Carta Aberta da Comunidade da EA
Carta Aberta da Comunidade da EA
O problema
À
Reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Pro-Reitoria de Planejamento
Superintendência de Infraestrutura
Direção da Escola de Administração
A comunidade da Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul vem, por meio desta carta aberta, manifestar profunda preocupação com as condições encontradas no retorno às atividades presenciais no prédio da Escola.
Foto 1 - Entrada da Escola de Administração em 11/03/2026
Reconhecemos e agradecemos o empenho das equipes que atuaram para tornar possível o retorno das atividades de ensino neste início de semestre. Sabemos que muitos profissionais têm se dedicado para que a retomada aconteça. No entanto, o esforço dessas equipes não pode substituir a necessidade de coordenação, fiscalização e gestão adequada do processo de obras e da manutenção do prédio, em um espaço (2o andar + acessos via portão principal e estacionamento, saguão e escadarias) que foi liberado para a retomada das atividades acadêmicas a partir de 02/03/2026.
Em aproximadamente dois anos de fechamento da escola para atividades letivas, a comunidade acadêmica compreendeu e apoiou as intervenções necessárias no prédio, a partir dos graves estragos decorrentes das enchentes de 2024. Mas neste momento, dois anos depois, mesmo compreendendo que se trata de um retorno parcial, ainda em condições preliminares e muito aquém dos resultados esperados, esperava-se, ainda assim, que a retomada das atividades, autorizada e garantida pelos responsáveis, ocorresse em condições adequadas de funcionamento, segurança, higiene e dignidade institucional.
Porém, ao contrário do esperado, a comunidade tem se deparado com um cenário que revela problemas na gestão do espaço físico, ausência de fiscalização efetiva das obras e falhas graves de manutenção, incompatíveis com os padrões de uma instituição pública de excelência.
Entre os problemas observados cotidianamente pela comunidade destacam-se:
- Canteiro externo e jardins em estado de abandono e sujeira, com aspecto incompatível com o espaço de uma instituição universitária (fotos 1 a 7);
- Circulação parcialmente obstruída por materiais em descarte e resíduos de obra, inclusive perto dos acessos às salas de aula (foto 8);
- Ambientes internos das salas de aula com forte odor de ambiente fechado ou mofo, indicando necessidade urgente de ventilação e limpeza profunda;
- Condições gerais inadequadas de manutenção predial, salas liberadas para uso com cortinas caindo e goteiras (fotos 9 e 10), bancos sujos e mofados nos corredores (foto 11), sistemas de ar-condicionado sem funcionamento (mesmo após a infraestrutura ter assegurado condições adequadas dos espaços de aula) (foto 12);
- Banheiros sem pia e sem a devida estrutura adequada para uso (foto 13);
- Escadarias e espaços de circulação com lixo e material acumulado (fotos 14, 15 e 16) ;
- Acúmulo de entulho, caliça e lixo em áreas externas (fotos 18 e 19), incluindo o estacionamento frontal da Escola (fotos 20 e 21), hoje inutilizado e transformado em canteiro de obras e espaço de descarte, facilitando certamente atividades dos poucos obreiros ativos que o utilizam, mas impactando todo um coletivo de servidores;
- Escadas e áreas de circulação com poeira de obra, com espaços onde há evidente acúmulo de sujeira, incluindo vidros das janelas de todos os andares e o teto das escadas, espaços esses que não tem recebido limpeza adequada.
- Goteiras nas salas de aula, via fiação de luz, em situação de chuvas fortes.
- Barulho de obra durante as aulas, impactando as atividades e, em especial, alunos com sensibilidade (incluindo casos de alunos diagnosticados com autismo e TDAH).
