Em defesa do Centro de Fiação e Tecelagem de Uberlândia

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O problema

Considerando manifestações públicas recentes do Prefeito Municipal de Uberlândia de que o Centro de Fiação e Tecelagem de Uberlândia sofrerá alterações de uso;

Considerando, entretanto, que:

a.        a tecelagem manual é tradição secular no Triângulo Mineiro, oriunda das áreas rurais e que se fez presente desde a formação das primeiras cidades da região. Uberlândia valorizou esta tradição com a construção de um edifício destinado a reunir tecelãs, moradoras na cidade e seus distritos, em um lugar propício para prática têxtil manual, obtenção de renda, formação pelo ensino e difusão da produção artesanal;

b.         a preservação desse patrimônio imaterial deve-se, em grande medida, à atuação de tecedeiras, fiandeiras, carpinteiros, ferreiros, artistas e pesquisadores, destacando-se, entre outros, Edmar de Almeida, Flávio Império e Lina Bo Bardi, bem como o Centro Nacional de Referência Cultural (CNRC), responsável por amplo registro regional e reconhecimento da relevância nacional dessa prática;

c.         o Centro de Fiação e Tecelagem de Uberlândia foi construído entre 1989-1992 com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), no âmbito do Programa de Cidades Intermediárias (PROECI), com projeto arquitetônico de Roberto Pereira Andrade, Maria Eliza Guerra e Márcia Cristina de Freitas e, painéis do artista plástico Henrique Lemes;

d.         o edifício encontra-se tombado pelo Município de Uberlândia, conforme os Decretos Municipais nº 20.114, de 26 de dezembro de 2022, e nº 20.249, de 23 de março de 2023, reconhecido por seu valor enquanto patrimônio cultural material;

e.         o edifício foi concebido como espaço de trabalho, produção, formação e difusão, empregando sobretudo mulheres idosas detentoras do saber tradicional, bem como possibilitando a formação de novas gerações, constituindo-se, portanto, como núcleo fundamental para a continuidade desse patrimônio cultural.

Nós, abaixo-assinado, em consideração ao reconhecimento formal do valor cultural, histórico, arquitetônico e simbólico do Centro de Fiação e Tecelagem de Uberlândia, bem como à relevância do Saber Tradicional da Tecelagem Manual do Triângulo Mineiro para a identidade cultural, a economia criativa e a memória coletiva do município, solicitamos que a Prefeitura de Uberlândia mova esforços para a manutenção dessas atividades em sua edificação de origem, ícone de valorização cultural, providenciando o investimento de recursos financeiros e humanos para o fortalecimento das atividades ali desenvolvidas e salvaguarda de sua função original.

*Foto: Hugo Segawa.

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Considerando manifestações públicas recentes do Prefeito Municipal de Uberlândia de que o Centro de Fiação e Tecelagem de Uberlândia sofrerá alterações de uso;

Considerando, entretanto, que:

a.        a tecelagem manual é tradição secular no Triângulo Mineiro, oriunda das áreas rurais e que se fez presente desde a formação das primeiras cidades da região. Uberlândia valorizou esta tradição com a construção de um edifício destinado a reunir tecelãs, moradoras na cidade e seus distritos, em um lugar propício para prática têxtil manual, obtenção de renda, formação pelo ensino e difusão da produção artesanal;

b.         a preservação desse patrimônio imaterial deve-se, em grande medida, à atuação de tecedeiras, fiandeiras, carpinteiros, ferreiros, artistas e pesquisadores, destacando-se, entre outros, Edmar de Almeida, Flávio Império e Lina Bo Bardi, bem como o Centro Nacional de Referência Cultural (CNRC), responsável por amplo registro regional e reconhecimento da relevância nacional dessa prática;

c.         o Centro de Fiação e Tecelagem de Uberlândia foi construído entre 1989-1992 com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), no âmbito do Programa de Cidades Intermediárias (PROECI), com projeto arquitetônico de Roberto Pereira Andrade, Maria Eliza Guerra e Márcia Cristina de Freitas e, painéis do artista plástico Henrique Lemes;

d.         o edifício encontra-se tombado pelo Município de Uberlândia, conforme os Decretos Municipais nº 20.114, de 26 de dezembro de 2022, e nº 20.249, de 23 de março de 2023, reconhecido por seu valor enquanto patrimônio cultural material;

e.         o edifício foi concebido como espaço de trabalho, produção, formação e difusão, empregando sobretudo mulheres idosas detentoras do saber tradicional, bem como possibilitando a formação de novas gerações, constituindo-se, portanto, como núcleo fundamental para a continuidade desse patrimônio cultural.

Nós, abaixo-assinado, em consideração ao reconhecimento formal do valor cultural, histórico, arquitetônico e simbólico do Centro de Fiação e Tecelagem de Uberlândia, bem como à relevância do Saber Tradicional da Tecelagem Manual do Triângulo Mineiro para a identidade cultural, a economia criativa e a memória coletiva do município, solicitamos que a Prefeitura de Uberlândia mova esforços para a manutenção dessas atividades em sua edificação de origem, ícone de valorização cultural, providenciando o investimento de recursos financeiros e humanos para o fortalecimento das atividades ali desenvolvidas e salvaguarda de sua função original.

*Foto: Hugo Segawa.

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Abaixo-assinado criado em 28 de fevereiro de 2026