CARTA AO COLÉGIO FRIBURGO E CASINHA PEQUENINA: RUMO A UM COMPROMISSO ANTIRRACISTA

Assinantes recentes:
Esther Babuch e outras 19 pessoas assinaram recentemente.

O problema

Abaixo, texto da carta redigida à Equipe Gestora pelo Comitê de Famílias Antirracistas do Colégio Friburgo e Casinha Pequenina. 

 

Escolhemos, diariamente, o Colégio Friburgo e a Casinha Pequenina porque acreditamos na profundidade dos valores da escola e nos ideais transformadores de seu manifesto. Desejamos que nossas filhas e filhos cresçam em um espaço verdadeiramente seguro e saudável, que respeite cada potencialidade, valorize as diferenças e construa junto, em comunidade, um futuro mais humano, justo e transformador.

“Que o coletivo seja mais forte que o indivíduo,

Mas que o indivíduo seja mais forte que a indiferença”

“Que a compreensão da diversidade leve 

à prática da solidariedade e das construções afetivas”

— Trechos do manifesto da escola, escrito por Ciro de Figueiredo, Diretor Geral

Observamos no encerramento de 2024, os esforços significativos da escola para promover um ambiente mais diverso, inclusivo e igualitário. Valorizamos as longas discussões realizadas, que trouxeram sinais de esperança. Contudo, ao concluirmos 2025, constatamos que os avanços em relação a uma educação antirracista foram tímidos diante de uma urgência imposta por uma história marcada por quase 400 anos de escravidão e por um legado que ainda sustenta profundas desigualdades e violências no país.

"A escola é um microcosmo que reproduz o ambiente em que vivemos na sociedade como um todo. Tudo que acontece lá [na escola], acontece cá [no resto da sociedade], de uma forma muito reprodutora das relações complexas."

— Ana Paula Brandão, gestora do Projeto SETA

"É na escola que acontecem as primeiras experiências de racismo".

— Ana Cristina Juvenal, pesquisadora 

Uma pesquisa realizada pelo Projeto SETA confirma as falas acima e demonstra que o ambiente escolar ainda figura entre os principais espaços de ocorrência de violência racial no Brasil. É por isso que nos organizamos como Comitê de Famílias Antirracista: para não permitir que essa realidade se perpetue em nossa comunidade escolar.

Consideramos que a escola tem a responsabilidade ética de ser um vetor de transformação e que juntos podemos construir um futuro pautado por uma educação verdadeiramente inclusiva e antirracista, desenvolvida de maneira colaborativa e respeitando as potencialidades individuais de todas as nossas crianças e adolescentes, através de projetos pedagógicos, posições públicas e formação de educadores e de toda a comunidade ao seu redor.

Acreditamos profundamente que o Colégio Friburgo, com sua tradição de mais de 60 anos e seu foco na formação humana integral, está preparado para dar um passo histórico e ético em sua trajetória. Por isso, o convidamos a celebrar sua história assumindo publicamente o compromisso de construir uma educação antirracista, dedicando toda sua força, criatividade e capacidade de transformação — incluindo investimentos concretos, financeiros e de recursos humanos — para que essa visão se torne uma realidade presente e sistêmica, começando agora.

Princípios do Compromisso Antirracista

Propomos que o Compromisso Antirracista da escola se materialize através dos seguintes princípios e ações imediatas:

