda de internações com déficit de leitos de enfermaria e de terapia intensiva. Diante da perspectiva de volta às aulas, a situação tende a piorar, como já apontado por artigos científicos publicados pelas revistas Lancet, JAMA, Science. Precisamos nos preparar para sobrecarga de atendimentos e internações em decorrência da pandemia por coronavírus. É ilógico fechar todos os leitos de enfermaria de pediatria e os atendimentos de urgência e emergência do HES, sobretudo nesse período. É importante recordar que a quantidade de leitos hospitalares é preditor de mortalidade para diversas doenças, inclusive para o coronavírus. Só na cidade de Campinas, o gasto público com leitos privados foi de mais de 11 milhões de reais durante a pandemia. Sumaré é referência para diversos municípios da região e tem Campinas como sua própria referência. Fechar leitos de internação em hospital público em meio à maior pandemia do século 21 concomitante à compra de leitos privados é incoerência ou manobra política. 

     O serviço de urgência da Oftalmologia da Unicamp atendeu mais de 10 mil pacientes no ano de 2020, números superiores àqueles de anos anteriores, mesmo em vigência da pandemia. Entretanto, o CCA do Hospital de Clínicas encontra-se fechado há 10 meses, com redução do volume cirúrgico oftalmológico a menos de um quinto do volume habitual, o que resultou em diversos casos de cegueira irreversível, uma vez que não há vaga cirúrgica disponível em tempo hábil para tratamento. No momento, há CENTENAS de pacientes em lista de espera para cirurgia, sendo o complexo hospitalar da UNICAMP a única referência de tratamento de diversas causas de cegueira nesta Divisão Regional de Saúde. Em Piracicaba, o Hospital Regional, administrado pela UNICAMP, que contempla parte do volume cirúrgico oftalmológico do complexo assistencial da Universidade também será afetado pelo corte de verbas.

    Outros procedimentos afetados são implantação de prótese de joelho e quadril, tratamento de cálculo renal, cirurgias pediátricas, que não poderão ser absorvidos com qualidade pela rede pública de saúde por falta de estrutura e recursos financeiros e humanos.

     Defender a saúde pública implica reivindicar a ampliação de enfermarias do SUS e não o seu desmonte. O foco do planejamento das políticas públicas de saúde deve ser a ampliação da assistência e a melhora de sua qualidade, não o corte de serviços essenciais. Diante do exposto, ressaltamos nosso veemente repúdio ao corte de verbas, ao fechamento da enfermaria e UER Pediátrica, do serviço de Oftalmologia, e cancelamento de cirurgias do Hospital Estadual Sumaré. Ressaltamos as consequências de tal decisão, como a incomparável falta de assistência à saúde da população, assim como a perda de um campo de atuação e aprendizado fundamental para os alunos. Finalizamos enfatizando que tal decisão escancara o projeto de precarização do Sistema Único de Saúde brasileiro.

      Reivindicamos JÁ a revogação da decisão dos cortes de verba e maior financiamento para o SUS.