Carta de resposta do Colégio Marista João Paulo II

Carta de Resposta ao Abaixo-Assinado Direcionado ao Colégio Marista João Paulo II
Prezadas famílias e responsáveis signatários,
Agradecemos o envio deste Abaixo-Assinado e acolhemos com profundo respeito e responsabilidade a manifestação da nossa comunidade escolar. Compartilhamos da premissa e dos valores fundamentais de que o racismo e qualquer forma de discriminação são inaceitáveis, ferem a dignidade humana e exigem posicionamentos transparentes, educativos e firmes por parte de uma instituição comprometida com a formação cidadã.
Compreendemos a angústia diante da repercussão do caso. Esclarecemos que o tempo de resposta institucional buscou conciliar a transparência devida à comunidade com os ritos legais e éticos que nos impõem resguardar o sigilo e a proteção de uma criança. No entanto, reconhecemos que o contexto exigiu que o processo de comunicação fosse ainda mais tempestivo. Assim, consideramos que este é um aspecto de aprimoramento que nossa escola se compromete a rever.
Em atenção direta aos pontos solicitados na manifestação deste Abaixo-Assinado, apresentamos a seguir os esclarecimentos formais da Direção:
1. Apuração dos fatos e providências adotadas
Desde que tomamos conhecimento da ocorrência, na última sexta-feira (24/07), a Direção ativou prontamente o Regimento Escolar e a Política de Proteção Integral à Criança e ao Adolescente do Marista Brasil. O caso foi registrado nos canais oficiais de governança da instituição e a apuração criteriosa dos fatos foi iniciada de imediato. Além dos fluxos internos, o Colégio atuou proativamente junto aos órgãos da rede de proteção, notificando o Conselho Tutelar.
2. Medidas disciplinares, pedagógicas e administrativas
Diante da gravidade da situação e dos sinais de disrupção apresentados pela criança, foram adotadas intervenções pedagógicas imediatas, incluindo a alteração de turma e orientações estritas à família, visando à preservação da integridade de todos.
Em função do novo contexto desdobrado nos últimos dias, das diretrizes institucionais adotadas e do diálogo com a família, houve a decisão da não permanência da criança na unidade. Cabe destacar que o Colégio se pauta pelo princípio de uma escola formadora e humana, e não punitivista, buscando equilibrar a responsabilização pedagógica com o devido suporte às necessidades educacionais.
3. Protocolos de acolhimento à colaboradora
A proteção e o cuidado com a nossa profissional foram a prioridade absoluta desde o primeiro instante. No dia do ocorrido, 24 de julho, a colaboradora recebeu amparo emocional e físico imediato da equipe pedagógica e foi acompanhada em segurança até a sua residência por um funcionário da instituição. No dia seguinte (sábado), houve a continuidade do acompanhamento da monitora por parte da orientadora educacional, oportunidade em que ela também foi informada sobre a mudança de turma da criança. No primeiro dia de retorno ao colégio, a monitora foi novamente acolhida de forma carinhosa.
Adicionalmente, na última semana, o Colégio ofertou acompanhamento psicológico profissional, além de prestar o apoio institucional para que ela prosseguisse com as medidas legais que julgasse necessárias.
4. Ações educativas permanentes e fortalecimento da cultura antirracista
O combate ao racismo e à discriminação faz parte do nosso projeto pedagógico contínuo e estruturado. Não tratamos a pauta como uma reação pontual, mas como um compromisso permanente. Para fortalecer essa caminhada coletiva, reafirmamos as seguintes diretrizes e ações:
• Realização de momentos de oração, reflexão e rodas de conversa com os estudantes da Educação Infantil ao Ensino Médio, utilizando materiais e dinâmicas preparadas pela Pastoral e pela Equipe Pedagógica sobre diversidade, respeito e combate ao preconceito.
• Implementação de campanhas visuais no ambiente escolar, reforçando posturas antirracistas e os canais de ética e escuta da instituição.
• Realização de encontros de escuta, acolhimento e alinhamento com professores, equipe administrativa, estagiários e equipe de monitores.
• Realização de momentos formativos com as famílias, com ações pedagógicas voltadas ao fortalecimento da cultura antirracista.
Nosso compromisso coletivo para uma sociedade melhor
Reconhecemos que o combate ao racismo é um desafio complexo que ultrapassa os muros escolares e convoca toda a sociedade, as famílias, o poder público e as instituições de ensino. Reafirmamos que o Colégio Marista se orienta pelo princípio de ser uma escola formadora, inclusiva e humana.
A manifestação de vocês reforça que estamos unidos pelo mesmo objetivo: garantir que o Marista João Paulo II seja um espaço cada vez mais seguro, ético e acolhedor para todos.
Para além desta nota, permanecemos de portas abertas para o diálogo sincero e transparente.
Seguimos firmes na missão de educar com presença, afeto e responsabilidade.
Atenciosamente,
A Direção e Equipe Diretiva
Colégio Marista João Paulo II