

ABAIXO-ASSINADO PELO TOMBAMENTO DO CLUBE YPIRANGA E SUA TRANSFORMAÇÃO EM MEMORIAL
O problema
ABAIXO-ASSINADO PELO TOMBAMENTO DO CLUBE YPIRANGA E SUA TRANSFORMAÇÃO EM MEMORIAL DA DITADURA EMPRESÁRIAL-MILITAR
Aos órgãos competentes: Conselho Municipal de Patrimônio / Prefeitura de Macaé / INEPAC / IPHAN
Quem é de Macaé conhece o Ypiranga. Foi no seu salão que o Ypiranga recebeu bailes, carnavais e as tardes dançantes que marcaram a juventude de gerações. No seu ginásio, subiram ao palco Cauby Peixoto, Ângela Maria, Ivan Lins, Alcione e Roberto Carlos, em 1977. O clube abrigou a Rádio Princesa do Atlântico, chegou a reunir cerca de mil associados em 1958 e foi sete vezes campeão macaense. O Ypiranga é, em muitos sentidos, a nossa memória afetiva.
Mas o Ypiranga guarda também uma memória que Macaé não pode continuar ignorando. Em 1964, logo após o golpe, o ginásio do clube foi cedido ao regime militar e transformado em prisão. Ali foram detidos ferroviários, sindicalistas, professores, advogados, jornalistas e médicos, de jovens a idosos com mais de 70 anos, em meio a mais de 160 macaenses presos naquele ano. Dormiam no cimento das arquibancadas, ouviam tiros à noite e viviam sob ameaças, sem saber se “amanheceriam”. O ginásio funcionou como espaço de triagem, e dali os presos seguiam para o Caio Martins, em Niterói, e para o DOPS, no Rio de Janeiro. No mesmo ano, a Miss Macaé era coroada nos salões do Ypiranga, enquanto seu irmão, o ferroviário Lauro Martins, estava preso no ginásio ao lado. O clube que embalou nossas festas foi também o cárcere de nossos vizinhos.
Essa história não é apenas nossa. A Comissão Estadual da Verdade do Rio (CEV-Rio) recomendou, em seu relatório, a criação de memoriais nos locais de prisão e tortura da ditadura, citando nominalmente o Ginásio do Ypiranga Futebol Clube, em Macaé-RJ, ao lado do DOI-CODI e do Ginásio Caio Martins. A Comissão Municipal da Verdade de Macaé visitou o prédio em 2014, junto com a CEV-Rio, e documentou os relatos de quem esteve preso ali. Em 2014, parecer da historiadora Maria da Conceição Vilela Franco reconheceu o valor histórico, cultural, arquitetônico e simbólico do prédio e recomendou sua preservação. Em 2019, a Câmara de Vereadores aprovou por unanimidade a proposta de transformá-lo em centro de memória das vítimas da ditadura.
Estes dados fazem parte da pesquisa acadêmica de Hugo Gaspar Rezende Emerick, macaense, historiador (bacharel e licenciado em História) pela Universidade Federal Fluminense- (UFF) e mestre em Sociologia Política pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), onde cursa o doutorado. Sua dissertação, “Clube Ypiranga, memória e esquecimento: uma análise sobre a Comissão Municipal da Verdade de Macaé-RJ e o passado ainda presente da Ditadura Empresarial-Militar (1964-1985)”, reuniu entrevistas com ex-presos políticos, ex-integrantes da Comissão da Verdade, historiadores e antigos dirigentes do clube, além de documentos oficiais e relatórios. Hugo é vice-líder do Laboratório de Estudos da Imanência e da Transcendência (LEIT/UFF), onde coordena a linha de pesquisa “Memória e Patrimônio”, pesquisador do Laboratório de Estudos das Direitas e do Autoritarismo (LEDA/UFF) e pesquisador no Grupo de Pesquisa Memória, Território e Sociedade (UFF).
Apesar de tudo isso, o prédio está abandonado desde ao menos 2013, quando a Defesa Civil interditou o ginásio por risco de desabamento. Decretado de utilidade pública em 2007, segue sem destino, e o tempo faz o que o esquecimento já vinha fazendo. Quando um prédio como este cai, perdemos junto a prova material de uma história que os últimos sobreviventes ainda estão aqui para contar.
Tombar o Ypiranga é proteger a história que embalou e a que dilacerou Macaé. Transformá-lo em memorial é fazer dele um espaço de educação, para que nossos filhos e netos saibam o que aconteceu e por que a democracia vale tanto.
Nós, abaixo-assinados, solicitamos a abertura do processo de tombamento do Clube Ypiranga e sua destinação a um memorial da memória, verdade e justiça.

