Repudio aos ataques sofridos pela Prof. Analise da Silva no Fórum Técnico do PEE-MG
Repudio aos ataques sofridos pela Prof. Analise da Silva no Fórum Técnico do PEE-MG
O problema
Na etapa da RMBH do Fórum Técnico do Plano Estadual de Educação, a professora Analise da Silva, na discussão do grupo 2, sofreu ataques de caráter racistas e machistas que foram deferidos por um homem participante que esperava a conclusão dessa etapa do trabalho.
Segue o relato da professora:
"Estávamos nós do Grupo 2 – Inclusão educacional, diversidade e equidade; Meta 4: Educação Especial (19 propostas) / Meta 8: Educação de jovens e adultos (06 propostas) / Meta 9: Alfabetização de jovens e adultos (11 propostas), desde antes das 14 horas e já passavam das 18. Estávamos debatendo as propostas novas, além das 31 anteriores. Pessoas de outros grupos que já haviam encerrado os trabalhos já começavam a chegar no auditório, onde estávamos ainda nas últimas propostas, quando um dos participantes, em sua vez de inscrição, foi ao microfone e na sua fala disse que o que estava sendo discutindo por seu antecessor não tinha a ver com o conteúdo da proposta em debate.
Um homem que não fazia parte deste grupo começou a dizer junto com a fala do inscrito "Tem sim. Tem a ver sim. Tem sim". A mesa pediu que ele parasse e que o inscrito voltasse à fala. Mais uma vez quando o inscrito começou a falar, ele começou a dizer "Tem sim. Tem a ver sim. Tem sim".
Eu estava na terceira fileira e de lá disse ao homem: "Companheiro, nós estamos aqui a tarde toda. Por favor, deixa o companheiro terminar a fala dele. Por favor, você nem é deste grupo aqui!!". Neste momento eu e todos os demais presentes ouvimos um sonoro e retumbante "CALA ESSA BOCA". Neste momento, me levantei e disse "Como é que é? Quem é que você está mandando calar a boca?" e ouvi junto com todos os demais presentes "Você. Cala essa boca!".
Enquanto eu dizia, “Nem você e nem ninguém me manda calar a boca”, o homem retirou seus óculos e entregou para a mulher que estava sentada ao lado dele e caminhou na minha direção em uma postura machista, violência, agressiva, de homem que bate em mulher.
A partir daí, aquele homem, branco ouviu de MUITAS pessoas mulheres, homens, negros, brancos, estudantes, educadores, pais e mães, e gestores que era um gesto fascista, machista, racista e grosseiro o que ele havia feito. MUITAS pessoas se colocaram entre ele e eu.
Diante disso, comecei a gritar com outro homem que estava ao lado dele, e que por inúmeras vezes filmava o que era dito, que ele devia filmar. Eu dizia: “Filma agora ele me mandando calar a boca e vindo caminhando na minha direção em uma postura de quem vai me bater. Filma!”.
Enquanto isso, segundo estudantes e educadores, ele gritava “Senzala”. Eu não ouvi. Mas foram várias as pessoas que disseram ter ouvido essa palavra proferida por ele mais de uma vez.
Voltamos a nossos lugares e foi feita uma fala da mesa condutora dos trabalhos e outras falas evidenciaram que o que havia acontecido ali era crime e que não podíamos pactuar com crime.
Os estudantes do Grêmio chamaram a polícia!
Três outras pessoas do grupo que defendia a não inclusão de questões de gênero e de diversidade sexual (a proposta em questão era sobre esta temática), vieram em momentos alternados se sentar ao meu lado e dizer que reprovavam a postura daquele homem. Os três elogiaram minha postura respeitosa, construtiva e de escuta, durante toda a tarde de debates e se desculparam pela atitude daquele homem.