  1. Compromisso Público e Protocolo Antirracista: Assumir publicamente o compromisso com uma educação antirracista, iniciando com a criação e implementação do Protocolo Antirracista até o 1º Trimestre de 2026.
  2. Letramento Racial: Promover, de forma contínua, o letramento racial entre educadores, estudantes, famílias e colaboradores, garantindo a compreensão crítica e histórica das questões raciais e suas implicações no cotidiano.
  3. Constituição do Comitê Antirracista (Escola & Famílias): Instituir formalmente um Comitê Antirracista com participação de representantes das famílias e da escola (gestão, docentes e funcionários), responsável por acompanhar, propor, monitorar e garantir que a transformação ocorra em todas as frentes da comunidade escolar.
  4. Pedagogia crítica e Valorização Afrodescendente: Ensinar alunos a analisar criticamente as estruturas de poder, privilégio e opressão na sociedade, integrando ao currículo o estudo profundo e contínuo das histórias, culturas, produções intelectuais, artísticas e científicas afrodescendentes. Promover o reconhecimento e o enaltecimento da contribuição negra na formação do Brasil e do mundo, valorizando narrativas, saberes e protagonismos que historicamente foram apagados, para formação ainda mais consciente e com orgulho de sua ancestralidade.
  5. Promoção da Equidade: Implementar políticas e práticas que visam a resultados educacionais justos para todos os alunos, identificando e removendo barreiras sistêmicas.
  6. Ações Críticas e Consistentes: Basear esse compromisso em um imperativo ético com ações críticas, consistentes e sustentáveis em todas as esferas da escola (pedagógica, administrativa e de convivência).
  7. Formação e Parcerias Estratégicas: Estabelecer vínculos permanentes com referências da luta antirracista, por meio de parcerias com organizações e especialistas para garantir a formação continuada e a eficácia das ações.
  8. Protagonismo Negro e Indígena: Abrir espaços de fala para pessoas negras e indígenas dentro da comunidade escolar, valorizando saberes e protagonismos negros e indígenas para romper lógicas de subalternização e promover a diversidade real.
  9. Revisão Curricular Institucional: Revisar o currículo e projeto pedagógico em profundidade para incorporar uma agenda institucional antirracista, indo além de ações pontuais requeridas por Leis. 

A educação antirracista é vista por muitos educadores e ativistas como a única forma de educação que pode levar a uma sociedade verdadeiramente democrática e justa.

Assumimos também, como famílias de crianças e adolescentes do Colégio Friburgo e da Casinha Pequenina, nosso compromisso em dialogar, colaborar e apoiar a escola nesta construção conjunta de uma educação verdadeiramente antirracista. 

São Paulo, 04 de dezembro de 2025. 

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Escolhemos, diariamente, o Colégio Friburgo e a Casinha Pequenina porque acreditamos na profundidade dos valores da escola e nos ideais transformadores de seu manifesto. Desejamos que nossas filhas e filhos cresçam em um espaço verdadeiramente seguro e saudável, que respeite cada potencialidade, valorize as diferenças e construa junto, em comunidade, um futuro mais humano, justo e transformador.

“Que o coletivo seja mais forte que o indivíduo,

Mas que o indivíduo seja mais forte que a indiferença”

“Que a compreensão da diversidade leve 

à prática da solidariedade e das construções afetivas”

— Trechos do manifesto da escola, escrito por Ciro de Figueiredo, Diretor Geral

Observamos no encerramento de 2024, os esforços significativos da escola para promover um ambiente mais diverso, inclusivo e igualitário. Valorizamos as longas discussões realizadas, que trouxeram sinais de esperança. Contudo, ao concluirmos 2025, constatamos que os avanços em relação a uma educação antirracista foram tímidos diante de uma urgência imposta por uma história marcada por quase 400 anos de escravidão e por um legado que ainda sustenta profundas desigualdades e violências no país.

"A escola é um microcosmo que reproduz o ambiente em que vivemos na sociedade como um todo. Tudo que acontece lá [na escola], acontece cá [no resto da sociedade], de uma forma muito reprodutora das relações complexas."

— Ana Paula Brandão, gestora do Projeto SETA

"É na escola que acontecem as primeiras experiências de racismo".

— Ana Cristina Juvenal, pesquisadora 

Uma pesquisa realizada pelo Projeto SETA confirma as falas acima e demonstra que o ambiente escolar ainda figura entre os principais espaços de ocorrência de violência racial no Brasil. É por isso que nos organizamos como Comitê de Famílias Antirracista: para não permitir que essa realidade se perpetue em nossa comunidade escolar.

