

Abra as Portas do Brasil aos Palestinos: Carta ao Presidente Lula
O problema
Um apelo ao presidente Lula: abra o coração do nosso país aos palestinos e construa-lhes um lar
Excelentíssimo Senhor Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva,
Pedimos-lhe respeitosamente que abra as portas do nosso país aos palestinos e lhes dê uma alternativa pacífica de vida. A nossa ousada proposta, como o senhor verá, centra-se na unidade ao invés da separação, no conforto ao invés da guerra e no amor ao invés da intolerância. Com o apoio do governo e do povo brasileiro—e o envolvimento de todos e quaisquer palestinos que decidirem tomar essa decisão—, poderemos construir um futuro melhor para eles e para nós mesmos.
O conflito que culminou hoje em uma guerra aberta não começou ontem e provavelmente não terminará amanhã. Em vez de alimentar o fogo, propomos apagá-lo com solidariedade, sabedoria e amor.
Em todo o mundo, as empresas de construção civil erguem continuamente casas, subúrbios e até novas cidades. Como é amplamente sabido, os projetos de desenvolvimento criam oportunidades de emprego e atraem a iniciativa privada, incluindo cadeias de supermercados, escolas e serviços de saúde.
A história nos mostra que o Brasil está disposto a abrir seu coração aos imigrantes necessitados. Além disso, queremos expandir a economia. Então, por que não construímos uma cidade para os palestinos e com os palestinos? Os trabalhadores brasileiros—tanto os de colarinho branco como os de colarinho azul—também se beneficiariam enormemente com esta oportunidade. A proposta é audaciosa. Mas algo semelhante já foi feito antes e pode ser feito novamente. Basta apontar para Brasília, a capital do Brasil, para responder a quaisquer críticas.
O Brasil é perfeitamente capaz de tal empreendimento. Enfrentaremos desafios e eles não serão superados rapidamente. No entanto, com a injeção de uma força de trabalho vasta, qualificada e entusiasmada, eles serão superados e superados a passos largos. Como o senhor demonstrou ao longo dos anos, quando as pessoas verdadeiramente necessitadas recebem uma oportunidade de mudança de vida, as recompensas são sentidas por toda a parte. Os benefícios deste gesto aparentemente menor serão sentidos não apenas local e regionalmente, mas também continental e globalmente. Podemos esperar que o retorno dos investimentos seja não apenas duplicado, mas quadruplicado.
Além disso, é possível que esta ideia unifique e ganhe o apoio de todos os líderes mundiais. Todos os países têm interesse em resolver a crise atual de forma a evitar que ela volte a acontecer. Quanto mais cedo nos juntarmos para resolver o problema, menos danos irreparáveis serão causados. No entanto, se os líderes mundiais não agirem agora, repetiremos alguns dos momentos mais horríveis do século XX. Palavras como “genocídio” e “extermínio” farão parte das aulas de história frequentadas pelos nossos filhos.
Será que não aprendemos nada? Vamos correr o risco de repetir a história?
Colhemos aquilo que semeamos. O futuro é inevitavelmente moldado pelas nossas ações presentes. Neste momento, temos a oportunidade de mudar a história; temos a oportunidade de semear uma semente de natureza nobre e boa. Contudo, para o projeto funcionar, é imperativo colocar fim à atual campanha de difamação e desumanização dos palestinos. Eles são pessoas como todo mundo. Eles têm famílias. Eles têm filhos. Eles têm amigos.
Eu, Anna, signatária e conselheira palestina desta carta, perdi recentemente contato com a minha família. As últimas palavras que recebi da minha irmã mais nova foram: “Por favor, tire-me daqui. As bombas [estão] me assustando (…). A prima Lina morreu. A mamãe está com o coração partido (…). Eu vou morrer também?”
Não estamos simplesmente pedindo para o Brasil abrir as portas aos palestinos. Estamos implorando. Isto é uma emergência. É preciso acolhê-los e hospedá-los agora. Precisamos fazer a nossa parte agora. Essa loucura precisa terminar agora.
Este não é um apelo contra os direitos dos palestinos expressos na Resolução 1514 (XV), de 14 de Dezembro de 1960, da Assembleia Geral das Nações Unidas. No entanto, eles precisam ter a opção—não a obrigação, mas a opção—de continuar a lutar legalmente pela justiça a partir de um local seguro, sem irem para a cama com medo de todos os seus familiares estarem mortos na manhã seguinte.
A justiça já foi enterrada. Mas ainda há tempo de salvar vidas. O sobrevivente do Holocausto e sociólogo Baruch Kimmerling chamou a Faixa de Gaza de “o maior campo de concentração que já existiu”.
É preciso reafirmar que os palestinos não devem parar de lutar por seus direitos. Atualmente, porém, eles não estão lutando apenas por seus direitos, eles estão lutando também por suas vidas. O campo de concentração virou um abatedouro.
O Brasil possui muito espaço para acomodar os palestinos. Eles precisam saber que têm um lar. Vamos abraçá-los com um coração do tamanho do Brasil.
Atenciosamente,
Murilo Rocha Seabra, brasileiro
Anna Ramli Al-Husseini, palestina
David Hart, russo-australiano

