Indústrias de Laticínios: queremos embalagens retornáveis!

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Prezados senhores do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados no Estado de São Paulo:

 Somos um grupo de consumidores extremamente preocupado com o volume de lixo gerado pela produção e consumo de laticínios e derivados – e com a destinação inadequada que esses resíduos vêm tendo.

 Laticínios, pelo fato de serem produtos de consumo diário, representam o maior volume de embalagens descartadas em nossas residências. Entendemos que o enorme problema ambiental gerado por essas embalagens vem sendo negligenciado pelas empresas e pelo Sindileite. A Política Nacional de Resíduos Sólidos existe há sete anos e, mesmo pressionado pela legislação, o setor parece não ter se incomodado em pensar soluções para o problema que gera. Essa política prevê que produtores, distribuidores, poder público e consumidores sejam solidários na reciclagem.

Estamos, como consumidores, tentando fazer a nossa parte: separamos as embalagens, as encaminhamos para reciclagem e nos dispostos a pensar em soluções conjuntamente. Acontece que separar e encaminhar embalagens que são recicláveis (porque o setor também utiliza embalagens que sequer recicláveis são) para a coleta seletiva da prefeitura ou para uma cooperativa não é suficiente.

 Segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Snis), órgão ligado ao Ministério das Cidades, somente 5,7% do material reciclável é de fato reciclado no país. Em São Paulo, esse número é ainda menor, beira os 3%. Isso significa que estamos deixando toneladas de embalagens, que, ao não serem inseridas em uma cadeia de logística reversa, como deveriam, acabam em aterros, rios e mares, poluindo o meio ambiente e afetando a saúde de todos nós.

Uma pesquisa recente publicada pela Folha de S. Paulo (http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2017/09/1916146-ha-microplasticos-na-agua-da-torneira-de-todo-o-mundo-inclusive-no-brasil.shtml ) demonstrou que de 159 amostras de água colhidas em torneiras nos cinco continentes — inclusive no Brasil, cujos testes foram feitos em São Paulo — 83% continha fibras microscópicas de plásticos. Em nossa cidade, 9 entre dez amostras continham microplásticos.

O que isso significa? Que as embalagens dos produtos que o setor de laticínios comercializa têm impacto global na poluição da água que bebemos e utilizamos para cozinhar diariamente. Com consequências contaminantes ainda não totalmente estudadas pela medicina para nossa saúde.

É no sentido de encontrar uma solução inteligente, duradoura e ambientalmente correta que vimos aqui, além de nós colocar à disposição para pensar em ações conjuntas, exigir que algumas medidas sejam adotadas. São elas:

1- Que o setor deixe imediatamente de utilizar embalagens de Pet multicamadas (que embalam marcas como Shefa, Leitíssimo, Jussara Max, Natural Vita e Paulista), uma vez que esse material não é sequer reciclável.
2- Que o setor implemente programas efetivos de logística reversa e reciclagem para as embalagens de tetrapack (utilizadas por marcas como Agros, Batavo, Danone, Elegê, Jussara, Italac, Mococa, Molico e outras).

3- Que o setor implemente programas efetivos de logística reversa e reciclagem para as embalagens de plástico PEAD (utilizadas por marcas como Leite da Fazenda, Xandó, Leco e Timbaúba) e de plástico Pebd (utilizadas por marcas como Cooper, Compleite, Itambé, Itaguary, Santa Clara, Molico e Piracanjuba), uma vez que esses materiais são recicláveis mas não vêm sendo efetivamente reciclados. Queremos que o setor se responsabilize pela coleta e destinação adequada desses materiais.

4- Que o setor realize estudos de sustentabilidade dos diversos materiais, divulgando-os abertamente. E que considere seriamente a utilização de garrafas de vidro retornáveis (o vidro é um material 100% reciclável, que não provém de fontes fósseis). Já existem marcas embaladas em vidro, como a Vittalatte, empresa do Rio de Janeiro.

A produção e o descarte sistemático de embalagens nocivas ao meio ambiente para produtos de consumo diário, como os laticínios é irracional. Se outros produtos com vasta cadeia de distribuição, como cerveja e Coca Cola, conseguem utilizar embalagens de vidro retornáveis, acreditamos que isso seja possível também para o setor de laticínios.

Serão necessários investimentos e adequação de hábitos? Certamente. Para o consumidor também pesará mais uma garrafa de vidro, poderá quebrar ou eventualmente custar um pouco mais caro. Mas a irresponsabilidade do sistema atual vem sendo paga com a saúde de todos nós – e do planeta. Trata-se de valor bem mais alto.

 Nesse sentido, urge que todos nos posicionemos, dando o exemplo e implementando soluções. O que não impede, claro, que tais adequações sejam financeiramente compensadoras. Avaliem que, de setor poluidor, o setor de laticínios pode vir a ser um setor ambientalmente responsável e isso tem um grande valor na construção das marcas. Está mais do que na hora senhores!

 

 



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