NÃO ao Shopping na Estação da Lapa

NÃO ao Shopping na Estação da Lapa

O problema

Salvador, 13 de Janeiro de 2015

Ao Prefeito de Salvador ACM Neto

Ao Secretário de Urbanismo Silvio Pinheiro

Ao Secretário de Mobilidade Fábio Mota

Escrevemos esta carta com o objetivo de questionar o novo projeto da Estação da Lapa, que em breve será de motivo de intervenções por parte do governo municipal.

A Estação da Lapa, executada em 1986 pelo arquiteto João Filgueiras Lima, Lelé, é um dos mais importantes espaços públicos de Salvador, representando um dos únicos meios de acesso de massa à região do Centro, sendo fundamental para a mobilidade de milhares de usuários por dia. A estação está inserida numa região muito particular da cidade, pertencente ao Centro Antigo e próxima ao Centro Histórico, e por sua implantação consegue conectar os Barris à Piedade.

Os projetos de Lelé são marcados por sua evidente preocupação com a cidade e pelo aproveitamento de luz e ventilação naturais, sinais de preocupação econômica e ambiental.

A necessidade de uma atualização da Estação não é questionada. Uma reforma que crie condições de trazer maior conforto e fruição para este local pode melhorar o cotidiano de milhares de soteropolitanos. Entretanto o projeto divulgado não respeita a importância da estação atual, obra relevante no movimento moderno baiano, sendo um dos primeiros terminais de transbordo do Brasil. As imagens preliminares do projeto mostram um total desacordo entre a obra de arquitetura e a cidade.

Além de as imediações da Estação da Lapa já contarem com dois Shoppings Centers, a criação do mais um Shopping na região central, levando a uma maior concentração de serviços, virá a enfraquecer ainda mais o comércio da Avenida Sete e Baixa dos Sapateiros, que sim deveria ser o alvo das atenções dos investimentos municipais. Ali, incentivos fiscais e acessibilidade para pedestres são apenas duas iniciativas básicas mais que urgentes para a região.


O volume da construção indicado nas imagens divulgadas é incompatível com a implantação no vale, levando a um incremento de densidade construtiva em um local onde a qualidade ambiental já está extremamente prejudicada por uma ocupação maciça e descontrolada. Ali se precisa de abertura, mais ventilação, áreas verdes: o contrário daquilo que está representado nas imagens divulgadas do referido projeto. Soma-se a isso a proximidade com o Convento da Lapa, edifício tombado, cuja ambiência estaria completamente descaracterizada diante da construção de tal volume que viria a funcionar como uma barreira entre o Convento e o vale.

Por isso defendemos a realização de Concurso Público de Projetos de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo para áreas estratégicas da cidade, que podem tornar sua realização mais transparente e democrática, e garantir a maior qualidade das intervenções urbanas pelos seguintes motivos:

1. Diversifica o repertório de soluções possíveis para atender a complexidade, seja do projeto arquitetônico ou do projeto urbanístico alvo de intervenção;

2. Promove a seleção de projetos qualificados, com equipes interdisciplinares, a partir de termo de referência elaborado de forma participativa e de critérios técnicos adotados por uma comissão de julgamento;

3. Define que o vencedor desenvolva e coordene todas as etapas de projeto de maneira integrada, a partir da formação de equipes multidisciplinares com perfil específico para a demanda e competência comprovada. Com isso, a etapa de planejamento torna-se mais precisa, resultando em obras mais eficientes do ponto de vista dos seus custos/ benefícios;

Deste modo, emitimos a nossa contrariedade com o projeto apresentado e reforçamos o apelo à realização projetos que contem com maior participação da sociedade, que levem em conta a importância do patrimônio histórico e arquitetônico da cidade de Salvador, projetos que dialoguem com as reais necessidades da população e entendam as suas especificidades.

Atenciosamente,

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Adrielly CarneiroCriador do abaixo-assinado
Este abaixo-assinado conseguiu 1.563 apoiadores!

