

Exigir a flexibilização das atividades de extensão obrigatória
O problema
MANIFESTO EM DEFESA DO ESTUDANTE TRABALHADOR: PELA FLEXIBILIZAÇÃO DA CURRICULARIZAÇÃO DA EXTENSÃO
Ao Excelentíssimo Senhor Presidente da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação, Prof. Dr. Otavio Luiz Rodrigues Jr.
Os estudantes universitários trabalhadores do Brasil vêm, por meio deste abaixo-assinado, expor a insustentabilidade prática da Resolução CNE/CES nº 7 de 2018 e pleitear medidas urgentes de flexibilização junto ao Conselho Nacional de Educação.
A referida resolução determina a obrigatoriedade de destinar, no mínimo, 10% da carga horária dos cursos de graduação para atividades de extensão. Reconhecemos o valor teórico de aproximar a academia da sociedade. No entanto, a aplicação rígida desta norma desconsidera por completo a realidade socioeconômica de milhões de brasileiros que cumprem jornadas profissionais de 40 a 44 horas semanais.
Historicamente, o ingresso de trabalhadores no ensino superior foi celebrado como um marco de inclusão social e democratização do acesso ao conhecimento. No entanto, a verdadeira inclusão não se esgota na matrícula; ela exige condições reais de permanência. É justamente nesse ponto que a atual formatação das atividades de extensão se converte em um severo empecilho prático.
Exigir projetos práticos e interações comunitárias presenciais de quem já cumpre uma jornada de trabalho exaustiva cria uma barreira invisível, mas intransponível. Ao invés de integrar o estudante à sociedade, a extensão compulsória atua como um mecanismo de exclusão. Ela força o trabalhador a escolher entre a subsistência financeira e o sonho do diploma universitário. Como consequência direta, essa sobrecarga tem se consolidado como um dos principais motivos de desistência e evasão no ensino superior, expulsando da universidade justamente aqueles que mais precisam dela para ascender socialmente.
Dessa forma, solicitamos a este Conselho que promova uma revisão normativa para acolher o estudante trabalhador. É fundamental que se regulamentem alternativas viáveis, tais como:
Validação de atividades profissionais correlatas à área de formação como extensão;
Incentivo a projetos majoritariamente síncronos e assíncronos em ambiente digital;
Oferta obrigatória de projetos em horários alternativos, como sábados e períodos noturnos;
Criação de regimes especiais de cumprimento para estudantes com vínculo empregatício comprovado.
A extensão não pode ser um privilégio de quem dispõe de tempo livre. Sob pena de assistirmos a um aumento ainda mais alarmante nos índices de abandono acadêmico, clamamos por uma regulamentação que respeite a dignidade e a realidade de quem constrói o futuro do país com o próprio suor.
Pela democratização real do ensino superior e pelo direito de estudar e trabalhar!

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O problema
MANIFESTO EM DEFESA DO ESTUDANTE TRABALHADOR: PELA FLEXIBILIZAÇÃO DA CURRICULARIZAÇÃO DA EXTENSÃO
Ao Excelentíssimo Senhor Presidente da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação, Prof. Dr. Otavio Luiz Rodrigues Jr.
Os estudantes universitários trabalhadores do Brasil vêm, por meio deste abaixo-assinado, expor a insustentabilidade prática da Resolução CNE/CES nº 7 de 2018 e pleitear medidas urgentes de flexibilização junto ao Conselho Nacional de Educação.
A referida resolução determina a obrigatoriedade de destinar, no mínimo, 10% da carga horária dos cursos de graduação para atividades de extensão. Reconhecemos o valor teórico de aproximar a academia da sociedade. No entanto, a aplicação rígida desta norma desconsidera por completo a realidade socioeconômica de milhões de brasileiros que cumprem jornadas profissionais de 40 a 44 horas semanais.
Historicamente, o ingresso de trabalhadores no ensino superior foi celebrado como um marco de inclusão social e democratização do acesso ao conhecimento. No entanto, a verdadeira inclusão não se esgota na matrícula; ela exige condições reais de permanência. É justamente nesse ponto que a atual formatação das atividades de extensão se converte em um severo empecilho prático.
Exigir projetos práticos e interações comunitárias presenciais de quem já cumpre uma jornada de trabalho exaustiva cria uma barreira invisível, mas intransponível. Ao invés de integrar o estudante à sociedade, a extensão compulsória atua como um mecanismo de exclusão. Ela força o trabalhador a escolher entre a subsistência financeira e o sonho do diploma universitário. Como consequência direta, essa sobrecarga tem se consolidado como um dos principais motivos de desistência e evasão no ensino superior, expulsando da universidade justamente aqueles que mais precisam dela para ascender socialmente.
Dessa forma, solicitamos a este Conselho que promova uma revisão normativa para acolher o estudante trabalhador. É fundamental que se regulamentem alternativas viáveis, tais como:
Validação de atividades profissionais correlatas à área de formação como extensão;
Incentivo a projetos majoritariamente síncronos e assíncronos em ambiente digital;
Oferta obrigatória de projetos em horários alternativos, como sábados e períodos noturnos;
Criação de regimes especiais de cumprimento para estudantes com vínculo empregatício comprovado.
A extensão não pode ser um privilégio de quem dispõe de tempo livre. Sob pena de assistirmos a um aumento ainda mais alarmante nos índices de abandono acadêmico, clamamos por uma regulamentação que respeite a dignidade e a realidade de quem constrói o futuro do país com o próprio suor.
Pela democratização real do ensino superior e pelo direito de estudar e trabalhar!

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Abaixo-assinado criado em 31 de julho de 2026