Defender os direitos dos promotores de vendas

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O problema

PROMOTOR DE VENDAS NÃO É FUNCIONÁRIO DA LOJA


Pelo respeito aos limites da função, à dignidade profissional e às condições de trabalho dos promotores de vendas
Nós, promotores e promotoras de vendas, profissionais de merchandising e trabalhadores que atuam diariamente dentro de supermercados, hipermercados, atacadistas, lojas de departamento e demais redes varejistas, queremos tornar pública uma realidade que há anos é vivenciada por milhares de trabalhadores.

O promotor de vendas possui um empregador, uma função e responsabilidades próprias. Entretanto, em muitas operações, existe uma diferença preocupante entre aquilo que está formalmente definido e aquilo que é exigido na rotina das lojas.

O profissional entra na loja para executar atividades relacionadas à sua marca, seus produtos, seu abastecimento, exposição e merchandising. Porém, frequentemente acaba sendo tratado como parte da equipe interna da loja, recebendo cobranças e executando tarefas que ultrapassam sua finalidade original.

É comum que o promotor seja pressionado a realizar atividades relacionadas à operação da própria loja, como reposição geral, organização de setores que não pertencem à sua marca, movimentação de mercadorias, descarga, limpeza, organização de depósitos e outras tarefas que deveriam possuir responsáveis próprios.

A pergunta que precisa ser feita é simples:

Se o promotor é contratado para representar uma marca, por que tantas vezes ele é utilizado como mão de obra complementar da própria loja?

O problema não é o trabalho.

O promotor conhece o peso da responsabilidade, trabalha em pé durante horas, movimenta produtos, organiza estoques, enfrenta calor, frio, jornadas intensas e pressão por resultados. O problema é quando esse profissional passa a ser tratado como se não tivesse uma função definida e como se sua mão de obra pudesse ser utilizada para suprir qualquer necessidade operacional da loja.

Também não estamos dizendo que todo relacionamento entre promotor e estabelecimento comercial seja irregular ou que toda solicitação de atividade adicional seja ilegal. O que defendemos é algo mais básico:

limites claros, respeito profissional, segurança e cumprimento da função para a qual o trabalhador foi contratado.

Uma loja não pode transformar automaticamente um promotor de determinada marca em funcionário disponível para todas as suas necessidades operacionais.

Promotor não é “quebra-galho”.

Promotor não é funcionário da loja.

Promotor é trabalhador e merece ser tratado como tal.

Por isso, solicitamos que as redes varejistas e atacadistas:

• Respeitem as atribuições e os limites profissionais dos promotores de vendas;

• Evitem exigir atividades que não estejam relacionadas às funções para as quais esses trabalhadores foram contratados;

• Não utilizem promotores como substitutos de funcionários próprios;

• Estabeleçam procedimentos claros para evitar cobranças indevidas;

• Garantam que qualquer atividade realizada dentro da loja seja compatível com as condições de segurança e com as responsabilidades do trabalhador;

• Promovam treinamento e orientação aos gestores e responsáveis pelas lojas sobre o papel dos promotores;

• Criem canais efetivos para que o promotor possa denunciar abusos sem medo de sofrer retaliações;

• Reconheçam que respeito ao trabalhador também significa respeitar os limites da sua função.

Esta não é uma reivindicação contra o varejo.

É uma reivindicação por relações profissionais mais claras e respeitosas.

As marcas precisam dos promotores.

As lojas precisam dos promotores.

E os consumidores também são beneficiados quando existe uma operação organizada, segura e profissional.

Mas nenhuma dessas necessidades justifica transformar um trabalhador terceirizado ou de empresa fornecedora em mão de obra disponível para qualquer atividade dentro do estabelecimento.

Chegou a hora de o promotor deixar de ser visto como “o funcionário da marca que está dentro da loja” e passar a ser reconhecido como aquilo que realmente é: um profissional com função, direitos, responsabilidades e dignidade.

Se você é promotor, já trabalhou como promotor ou conhece alguém que vive essa realidade, assine este abaixo-assinado.

Não estamos pedindo privilégio. Estamos pedindo respeito.

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