Consideramos que a escola tem a responsabilidade ética de ser um vetor de transformação e que juntos podemos construir um futuro pautado por uma educação verdadeiramente inclusiva e antirracista, desenvolvida de maneira colaborativa e respeitando as potencialidades individuais de todas as nossas crianças e adolescentes, através de projetos pedagógicos, posições públicas e formação de educadores e de toda a comunidade ao seu redor.

Acreditamos profundamente que o Colégio Friburgo, com sua tradição de mais de 60 anos e seu foco na formação humana integral, está preparado para dar um passo histórico e ético em sua trajetória. Por isso, o convidamos a celebrar sua história assumindo publicamente o compromisso de construir uma educação antirracista, dedicando toda sua força, criatividade e capacidade de transformação — incluindo investimentos concretos, financeiros e de recursos humanos — para que essa visão se torne uma realidade presente e sistêmica, começando agora.

Princípios do Compromisso Antirracista

Propomos que o Compromisso Antirracista da escola se materialize através dos seguintes princípios e ações imediatas:

  1. Compromisso Público e Protocolo Antirracista: Assumir publicamente o compromisso com uma educação antirracista, iniciando com a criação e implementação do Protocolo Antirracista até o 1º Trimestre de 2026.
  2. Letramento Racial: Promover, de forma contínua, o letramento racial entre educadores, estudantes, famílias e colaboradores, garantindo a compreensão crítica e histórica das questões raciais e suas implicações no cotidiano.
  3. Constituição do Comitê Antirracista (Escola & Famílias): Instituir formalmente um Comitê Antirracista com participação de representantes das famílias e da escola (gestão, docentes e funcionários), responsável por acompanhar, propor, monitorar e garantir que a transformação ocorra em todas as frentes da comunidade escolar.
  4. Pedagogia crítica e Valorização Afrodescendente: Ensinar alunos a analisar criticamente as estruturas de poder, privilégio e opressão na sociedade, integrando ao currículo o estudo profundo e contínuo das histórias, culturas, produções intelectuais, artísticas e científicas afrodescendentes. Promover o reconhecimento e o enaltecimento da contribuição negra na formação do Brasil e do mundo, valorizando narrativas, saberes e protagonismos que historicamente foram apagados, para formação ainda mais consciente e com orgulho de sua ancestralidade.
  5. Promoção da Equidade: Implementar políticas e práticas que visam a resultados educacionais justos para todos os alunos, identificando e removendo barreiras sistêmicas.
  6. Ações Críticas e Consistentes: Basear esse compromisso em um imperativo ético com ações críticas, consistentes e sustentáveis em todas as esferas da escola (pedagógica, administrativa e de convivência).
  7. Formação e Parcerias Estratégicas: Estabelecer vínculos permanentes com referências da luta antirracista, por meio de parcerias com organizações e especialistas para garantir a formação continuada e a eficácia das ações.
  8. Protagonismo Negro e Indígena: Abrir espaços de fala para pessoas negras e indígenas dentro da comunidade escolar, valorizando saberes e protagonismos negros e indígenas para romper lógicas de subalternização e promover a diversidade real.
  9. Revisão Curricular Institucional: Revisar o currículo e projeto pedagógico em profundidade para incorporar uma agenda institucional antirracista, indo além de ações pontuais requeridas por Leis. 

A educação antirracista é vista por muitos educadores e ativistas como a única forma de educação que pode levar a uma sociedade verdadeiramente democrática e justa.

Assumimos também, como famílias de crianças e adolescentes do Colégio Friburgo e da Casinha Pequenina, nosso compromisso em dialogar, colaborar e apoiar a escola nesta construção conjunta de uma educação verdadeiramente antirracista. 

São Paulo, 04 de dezembro de 2025. 

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Abaixo-assinado criado em 4 de dezembro de 2025