Manifesto A Juventude Negra Alagoana quer Viver!

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O problema

Nada é mais urgente que lutar pela vida. A história do Brasil é marcada pela ausência de políticas públicas que promovam a igualdade e reparação sociorracial, marcada por mais de 500 anos de sofreguidão regida a toda comunidade negra. Há muito se fala sobre a disparidade nos dados (atlas da violência) dispostos todos os anos quanto às violências cometidas à juventude, sobretudo, a juventude negra em decorrência do racismo estrutural que incide em marcar que ser um(uma) jovem negro (a) é viver em perigo constante. Não faltam razões para o diálogo constante sobre o impacto destas mortes e hostilizações e sobre a urgência de ações interventivas, que suspendam o estado de violência que afeta a vida de jovens negros, suas mães, família e a própria comunidade.

ABAIXO A VIOLÊNCIA CONTRA A JUVENTUDE NEGRA

Somos uma grande parcela da população de nosso país. Somos milhões. Entretanto, estamos entre os que mais sofrem com a insegurança em ir e vir, com o medo de não voltar para casa, com a violência estrutural que subjuga nossos corpos, nossas liberdades e nossas vidas.

Mesmo após 133 anos da dita "abolição", colhemos o amargo fruto da condição de escravizados. Incluímos aqui a existência de jovens indígenas em contexto urbano, que – a despeito das distinções históricas e de opressão - também sofrem violência racial, ao tempo em que reclamam contra o apagamento de suas identidades étnicas.

Os estereótipos seculares da velha sociedade de dominação estão cristalizados nas estruturas da nossa nova sociedade, herdeira de um projeto racista, que continua vivo e se expressa nas instituições, a exemplo da violência policial, tão presente no cotidiano das periferias.

FAREMOS PALMARES DE NOVO!

Considerando que um jovem negro tem 42,9 vezes mais chances de serem violentados e assassinados em relação a um jovem não negro em Alagoas; Considerando que as mulheres negras foram totalidade dos casos de feminicídio no ano de 2019 em Alagoas; Considerando as lágrimas das mães que não puderam enterrar seus filhos; Considerando, ainda, os recortes de diversidade sexual, e suas respectivas especificidades, que interferem também em níveis de brutalidade de ataques Considerando os nossos medos e os nossos afetos; Considerando a polícia que nos caça, o Estado que nos mata, os direitos que nos privam; Considerando os exemplos resistentes de Aqualtune, Dandara e Zumbi dos Palmares, Declaramos: é chegada a hora da juventude negra das periferias exercer o protagonismo de suas reivindicações, de se organizar em torno de suas pautas, de ser ativo, além de resistente. Declaramos: Faremos Palmares de Novo!

"Eles combinaram de nos matar, nós combinamos de não morrer"

As exposições aqui apresentadas revelam uma dura e desafiadora realidade em curso no território alagoano. Nesse sentido, acreditamos que é extremamente urgente e necessária a adoção de medidas que impactem na redução da violência contra a juventude negra, seja colocando esse tema em pauta, de modo que possa ser tratado na sua complexidade ou através da construção de um plano de prevenção à violência, também a elaboração e efetivação de políticas públicas específicas,com garantia de orçamento que viabilize a realização de ações concretas. Estas palavras surgem como o desabafo de inconformados. Daquelas e daqueles que, como você, não mais suportam viver com o medo de ter um alvo nas costas, apenas por ser quem é. Declaramos: nossa existência é um ato de comprometimento. Firmamos o dever de contrariar as tristes estatísticas, considerando que a violência estrutural nos quer mortos. De exercer o protagonismo enquanto jovens negros e periféricos, considerando que as vozes que falam por nós não conhecem as nossas dores.

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