Fotos 2 a 7 - Registros de lixo no entorno da entrada da Escola
Foto 8 - Corredor de acesso às salas de aula do segundo andar
Fotos 9 e 10 - Salas de aula do segundo andar, com goteira no teto e cortinas com problemas
Foto 11 - Cadeiras próximas à sala de reuniões do segundo andar
Foto 12 - Ar condicionado em sala de aula
Foto 13 - Banheiro feminino sem pia na área dos gabinetes (3o andar)
Fotos 14, 15 e 16 - Materiais impróprios em áreas de circulação
Adicionalmente, cabe também sinalizar que, mesmo após reuniões e solicitações de transparência e celeridade, o cronograma de obras exposto no térreo segue desatualizado (foto 17), sem comunicação clara sobre as etapas efetivamente realizadas e a realizar. Há igualmente ausência visível de fiscalização permanente das obras, o que levanta dúvidas legítimas sobre o acompanhamento técnico adequado dos trabalhos e emprego efetivo dos recursos públicos.
Foto 17 - Cronograma desatualizado da Obra
As condições precárias em que ainda se encontra o prédio, somadas à disponibilização de apenas o estacionamento lateral, geram preocupações sérias com relação à segurança da comunidade no estacionamento atualmente disponibilizado, em especial no período noturno. O acesso ao local ocorre por um trajeto escuro, afastado da portaria e sem visibilidade adequada, estando cheio de entulho e materiais de ferro e vidro, que apresentam risco na passagem.
Por exemplo, após forte chuva e vento na tarde do dia 12/03, alguns dos materiais de descarte de obras tombaram (fotos 18 e 19) sobre a passagem de pedestres (com risco real de acidente aos transeuntes), impedindo o acesso interno e forçando o trajeto pela rua, o que naturalmente aumenta significativamente a insegurança.
Fotos 18 e 19 - Área de circulação (perimetral)
Paradoxalmente, enquanto a comunidade é direcionada a utilizar o estacionamento lateral, afastado da entrada do prédio e pouco seguro, o estacionamento frontal da Escola permanece ocupado por entulho e resíduos de obra (fotos 20 e 21), podendo ser facilmente liberado com a simples colocação de uma caçamba para remoção adequada desses materiais.
Fotos 20 e 21 - Área externa - estacionamento (Washington Luís)
Diante desse quadro, ilustrado com algumas fotos apresentadas, questionamos: como é possível que, após DOIS ANOS de prédio fechado, com recursos liberados pelo Governo Federal, com tempo hábil para reconstruir o prédio (e não apenas consertar o que foi danificado nas enchentes), tenhamos que retomar atividades em um espaço de uso parcial (o 2o andar) que NÃO foi atingido pelas enchentes mas está em condições insalubres, inferiores mesmo às existentes antes da interrupção das atividades?
Por óbvio, sabemos dos desafios do contexto público, mas não é possível que essas limitações sejam ampliadas, aceitas e toleradas como sendo normais. Há evidente comodismo com a situação, justificativas terceirizadas e dificuldades de toda ordem.
A Escola de Administração da UFRGS é reconhecida por sua excelência acadêmica e pela formação de profissionais que atuam, justamente, na gestão de organizações e de recursos, públicos e privados. Portanto, não parece aceitável que a própria comunidade da Escola tenha que conviver com condições de gestão do seu espaço físico que refletem descaso, desorganização ou falta de prioridade institucional.
* * *
No dia 18/03/2026, foram observadas atividades de limpeza na entrada do prédio, nos jardins e em algumas áreas de acesso, o que sinaliza uma percepção alinhada às preocupações anteriormente apontadas. Reconhecemos essa iniciativa como um avanço. Contudo, persistem outros problemas que demandam atenção imediata e intervenções urgentes para a devida recuperação e manutenção dos espaços.
* * *
Diante disso, solicitamos condições adequadas de trabalho, ensino, saúde, com dignidade e segurança para estudantes, servidores e docentes. Reforçamos que o pleito é por condições de ambiente mais adequadas, mesmo enquanto a obra ainda estiver em andamento.
Esperamos que esta manifestação seja recebida no espírito em que é apresentada: como um chamado responsável da comunidade acadêmica para que o prédio da Escola de Administração volte a oferecer condições compatíveis com a missão institucional da Universidade.
Assinam esta carta: docentes, técnicos, discentes e comunidade da EA.