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O problema
ABAIXO-ASSINADO PELO TOMBAMENTO DO CLUBE YPIRANGA E SUA TRANSFORMAÇÃO EM MEMORIAL DA DITADURA EMPRESÁRIAL-MILITAR
Aos órgãos competentes: Conselho Municipal de Patrimônio / Prefeitura de Macaé / INEPAC / IPHAN
Quem é de Macaé conhece o Ypiranga. Foi no seu salão que o Ypiranga recebeu bailes, carnavais e as tardes dançantes que marcaram a juventude de gerações. No seu ginásio, subiram ao palco Cauby Peixoto, Ângela Maria, Ivan Lins, Alcione e Roberto Carlos, em 1977. O clube abrigou a Rádio Princesa do Atlântico, chegou a reunir cerca de mil associados em 1958 e foi sete vezes campeão macaense. O Ypiranga é, em muitos sentidos, a nossa memória afetiva.
Mas o Ypiranga guarda também uma memória que Macaé não pode continuar ignorando. Em 1964, logo após o golpe, o ginásio do clube foi cedido ao regime militar e transformado em prisão. Ali foram detidos ferroviários, sindicalistas, professores, advogados, jornalistas e médicos, de jovens a idosos com mais de 70 anos, em meio a mais de 160 macaenses presos naquele ano. Dormiam no cimento das arquibancadas, ouviam tiros à noite e viviam sob ameaças, sem saber se “amanheceriam”. O ginásio funcionou como espaço de triagem, e dali os presos seguiam para o Caio Martins, em Niterói, e para o DOPS, no Rio de Janeiro. No mesmo ano, a Miss Macaé era coroada nos salões do Ypiranga, enquanto seu irmão, o ferroviário Lauro Martins, estava preso no ginásio ao lado. O clube que embalou nossas festas foi também o cárcere de nossos vizinhos.
Essa história não é apenas nossa. A Comissão Estadual da Verdade do Rio (CEV-Rio) recomendou, em seu relatório, a criação de memoriais nos locais de prisão e tortura da ditadura, citando nominalmente o Ginásio do Ypiranga Futebol Clube, em Macaé-RJ, ao lado do DOI-CODI e do Ginásio Caio Martins. A Comissão Municipal da Verdade de Macaé visitou o prédio em 2014, junto com a CEV-Rio, e documentou os relatos de quem esteve preso ali. Em 2014, parecer da historiadora Maria da Conceição Vilela Franco reconheceu o valor histórico, cultural, arquitetônico e simbólico do prédio e recomendou sua preservação. Em 2019, a Câmara de Vereadores aprovou por unanimidade a proposta de transformá-lo em centro de memória das vítimas da ditadura.
Estes dados fazem parte da pesquisa acadêmica de Hugo Gaspar Rezende Emerick, macaense, historiador (bacharel e licenciado em História) pela Universidade Federal Fluminense- (UFF) e mestre em Sociologia Política pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), onde cursa o doutorado. Sua dissertação, “Clube Ypiranga, memória e esquecimento: uma análise sobre a Comissão Municipal da Verdade de Macaé-RJ e o passado ainda presente da Ditadura Empresarial-Militar (1964-1985)”, reuniu entrevistas com ex-presos políticos, ex-integrantes da Comissão da Verdade, historiadores e antigos dirigentes do clube, além de documentos oficiais e relatórios. Hugo é vice-líder do Laboratório de Estudos da Imanência e da Transcendência (LEIT/UFF), onde coordena a linha de pesquisa “Memória e Patrimônio”, pesquisador do Laboratório de Estudos das Direitas e do Autoritarismo (LEDA/UFF) e pesquisador no Grupo de Pesquisa Memória, Território e Sociedade (UFF).
Apesar de tudo isso, o prédio está abandonado desde ao menos 2013, quando a Defesa Civil interditou o ginásio por risco de desabamento. Decretado de utilidade pública em 2007, segue sem destino, e o tempo faz o que o esquecimento já vinha fazendo. Quando um prédio como este cai, perdemos junto a prova material de uma história que os últimos sobreviventes ainda estão aqui para contar.
Tombar o Ypiranga é proteger a história que embalou e a que dilacerou Macaé. Transformá-lo em memorial é fazer dele um espaço de educação, para que nossos filhos e netos saibam o que aconteceu e por que a democracia vale tanto.
Nós, abaixo-assinados, solicitamos a abertura do processo de tombamento do Clube Ypiranga e sua destinação a um memorial da memória, verdade e justiça.

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Abaixo-assinado criado em 28 de outubro de 2026