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O problema
Um apelo ao presidente Lula: abra o coração do nosso país aos palestinos e construa-lhes um lar
Excelentíssimo Senhor Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva,
Pedimos-lhe respeitosamente que abra as portas do nosso país aos palestinos e lhes dê uma alternativa pacífica de vida. A nossa ousada proposta, como o senhor verá, centra-se na unidade ao invés da separação, no conforto ao invés da guerra e no amor ao invés da intolerância. Com o apoio do governo e do povo brasileiro—e o envolvimento de todos e quaisquer palestinos que decidirem tomar essa decisão—, poderemos construir um futuro melhor para eles e para nós mesmos.
O conflito que culminou hoje em uma guerra aberta não começou ontem e provavelmente não terminará amanhã. Em vez de alimentar o fogo, propomos apagá-lo com solidariedade, sabedoria e amor.
Em todo o mundo, as empresas de construção civil erguem continuamente casas, subúrbios e até novas cidades. Como é amplamente sabido, os projetos de desenvolvimento criam oportunidades de emprego e atraem a iniciativa privada, incluindo cadeias de supermercados, escolas e serviços de saúde.
A história nos mostra que o Brasil está disposto a abrir seu coração aos imigrantes necessitados. Além disso, queremos expandir a economia. Então, por que não construímos uma cidade para os palestinos e com os palestinos? Os trabalhadores brasileiros—tanto os de colarinho branco como os de colarinho azul—também se beneficiariam enormemente com esta oportunidade. A proposta é audaciosa. Mas algo semelhante já foi feito antes e pode ser feito novamente. Basta apontar para Brasília, a capital do Brasil, para responder a quaisquer críticas.
O Brasil é perfeitamente capaz de tal empreendimento. Enfrentaremos desafios e eles não serão superados rapidamente. No entanto, com a injeção de uma força de trabalho vasta, qualificada e entusiasmada, eles serão superados e superados a passos largos. Como o senhor demonstrou ao longo dos anos, quando as pessoas verdadeiramente necessitadas recebem uma oportunidade de mudança de vida, as recompensas são sentidas por toda a parte. Os benefícios deste gesto aparentemente menor serão sentidos não apenas local e regionalmente, mas também continental e globalmente. Podemos esperar que o retorno dos investimentos seja não apenas duplicado, mas quadruplicado.
Além disso, é possível que esta ideia unifique e ganhe o apoio de todos os líderes mundiais. Todos os países têm interesse em resolver a crise atual de forma a evitar que ela volte a acontecer. Quanto mais cedo nos juntarmos para resolver o problema, menos danos irreparáveis serão causados. No entanto, se os líderes mundiais não agirem agora, repetiremos alguns dos momentos mais horríveis do século XX. Palavras como “genocídio” e “extermínio” farão parte das aulas de história frequentadas pelos nossos filhos.
Será que não aprendemos nada? Vamos correr o risco de repetir a história?
Colhemos aquilo que semeamos. O futuro é inevitavelmente moldado pelas nossas ações presentes. Neste momento, temos a oportunidade de mudar a história; temos a oportunidade de semear uma semente de natureza nobre e boa. Contudo, para o projeto funcionar, é imperativo colocar fim à atual campanha de difamação e desumanização dos palestinos. Eles são pessoas como todo mundo. Eles têm famílias. Eles têm filhos. Eles têm amigos.
Eu, Anna, signatária e conselheira palestina desta carta, perdi recentemente contato com a minha família. As últimas palavras que recebi da minha irmã mais nova foram: “Por favor, tire-me daqui. As bombas [estão] me assustando (…). A prima Lina morreu. A mamãe está com o coração partido (…). Eu vou morrer também?”
Não estamos simplesmente pedindo para o Brasil abrir as portas aos palestinos. Estamos implorando. Isto é uma emergência. É preciso acolhê-los e hospedá-los agora. Precisamos fazer a nossa parte agora. Essa loucura precisa terminar agora.
Este não é um apelo contra os direitos dos palestinos expressos na Resolução 1514 (XV), de 14 de Dezembro de 1960, da Assembleia Geral das Nações Unidas. No entanto, eles precisam ter a opção—não a obrigação, mas a opção—de continuar a lutar legalmente pela justiça a partir de um local seguro, sem irem para a cama com medo de todos os seus familiares estarem mortos na manhã seguinte.
A justiça já foi enterrada. Mas ainda há tempo de salvar vidas. O sobrevivente do Holocausto e sociólogo Baruch Kimmerling chamou a Faixa de Gaza de “o maior campo de concentração que já existiu”.
É preciso reafirmar que os palestinos não devem parar de lutar por seus direitos. Atualmente, porém, eles não estão lutando apenas por seus direitos, eles estão lutando também por suas vidas. O campo de concentração virou um abatedouro.
O Brasil possui muito espaço para acomodar os palestinos. Eles precisam saber que têm um lar. Vamos abraçá-los com um coração do tamanho do Brasil.
Atenciosamente,
Murilo Rocha Seabra, brasileiro
Anna Ramli Al-Husseini, palestina
David Hart, russo-australiano

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Abaixo-assinado criado em 19 de outubro de 2023