Enquanto os trabalhos transcorriam, aquele homem chegou perto de mim e pediu desculpas. Ele disse: “Estou pedindo desculpas à senhora. Eu me descontrolei. Eu errei. Estou me desculpando.” Eu sai de perto e não respondi nada. Havia quatro pessoas do grupo que defendia a não inclusão de questões de gênero e de diversidade sexual, inclusive um pai de aluno que na hora disse “Graças a Deus que você se arrependeu do que fez”.
Eu disse às pessoas que haviam me apoiado, protegido, reconhecido na hora em que ele teve uma postura amedrontadora comigo: “Gente, o cara já se desculpou. Ele é grosseiro e descontrolado mesmo. Vou fazer o B.O. para que não se repita e ele entenda que não pode agir assim novamente”.
Terminamos a avaliação das propostas e fomos para a eleição dos representantes. Somente aí eu soube que aquele homem era pai de aluno. Eleitos os representantes, chegaram os policiais.
Enquanto os policiais conversavam com aquele homem, o tempo todo era dito que NÓS os havíamos chamado de fascistas e eu dizia “Em que momento chamei qualquer um de vocês de fascistas? Estávamos fazendo um debate de ideia que é a lógica na democracia”. Os policiais me chamaram e fiz a eles o relato do que ocorreu.
De repente, quando os policiais falavam com as testemunhas dele, aquele homem chegou no local onde estávamos eu e as pessoas que me protegeram e disse: “Você não me desculpou?” Então, eu respondi a ele: “Não. Não desculpei. E quando isso acontecer com uma filha sua ou com sua mulher, você vai entender que isso não é coisa de se desculpar. Que alguém nos mandar calar a boca não se pode simplesmente desculpar.”
Os policiais chamaram novamente aquele homem e ele deveria ter feito o mesmo que eu fiz. Mas não o fez. Ele não relatou aos policiais o que ocorreu. Acontece que, mais uma vez os policiais me chamaram para entregar o número do B.O. e neste momento eu perguntei a eles se aquele homem havia dito que eu o chamara de fascista e eles responderam. “Não. Ele disse que todos fizeram isso. Ah! E ele negou que tenha mandado a senhora calar a boca”.
Neste momento, percebi que aquele homem não era um machista, grosseiro. Entendi que aquele homem é um RACISTA COVARDE. RACISTA COVARDE desses que de uns tempos para cá não conseguem ser felizes vendo a felicidade dos outros. Desses conservadores, fundamentalistas e daqueles que não se felicitam com as conquistas de negros, deficientes, jovens, mulheres, pessoas LGBT e pobres em geral. Não dos que discordam. Mas dos que não suportam ver avanços mesmo que mínimos solapando a desigualdade. Naquele momento eu decidi que o B.O. vai se transformar em um processo e que isso NÃO é uma tentativa ou uma simulação, mas uma agressão.
Se isso doeu? MUITO!! Entretanto, não foi o que mais doeu. O que mais doeu não foi ter olhado nos olhos daquele homem enquanto ele me pedia desculpas, enquanto mentia dizendo que havia se descontrolado, enquanto dissimulava dizendo que havia errado.
O que mais doeu, foi ver que uma das pessoas que lá estava apoiando aquele homem que mandou uma mulher se calar, que caminhou na direção de uma mulher para agredi-la fisicamente, que mentiu dizendo-se arrependido, que gritou ‘Senzala’ em sua fúria machista, racista, covarde, antidemocrática é uma educadora da EJA na região metropolitana de BH.
Eu sou uma mulher negra adulta que avalia que nós somos um país que se estruturou a partir de mecanismos de exclusão e que entende que reafirmar o direito à educação de excluídos é reafirmar o direito à justiça e ao direito.
E enquanto ainda dói, fico lembrando um trecho da Conceição Evaristo que diz que a nossa escrita não pode ninar os habitantes da Casa Grande, pois ela precisa incomodar e não permitir que eles sonhem sonhos de injustiça. Farei isso, mais uma vez, e preciso de um advogado que possa me dizer como proceder.
Grande abraço e sigamos!!!"