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O problema
À
Reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Pro-Reitoria de Planejamento
Superintendência de Infraestrutura
Direção da Escola de Administração
A comunidade da Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul vem, por meio desta carta aberta, manifestar profunda preocupação com as condições encontradas no retorno às atividades presenciais no prédio da Escola.
Foto 1 - Entrada da Escola de Administração em 11/03/2026
Reconhecemos e agradecemos o empenho das equipes que atuaram para tornar possível o retorno das atividades de ensino neste início de semestre. Sabemos que muitos profissionais têm se dedicado para que a retomada aconteça. No entanto, o esforço dessas equipes não pode substituir a necessidade de coordenação, fiscalização e gestão adequada do processo de obras e da manutenção do prédio, em um espaço (2o andar + acessos via portão principal e estacionamento, saguão e escadarias) que foi liberado para a retomada das atividades acadêmicas a partir de 02/03/2026.
Em aproximadamente dois anos de fechamento da escola para atividades letivas, a comunidade acadêmica compreendeu e apoiou as intervenções necessárias no prédio, a partir dos graves estragos decorrentes das enchentes de 2024. Mas neste momento, dois anos depois, mesmo compreendendo que se trata de um retorno parcial, ainda em condições preliminares e muito aquém dos resultados esperados, esperava-se, ainda assim, que a retomada das atividades, autorizada e garantida pelos responsáveis, ocorresse em condições adequadas de funcionamento, segurança, higiene e dignidade institucional.
Porém, ao contrário do esperado, a comunidade tem se deparado com um cenário que revela problemas na gestão do espaço físico, ausência de fiscalização efetiva das obras e falhas graves de manutenção, incompatíveis com os padrões de uma instituição pública de excelência.
Entre os problemas observados cotidianamente pela comunidade destacam-se:
- Canteiro externo e jardins em estado de abandono e sujeira, com aspecto incompatível com o espaço de uma instituição universitária (fotos 1 a 7);
- Circulação parcialmente obstruída por materiais em descarte e resíduos de obra, inclusive perto dos acessos às salas de aula (foto 8);
- Ambientes internos das salas de aula com forte odor de ambiente fechado ou mofo, indicando necessidade urgente de ventilação e limpeza profunda;
- Condições gerais inadequadas de manutenção predial, salas liberadas para uso com cortinas caindo e goteiras (fotos 9 e 10), bancos sujos e mofados nos corredores (foto 11), sistemas de ar-condicionado sem funcionamento (mesmo após a infraestrutura ter assegurado condições adequadas dos espaços de aula) (foto 12);
- Banheiros sem pia e sem a devida estrutura adequada para uso (foto 13);
- Escadarias e espaços de circulação com lixo e material acumulado (fotos 14, 15 e 16) ;
- Acúmulo de entulho, caliça e lixo em áreas externas (fotos 18 e 19), incluindo o estacionamento frontal da Escola (fotos 20 e 21), hoje inutilizado e transformado em canteiro de obras e espaço de descarte, facilitando certamente atividades dos poucos obreiros ativos que o utilizam, mas impactando todo um coletivo de servidores;
- Escadas e áreas de circulação com poeira de obra, com espaços onde há evidente acúmulo de sujeira, incluindo vidros das janelas de todos os andares e o teto das escadas, espaços esses que não tem recebido limpeza adequada.
- Goteiras nas salas de aula, via fiação de luz, em situação de chuvas fortes.
- Barulho de obra durante as aulas, impactando as atividades e, em especial, alunos com sensibilidade (incluindo casos de alunos diagnosticados com autismo e TDAH).
