Carta à Direção da Escola Marista João Paulo II

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O problema

Prezado Diretor,

Nós, pais e responsáveis pelos alunos do colégio Marista João Paulo II, vimos, por meio desta, manifestar nossa profunda preocupação diante do relato trazido por uma monitora da instituição, a qual teria sido vítima de ofensas de cunho racista nas dependências da escola.

Nossa preocupação se agrava pelo fato de termos tomado conhecimento da denúncia por meio da imprensa, e não pela própria instituição. Consideramos grave o fato de que o suposto episódio, ocorrido no ambiente escolar, que, se confirmado, poderá caracterizar uma grave manifestação discriminatória e cuja apuração deve observar a legislação aplicável, tenha sido comunicado à comunidade pelos jornais antes de qualquer posicionamento transparente da escola às famílias.

Reconhecemos que situações dessa natureza são delicadas, mas exigem uma atuação firme, responsável e, sobretudo, educativa por parte da instituição de ensino. O racismo ou outras formas de discriminação constituem graves violações à dignidade da pessoa humana e não podem ser relativizados, naturalizados ou tratados como episódios isolados ou restritos ao âmbito interno da escola.

Entendemos que o enfrentamento a episódios do tipo exige transparência e compromisso institucional. Tratar fatos dessa natureza apenas na “intimidade” da escola contribui para o silêncio e para a normalização de práticas racistas ou discriminatórias em geral, impedindo que toda a comunidade escolar reflita sobre sua gravidade e sobre a responsabilidade coletiva de combatê-las.

Entendemos que a escola exerce papel fundamental na formação ética e cidadã de seus alunos e, por isso, esperamos que este episódio seja tratado como uma oportunidade concreta de educação, conscientização e transformação institucional, por meio de ações transparentes e públicas voltadas a toda a comunidade escolar.

Dessa forma, solicitamos que a escola informe, de maneira clara e objetiva:

●       Qual o status da apuração dos fatos e quais providências foram adotadas desde o momento em que a instituição tomou conhecimento dos fatos;

●       Caso as ofensas sejam confirmadas, quais medidas disciplinares, pedagógicas e administrativas serão ou foram implementadas;

●       Quais protocolos foram acionados para acolhimento da profissional envolvida no episódio;

●       Quais ações educativas permanentes e públicas serão implementadas para prevenir novas ocorrências e fortalecer uma cultura antirracista e antidiscriminatória no ambiente escolar.


Solicitamos, ainda, que a escola:

1.    Apure os fatos de forma criteriosa, observando os regimentos internos e a legislação aplicável e garantindo o devido processo e a preservação dos direitos de todos os envolvidos;

2.    Ofereça todo o suporte e acolhimento à profissional envolvida durante o processo de verificação;

3.    Desenvolva uma campanha e uma agenda de ações educativas permanentes voltadas ao combate ao racismo e outras formas de discriminação, à promoção da igualdade, do respeito às diferenças e da convivência saudável; e 

4.    Reforce, junto aos alunos e às famílias, os valores de respeito, empatia, responsabilidade e não discriminação que norteiam a comunidade escolar.

Reforçamos, de forma inequívoca, que fatos com este potencial comunitário devem ser tratados com responsabilidade institucional e transparência, com a devida preservação da identidade e imagem dos envolvidos, mas sem o silenciamento do problema ou invisibilização do debate.

O enfrentamento ao racismo e outras formas de discriminação exige posicionamentos públicos, coerentes e educativos. O silêncio institucional ou a restrição dessas informações aos espaços internos transmite uma mensagem incompatível com os valores de justiça, igualdade e respeito que a escola se propõe a formar.

Esperamos que este episódio marque um compromisso efetivo da instituição com uma política permanente de educação antirracista, ética e respeitosa, baseada na transparência, na responsabilização e na prevenção.

Diante da gravidade dos fatos, aguardamos um posicionamento formal da Direção, com os esclarecimentos cabíveis e a apresentação das diretrizes e ações futuras que assegurem um ambiente escolar seguro, inclusivo e comprometido com a educação antirracista.

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