CARTA ABERTA – POR UMA SERRA TALHADA MAIS HUMANA!

CARTA ABERTA – POR UMA SERRA TALHADA MAIS HUMANA!

Assinantes recentes:
WILSON SOUSA e outras 19 pessoas assinaram recentemente.

O problema

Nós, estudantes, docentes e cidadãos participantes do projeto Caminhadas Urbanas UAST-UFRPE (um projeto de extensão elaborado e realizado no âmbito do curso de Administração da UFRPE-UAST), nos dias 4 e 5 de maio de 2026 às 19h, atividade que compõe a Jornada da Terra 2026, vimos por meio desta carta compartilhar o que vimos e sentimos ao andar pelos bairros São Cristóvão, Nossa Srª da Penha, Nossa Srª da Conceição, Várzea e AABB. Os mapas dos percursos caminhados estão no Apêndice. Foi uma experiência que abriu nossos olhos para problemas que muitas vezes passam despercebidos no dia a dia. Para quem são feitas as ruas de Serra Talhada? O cansaço do cotidiano muitas vezes nos faz caminhar no automático. Foi preciso que o projeto nos fizesse parar, olhar e sentir, com os olhos bem abertos, as feridas profundas da nossa cidade. 

As caminhadas urbanas promovem a conscientização cidadã e debates sobre a desigualdade socioeconômica na cidade, além de estimular iniciativas para revitalização urbana. Uma participante relatou: “A caminhada me fez ver Serra Talhada de um jeito diferente. Às vezes, no dia a dia, a gente passa com tanta pressa e acaba nem prestando atenção, mas durante a caminhada isso despertou em mim um olhar mais crítico”. Durante o percurso, vimos praças movimentadas e comércio ativo, mas também nos deparamos graves problemas estruturais que afetam diretamente a qualidade de vida da população, como ruas escuras, calçadas desfuncionais e esgoto ao céu aberto. Outro participante destacou: “Boa parte do trajeto precisamos caminhar na rua, porque as calçadas eram repletas de altos e baixos”. Um ponto crítico que diz respeito ao direito elementar de ir e vir. 

A nossa cidade foi projetada majoritariamente para veículos, negligenciando completamente o pedestre. Caminhar pelas calçadas de Serra Talhada tornou-se um exercício perigoso de superação de obstáculos físicos. As calçadas são frequentemente obstruídas. Essa exclusão física atinge de forma cruel os indivíduos com mobilidade reduzida. Outro relato reforça o absurdo desse cenário: "um espaço que pessoas com deficiência, gestantes ou com carrinho de bebê simplesmente não conseguem usar, porque não foi pensado pra isso". Enfrentamos a humilhação diária de uma cidade que expulsa e machuca quem tenta caminhar por ela. Nossas calçadas são verdadeiras armadilhas, feitas sem nenhum respeito ao próximo. Elas excluem as pessoas idosas e ferem o direito de locomoção de quem tem deficiência. É doloroso ver que um cadeirante ou uma mãe empurrando um carrinho de bebê precisam arriscar a vida dividindo o asfalto com carros e motos porque as calçadas foram esquecidas pelo poder público. Queremos uma cidade acolhedora, com calçadas planas, limpas e acessíveis!

Outro fator alarmante é a precariedade da iluminação pública. É inaceitável que o entorno seja marcado pela escuridão. Caminhar à noite por Serra Talhada tornou-se um ato de coragem, quando deveria ser um direito básico de lazer ou trâmite cotidiano. A ausência de luz não é um mero detalhe técnico, pois restringe a liberdade urbana e gera um forte sentimento de vulnerabilidade. Um dos relatos sintetiza esse medo coletivo: "a iluminação é pouca ou quase nula, o que gera uma sensação de insegurança". A escuridão afasta as pessoas dos espaços públicos e facilita a criminalidade. A escuridão que engole nossas ruas destrói o sentimento de comunidade. Essa sombra urbana gera medo constante e aprisiona as pessoas dentro de suas casas. Não aceitamos mais que mães, estudantes do turno da noite e trabalhadores caminhem no escuro total com o coração apertado pela insegurança. Demandamos a expansão da rede de iluminação pública em todas as vias.