Fotos 2 a 7 - Registros de lixo no entorno da entrada da Escola
Foto 8 - Corredor de acesso às salas de aula do segundo andar
Fotos 9 e 10 - Salas de aula do segundo andar, com goteira no teto e cortinas com problemas
Foto 11 - Cadeiras próximas à sala de reuniões do segundo andar
Foto 12 - Ar condicionado em sala de aula
Foto 13 - Banheiro feminino sem pia na área dos gabinetes (3o andar)
Fotos 14, 15 e 16 - Materiais impróprios em áreas de circulação
Adicionalmente, cabe também sinalizar que, mesmo após reuniões e solicitações de transparência e celeridade, o cronograma de obras exposto no térreo segue desatualizado (foto 17), sem comunicação clara sobre as etapas efetivamente realizadas e a realizar. Há igualmente ausência visível de fiscalização permanente das obras, o que levanta dúvidas legítimas sobre o acompanhamento técnico adequado dos trabalhos e emprego efetivo dos recursos públicos.
Foto 17 - Cronograma desatualizado da Obra
As condições precárias em que ainda se encontra o prédio, somadas à disponibilização de apenas o estacionamento lateral, geram preocupações sérias com relação à segurança da comunidade no estacionamento atualmente disponibilizado, em especial no período noturno. O acesso ao local ocorre por um trajeto escuro, afastado da portaria e sem visibilidade adequada, estando cheio de entulho e materiais de ferro e vidro, que apresentam risco na passagem.
Por exemplo, após forte chuva e vento na tarde do dia 12/03, alguns dos materiais de descarte de obras tombaram (fotos 18 e 19) sobre a passagem de pedestres (com risco real de acidente aos transeuntes), impedindo o acesso interno e forçando o trajeto pela rua, o que naturalmente aumenta significativamente a insegurança.
Fotos 18 e 19 - Área de circulação (perimetral)
Paradoxalmente, enquanto a comunidade é direcionada a utilizar o estacionamento lateral, afastado da entrada do prédio e pouco seguro, o estacionamento frontal da Escola permanece ocupado por entulho e resíduos de obra (fotos 20 e 21), podendo ser facilmente liberado com a simples colocação de uma caçamba para remoção adequada desses materiais.
Fotos 20 e 21 - Área externa - estacionamento (Washington Luís)
Diante desse quadro, ilustrado com algumas fotos apresentadas, questionamos: como é possível que, após DOIS ANOS de prédio fechado, com recursos liberados pelo Governo Federal, com tempo hábil para reconstruir o prédio (e não apenas consertar o que foi danificado nas enchentes), tenhamos que retomar atividades em um espaço de uso parcial (o 2o andar) que NÃO foi atingido pelas enchentes mas está em condições insalubres, inferiores mesmo às existentes antes da interrupção das atividades?
Por óbvio, sabemos dos desafios do contexto público, mas não é possível que essas limitações sejam ampliadas, aceitas e toleradas como sendo normais. Há evidente comodismo com a situação, justificativas terceirizadas e dificuldades de toda ordem.
A Escola de Administração da UFRGS é reconhecida por sua excelência acadêmica e pela formação de profissionais que atuam, justamente, na gestão de organizações e de recursos, públicos e privados. Portanto, não parece aceitável que a própria comunidade da Escola tenha que conviver com condições de gestão do seu espaço físico que refletem descaso, desorganização ou falta de prioridade institucional.
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No dia 18/03/2026, foram observadas atividades de limpeza na entrada do prédio, nos jardins e em algumas áreas de acesso, o que sinaliza uma percepção alinhada às preocupações anteriormente apontadas. Reconhecemos essa iniciativa como um avanço. Contudo, persistem outros problemas que demandam atenção imediata e intervenções urgentes para a devida recuperação e manutenção dos espaços.
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Diante disso, solicitamos condições adequadas de trabalho, ensino, saúde, com dignidade e segurança para estudantes, servidores e docentes. Reforçamos que o pleito é por condições de ambiente mais adequadas, mesmo enquanto a obra ainda estiver em andamento.
Esperamos que esta manifestação seja recebida no espírito em que é apresentada: como um chamado responsável da comunidade acadêmica para que o prédio da Escola de Administração volte a oferecer condições compatíveis com a missão institucional da Universidade.
Assinam esta carta: docentes, técnicos, discentes e comunidade da EA.
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Abaixo-assinado criado em 18 de março de 2026