
Olá. Faz um tempo que não dou notícias. Final de ano de professor é sempre assim, uma correria louca para fechar o semestre, corrigir provas e trabalhos, participar de bancas de seleção e de mestrado e doutorado. Além de um monte de pareceres e artigos pendentes para finalizar, relatórios para fazer, etc.
Esse foi um ano especialmente difícil. Não tínhamos dúvida quanto ao modo difícil que governo Bolsonaro trataria as IFES. Creio que ninguém imaginada que seria, porém, tão difícil. Ceio que ninguém imagina que teríamos Ministros da Educação tão desrespeitosos, vulgares, agressivos e incompetentes. Weintraub, O Infame, é de longe o pior Ministro da Educação que jamais tivemos. Corre a boca pequena que ele não voltará das férias. Sua saída sem dúvida seria um alívio, mas naquilo que ele tem de desagradável e repugnante. Isso não significa, porém, que o governo estará mudando um milímetro com relação a nós, ou seja, sai a pessoa e o seu modus operandi, mas fica o governo e suas políticas.
Algo de interessante que aconteceu foi um maior interesse dos Deputados na questão das Universidades. Sempre contamos com nossas bancadas para obter orçamento suplementar. Mas agora, me parece, o interesse se tornou mais urgente e disposto a traçar boas políticas a partir do diálogo conosco. Isso não significai que teremos vida fácil no Congresso. Há grupos fortes e organizados que trabalham contra nós, trabalham pela privatização das Universidades Públicas. De todo modo, o grupo de trabalho criado pelo Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, deve ser visto como um espaço no qual podemos trabalhar. O Dep. Gastão Vieira está com um PL (Projeto de Lei (PL) N° 4992/2019) que se opõe ao Future-se. Do mesmo modo, o Proifes retoma e apresenta um Projeto de Autonomia, para vir a ser substitutivo ou dialogar com o Projeto do Deputação Gastão. Também a Andifes tem apresentado proposta legislativa que vai no mesmo sentido. É preciso então convergirmos para um proposta forte e consistente, que atenda ao interesse da Universidade e, por consequência, da sociedade.
Outro fato importante que ocorreu na Câmara foi a produção, pela Comissão de Acompanhamento do MEC, de um relatório sobre a situação da educação e das políticas do MEC. A situação diagnóstica é muito difícil, muito mais difícil quando se tem o ministério que temos. No que diz respeito ao ensino superior, porém, o relatório tem equívocos importantes e precisamos conversar com a comissão, mostrar o que não nos parece bem.
Não vou me alongar muito. O próximo ano, do ponto de vista objetivo, não será mais fácil no confronto com o governo, com a questão orçamentária. Mas temos já mais clareza das forças que estão conosco, e elas são muito significativas. O governo não irá nos destruir. Mas teremos de conversar, de deixar de lado vaidades, de abrir mão de posições locais, de não buscar protagonismo. Os partidos que sempre estiveram conosco precisam ter a sensibilidade de nos dar mais espaço, e não de ganhar espaço entre nós.
Deixo com vocês um pequena entrevista com João Carlos Salles, Presidente da Andifes. 2020 será um outro ano de sangue, suor e lágrimas. Mas as lágrimas finais serão lágrimas da nossa vitória.