Somado a isso, o descaso com a saúde coletiva manifesta-se na ausência de saneamento básico. A falta de dignidade salta aos olhos e ao olfato através do esgoto que escorre livremente onde as pessoas compram alimentos e circulam. Presenciar o esgoto correndo pelas sarjetas tornou-se uma rotina banalizada pelo poder público, mas intolerável. Esse descaso agride a nossa saúde e nos envergonha. As pessoas são obrigadas a conviver com o mau cheiro e com os vetores de doenças. Um dos depoimentos expressa essa indignação: "exatamente em frente a um mercado, o esgoto corre a céu aberto, exalando um cheiro insuportável e prejudicial à saúde". Não queremos mais uma maquiagem urbana que embeleza apenas alguns pontos e esconde a miséria da falta de saneamento básico e o lixo acumulado nas esquinas. 

Por fim, as caminhadas evidenciaram uma disparidade nos investimentos. Existem polos valorizados, enquanto as ruas adjacentes acumulam mazelas, lixo e escuridão. Como disse outro participante: “Algumas partes recebem mais investimento do que outras, e isso fica muito claro quando caminhamos”. Essas situações não podem ser vistas como normais. Queremos uma cidade onde possamos caminhar com dignidade. A população deseja uma cidade mais justa e acessível. Mostramos que a população está atenta e deseja mudanças reais. Serra Talhada merece ser uma cidade acolhedora, onde cada pessoa possa viver com segurança, saúde e dignidade. Não aceitaremos que o descaso continue sendo tratado como fato normal do nosso dia a dia. 

Os legados de Milton Santos e de Jane Jacobs ressaltam que a nossa cultura pública continuará revelando uma cidadania que ainda precisa de muitos ajustes para ser plena enquanto a infraestrutura urbana não permitir que qualquer pessoa caminhe com dignidade. A cidade e seus espaços carregam significados culturais e sociais. Unimos nossas vozes para exigir das autoridades locais um olhar humano e urgente para Serra Talhada. Reivindicamos por iluminação nas ruas escuras, conserto e padronização das calçadas e o fim dos esgotos a céu aberto. A cidade pertence ao povo, e exigimos dignidade para nela viver.

 

Atenciosamente, 

Participantes das Caminhadas Urbanas UAST-UFRPE

Serra Talhada – PE, maio de 2026.

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O problema

Nós, estudantes, docentes e cidadãos participantes do projeto Caminhadas Urbanas UAST-UFRPE (um projeto de extensão elaborado e realizado no âmbito do curso de Administração da UFRPE-UAST), nos dias 4 e 5 de maio de 2026 às 19h, atividade que compõe a Jornada da Terra 2026, vimos por meio desta carta compartilhar o que vimos e sentimos ao andar pelos bairros São Cristóvão, Nossa Srª da Penha, Nossa Srª da Conceição, Várzea e AABB. Os mapas dos percursos caminhados estão no Apêndice. Foi uma experiência que abriu nossos olhos para problemas que muitas vezes passam despercebidos no dia a dia. Para quem são feitas as ruas de Serra Talhada? O cansaço do cotidiano muitas vezes nos faz caminhar no automático. Foi preciso que o projeto nos fizesse parar, olhar e sentir, com os olhos bem abertos, as feridas profundas da nossa cidade. 

As caminhadas urbanas promovem a conscientização cidadã e debates sobre a desigualdade socioeconômica na cidade, além de estimular iniciativas para revitalização urbana. Uma participante relatou: “A caminhada me fez ver Serra Talhada de um jeito diferente. Às vezes, no dia a dia, a gente passa com tanta pressa e acaba nem prestando atenção, mas durante a caminhada isso despertou em mim um olhar mais crítico”. Durante o percurso, vimos praças movimentadas e comércio ativo, mas também nos deparamos graves problemas estruturais que afetam diretamente a qualidade de vida da população, como ruas escuras, calçadas desfuncionais e esgoto ao céu aberto. Outro participante destacou: “Boa parte do trajeto precisamos caminhar na rua, porque as calçadas eram repletas de altos e baixos”. Um ponto crítico que diz respeito ao direito elementar de ir e vir. 

