Falar sobre o autismo na infância já é um desafio monumental para milhares de famílias no

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O problema

Atendimento a autistas adultos nível 3 de suporte

Falar sobre o autismo na infância já é um desafio monumental para milhares de famílias no Brasil. Mas existe um segundo abismo, silencioso, cruel e completamente ignorado pelo poder público: o que acontece quando essas crianças crescem?
​A Lei Berenice Piana (Lei nº 12.764/2012) garantiu no papel os direitos da pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA), assegurando atendimento integral à saúde, educação e assistência social, sem distinção de idade ou nível de suporte. Contudo, na prática cotidiana, o que vemos é uma falência sistêmica absoluta.
​Para os autistas adultos em Nível 3 de suporte — aqueles que exigem cuidados intensivos contínuos, comunicação não verbal e suporte integral —, as portas simplesmente se fecham. A partir da idade adulta (e muitas vezes antes disso), não há centros de convivência diurna, não há residências assistidas públicas, não há suporte especializado e não há retaguarda para as famílias. A sociedade e o Estado tratam esses cidadãos como se eles deixassem de existir ao completarem a juventude.
​O peso dessa omissão recai inteiramente sobre os ombros dos cuidadores — em sua maioria mães que, sozinhas, envelhecem junto com seus filhos, sem nenhuma rede de apoio. Ouvimos muitas vezes, com revolta, que famílias atípicas "consumiriam recursos do Estado". É preciso lembrar com clareza: somos cidadãos, trabalhadores e pagadores de impostos que cumprem o seu papel, mas que são abandonados pelo poder público justamente no momento em que mais precisam de retaguarda institucional.
​Envelhecer sem saber quem cuidará do seu filho quando você não estiver mais aqui é a angústia mais profunda que uma mãe ou um pai pode carregar. Manter adultos com deficiências severas trancados em casa, sem estimulação, sem convivência e sem atendimento adequado, não é proteção; é exclusão institucionalizada.
​Por isso, exigimos dos órgãos governamentais competentes:
​O cumprimento efetivo da legislação vigente, transformando direitos do papel em estruturas reais de atendimento para adultos no Espectro Autista.
​A criação e expansão de Centros de Convivência e Residências Inclusivas públicas e especializadas, garantindo suporte de qualidade para autistas severos após a infância e amparo para o futuro quando as famílias envelhecerem.
​O fim da invisibilidade, reconhecendo que o autismo não desaparece na vida adulta e que cuidar de quem cuida é um dever intransferível do Estado.
​Assine este manifesto para que o silêncio seja quebrado e para que nossos filhos tenham direito a uma vida com dignidade, segurança e humanidade até o fim de seus dias.

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