PELA VIDA E PELA SEGURANÇA EM PERNAMBUCO

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Excelentíssimo Senhor Governador Paulo Câmara:

O que nos une hoje é um motivo de muita tristeza e preocupação.

Nossas vidas parecem ser descartáveis.

Enquanto o senhor, governador, dizia que os números eram boato, os números iam crescendo e a crise da segurança se agravando.

1.522 mortos. 497 estupros.

Não são números.

São pessoas.

Estamos vivendo uma crise de segurança pública que não tem precedentes.

Quando o senhor afirmou que a situação estava desconfortável nos deu mostras de que não está sabendo responder, literalmente, ao problema da violência.

Queremos respostas, governador.

Os assaltos a ônibus são tão preocupantes que Cláudia Maria dos Santos Silva, uma mulher de 49 anos, zeladora em um condomínio, morreu saltando de um ônibus durante um assalto.

O Consulado Geral dos Estados Unidos em Recife emitiu um comunicado alertando os cidadãos americanos para que não andassem de ônibus em Pernambuco. Mais de 1.000 assaltos a ônibus foram registrados desde o início do ano, de acordo com o Sindicato dos Rodoviários.

As polícias civil e militar denunciam o estado de precariedade com que trabalham há anos, organizando sucessivas greves. Seus pleitos vão desde melhores salários até condições mínimas de trabalho, como munição dentro da validade, viaturas que funcionem, equipamentos de segurança apropriados. São reclamos justos, que merecem ser atendidos.

Por outro lado, temos uma polícia violenta. E por trás de uma polícia violenta não há policiais desajustados. Há uma orientação política para reprimir com violência a população. Para agir com seletividade, configurando o chamado racismo institucional. É essa orientação política que precisa ser mudada, ao lado de um sério e sistemático investimento em formação policial.

O que ocorreu com o jovem Edvaldo da Silva Alves, de 21 anos, mostra isso.

Edvaldo foi baleado a sangue frio por um agente da Polícia Militar de Pernambuco. O agente atirou de forma premeditada, fazendo graça do ato de violência, ironizando e anunciando o disparo: "o primeiro que vai levar bala é tu".

Não era um bandido a atirar. Era um policial uniformizado, vestindo as insígnias da bandeira do estado de Pernambuco.

O que Edvaldo fez de errado? Nada. Estava participando de um protesto pedindo mais policiamento, em razão dos frequentes assaltos no município de Itambé.

A polícia tem que ser parte da solução. E não parte do problema.

Somente em março, choramos as mortes de várias mulheres.

Mirella Sena de Araújo, de 28 anos, fisioterapeuta, foi brutalmente assassinada por um vizinho, vítima de feminicídio, deixando toda uma cidade de luto.

Com tantos feminicídios e estupros, o combate à violência não pode ignorar a violência contra a mulher. Uma política de prevenção a essa violência tem que integrar estratégias bem definidas de enfrentamento ao machismo.

1.522 mortes.

Basta.

Temos medo de andar de ônibus, de ir ao trabalho. Temos medo de entrar em um banco ou em um supermercado. Temos medo de parar o carro em um sinal e de estacionar. Temos medo de andar na rua e de ficar em casa.

Temos medo.

E viver com medo não é viver.

Nós somos a nova Roma de bravos guerreiros, em que corre sangue de heróis - rubro veio.

Não somos e não merecemos ser um povo acuado.

Queremos respostas, governador.

Respostas melhores. Eficazes. E, especialmente, respostas discutidas, debatidas e formuladas com a participação da sociedade civil e especialistas em fóruns apropriados, e não soluções de maquiagem feitas a portas fechadas em algum gabinete.

Pernambuco: Mortal? Mortal?

 

* Retrato do governador, Paulo Câmara, pendurado na recepção da sede da Secretaria de Planejamento do Estado. Foto: Eric Gomes / Mídia NINJA



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