A nossa cidade foi projetada majoritariamente para veículos, negligenciando completamente o pedestre. Caminhar pelas calçadas de Serra Talhada tornou-se um exercício perigoso de superação de obstáculos físicos. As calçadas são frequentemente obstruídas. Essa exclusão física atinge de forma cruel os indivíduos com mobilidade reduzida. Outro relato reforça o absurdo desse cenário: "um espaço que pessoas com deficiência, gestantes ou com carrinho de bebê simplesmente não conseguem usar, porque não foi pensado pra isso". Enfrentamos a humilhação diária de uma cidade que expulsa e machuca quem tenta caminhar por ela. Nossas calçadas são verdadeiras armadilhas, feitas sem nenhum respeito ao próximo. Elas excluem as pessoas idosas e ferem o direito de locomoção de quem tem deficiência. É doloroso ver que um cadeirante ou uma mãe empurrando um carrinho de bebê precisam arriscar a vida dividindo o asfalto com carros e motos porque as calçadas foram esquecidas pelo poder público. Queremos uma cidade acolhedora, com calçadas planas, limpas e acessíveis!

Outro fator alarmante é a precariedade da iluminação pública. É inaceitável que o entorno seja marcado pela escuridão. Caminhar à noite por Serra Talhada tornou-se um ato de coragem, quando deveria ser um direito básico de lazer ou trâmite cotidiano. A ausência de luz não é um mero detalhe técnico, pois restringe a liberdade urbana e gera um forte sentimento de vulnerabilidade. Um dos relatos sintetiza esse medo coletivo: "a iluminação é pouca ou quase nula, o que gera uma sensação de insegurança". A escuridão afasta as pessoas dos espaços públicos e facilita a criminalidade. A escuridão que engole nossas ruas destrói o sentimento de comunidade. Essa sombra urbana gera medo constante e aprisiona as pessoas dentro de suas casas. Não aceitamos mais que mães, estudantes do turno da noite e trabalhadores caminhem no escuro total com o coração apertado pela insegurança. Demandamos a expansão da rede de iluminação pública em todas as vias.

Somado a isso, o descaso com a saúde coletiva manifesta-se na ausência de saneamento básico. A falta de dignidade salta aos olhos e ao olfato através do esgoto que escorre livremente onde as pessoas compram alimentos e circulam. Presenciar o esgoto correndo pelas sarjetas tornou-se uma rotina banalizada pelo poder público, mas intolerável. Esse descaso agride a nossa saúde e nos envergonha. As pessoas são obrigadas a conviver com o mau cheiro e com os vetores de doenças. Um dos depoimentos expressa essa indignação: "exatamente em frente a um mercado, o esgoto corre a céu aberto, exalando um cheiro insuportável e prejudicial à saúde". Não queremos mais uma maquiagem urbana que embeleza apenas alguns pontos e esconde a miséria da falta de saneamento básico e o lixo acumulado nas esquinas. 

Por fim, as caminhadas evidenciaram uma disparidade nos investimentos. Existem polos valorizados, enquanto as ruas adjacentes acumulam mazelas, lixo e escuridão. Como disse outro participante: “Algumas partes recebem mais investimento do que outras, e isso fica muito claro quando caminhamos”. Essas situações não podem ser vistas como normais. Queremos uma cidade onde possamos caminhar com dignidade. A população deseja uma cidade mais justa e acessível. Mostramos que a população está atenta e deseja mudanças reais. Serra Talhada merece ser uma cidade acolhedora, onde cada pessoa possa viver com segurança, saúde e dignidade. Não aceitaremos que o descaso continue sendo tratado como fato normal do nosso dia a dia. 

Os legados de Milton Santos e de Jane Jacobs ressaltam que a nossa cultura pública continuará revelando uma cidadania que ainda precisa de muitos ajustes para ser plena enquanto a infraestrutura urbana não permitir que qualquer pessoa caminhe com dignidade. A cidade e seus espaços carregam significados culturais e sociais. Unimos nossas vozes para exigir das autoridades locais um olhar humano e urgente para Serra Talhada. Reivindicamos por iluminação nas ruas escuras, conserto e padronização das calçadas e o fim dos esgotos a céu aberto. A cidade pertence ao povo, e exigimos dignidade para nela viver.

 

Atenciosamente, 

Participantes das Caminhadas Urbanas UAST-UFRPE

Serra Talhada – PE, maio de 2026.

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Abaixo-assinado criado em 16 de maio de 2026