O problema

Salvador, 13 de Janeiro de 2015

Ao Prefeito de Salvador ACM Neto

Ao Secretário de Urbanismo Silvio Pinheiro

Ao Secretário de Mobilidade Fábio Mota

Escrevemos esta carta com o objetivo de questionar o novo projeto da Estação da Lapa, que em breve será de motivo de intervenções por parte do governo municipal.

A Estação da Lapa, executada em 1986 pelo arquiteto João Filgueiras Lima, Lelé, é um dos mais importantes espaços públicos de Salvador, representando um dos únicos meios de acesso de massa à região do Centro, sendo fundamental para a mobilidade de milhares de usuários por dia. A estação está inserida numa região muito particular da cidade, pertencente ao Centro Antigo e próxima ao Centro Histórico, e por sua implantação consegue conectar os Barris à Piedade.

Os projetos de Lelé são marcados por sua evidente preocupação com a cidade e pelo aproveitamento de luz e ventilação naturais, sinais de preocupação econômica e ambiental.

A necessidade de uma atualização da Estação não é questionada. Uma reforma que crie condições de trazer maior conforto e fruição para este local pode melhorar o cotidiano de milhares de soteropolitanos. Entretanto o projeto divulgado não respeita a importância da estação atual, obra relevante no movimento moderno baiano, sendo um dos primeiros terminais de transbordo do Brasil. As imagens preliminares do projeto mostram um total desacordo entre a obra de arquitetura e a cidade.

Além de as imediações da Estação da Lapa já contarem com dois Shoppings Centers, a criação do mais um Shopping na região central, levando a uma maior concentração de serviços, virá a enfraquecer ainda mais o comércio da Avenida Sete e Baixa dos Sapateiros, que sim deveria ser o alvo das atenções dos investimentos municipais. Ali, incentivos fiscais e acessibilidade para pedestres são apenas duas iniciativas básicas mais que urgentes para a região.


O volume da construção indicado nas imagens divulgadas é incompatível com a implantação no vale, levando a um incremento de densidade construtiva em um local onde a qualidade ambiental já está extremamente prejudicada por uma ocupação maciça e descontrolada. Ali se precisa de abertura, mais ventilação, áreas verdes: o contrário daquilo que está representado nas imagens divulgadas do referido projeto. Soma-se a isso a proximidade com o Convento da Lapa, edifício tombado, cuja ambiência estaria completamente descaracterizada diante da construção de tal volume que viria a funcionar como uma barreira entre o Convento e o vale.

Por isso defendemos a realização de Concurso Público de Projetos de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo para áreas estratégicas da cidade, que podem tornar sua realização mais transparente e democrática, e garantir a maior qualidade das intervenções urbanas pelos seguintes motivos:

1. Diversifica o repertório de soluções possíveis para atender a complexidade, seja do projeto arquitetônico ou do projeto urbanístico alvo de intervenção;

2. Promove a seleção de projetos qualificados, com equipes interdisciplinares, a partir de termo de referência elaborado de forma participativa e de critérios técnicos adotados por uma comissão de julgamento;

3. Define que o vencedor desenvolva e coordene todas as etapas de projeto de maneira integrada, a partir da formação de equipes multidisciplinares com perfil específico para a demanda e competência comprovada. Com isso, a etapa de planejamento torna-se mais precisa, resultando em obras mais eficientes do ponto de vista dos seus custos/ benefícios;

Deste modo, emitimos a nossa contrariedade com o projeto apresentado e reforçamos o apelo à realização projetos que contem com maior participação da sociedade, que levem em conta a importância do patrimônio histórico e arquitetônico da cidade de Salvador, projetos que dialoguem com as reais necessidades da população e entendam as suas especificidades.

Atenciosamente,

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Adrielly CarneiroCriador do abaixo-assinado

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Abaixo-assinado criado em 14 de janeiro de 2015