Nós, abaixo-assinados, nos solidarizamos com a professora agredida e repudiamos o acontecimento. Solicitamos à Comissão Organizadora, medidas antes, durante e depois do evento, que possam evitar que o fato seja recorrente. Pedimos ainda uma manifestação da Comissão no sentido de se fazer entender que não serão aceitas manifestações dessa ordem, que seja um encontro pautado pelo diálogo respeitoso, desejado por aqueles de nós que somos pela defesa do princípio do pluralismo de ideias e da liberdade de opinião, e contrários ao pensamento único e que avaliamos que os fins não justificam os meios. O desrespeito, o machismo, o sexismo e a injúria racial não podem se configurar como uma concepção de Educação!

Abaixo-assinado encerrado
O problema
Na etapa da RMBH do Fórum Técnico do Plano Estadual de Educação, a professora Analise da Silva, na discussão do grupo 2, sofreu ataques de caráter racistas e machistas que foram deferidos por um homem participante que esperava a conclusão dessa etapa do trabalho.
Segue o relato da professora:
"Estávamos nós do Grupo 2 – Inclusão educacional, diversidade e equidade; Meta 4: Educação Especial (19 propostas) / Meta 8: Educação de jovens e adultos (06 propostas) / Meta 9: Alfabetização de jovens e adultos (11 propostas), desde antes das 14 horas e já passavam das 18. Estávamos debatendo as propostas novas, além das 31 anteriores. Pessoas de outros grupos que já haviam encerrado os trabalhos já começavam a chegar no auditório, onde estávamos ainda nas últimas propostas, quando um dos participantes, em sua vez de inscrição, foi ao microfone e na sua fala disse que o que estava sendo discutindo por seu antecessor não tinha a ver com o conteúdo da proposta em debate.
Um homem que não fazia parte deste grupo começou a dizer junto com a fala do inscrito "Tem sim. Tem a ver sim. Tem sim". A mesa pediu que ele parasse e que o inscrito voltasse à fala. Mais uma vez quando o inscrito começou a falar, ele começou a dizer "Tem sim. Tem a ver sim. Tem sim".
Eu estava na terceira fileira e de lá disse ao homem: "Companheiro, nós estamos aqui a tarde toda. Por favor, deixa o companheiro terminar a fala dele. Por favor, você nem é deste grupo aqui!!". Neste momento eu e todos os demais presentes ouvimos um sonoro e retumbante "CALA ESSA BOCA". Neste momento, me levantei e disse "Como é que é? Quem é que você está mandando calar a boca?" e ouvi junto com todos os demais presentes "Você. Cala essa boca!".
Enquanto eu dizia, “Nem você e nem ninguém me manda calar a boca”, o homem retirou seus óculos e entregou para a mulher que estava sentada ao lado dele e caminhou na minha direção em uma postura machista, violência, agressiva, de homem que bate em mulher.
A partir daí, aquele homem, branco ouviu de MUITAS pessoas mulheres, homens, negros, brancos, estudantes, educadores, pais e mães, e gestores que era um gesto fascista, machista, racista e grosseiro o que ele havia feito. MUITAS pessoas se colocaram entre ele e eu.
Diante disso, comecei a gritar com outro homem que estava ao lado dele, e que por inúmeras vezes filmava o que era dito, que ele devia filmar. Eu dizia: “Filma agora ele me mandando calar a boca e vindo caminhando na minha direção em uma postura de quem vai me bater. Filma!”.
Enquanto isso, segundo estudantes e educadores, ele gritava “Senzala”. Eu não ouvi. Mas foram várias as pessoas que disseram ter ouvido essa palavra proferida por ele mais de uma vez.
Voltamos a nossos lugares e foi feita uma fala da mesa condutora dos trabalhos e outras falas evidenciaram que o que havia acontecido ali era crime e que não podíamos pactuar com crime.
Os estudantes do Grêmio chamaram a polícia!
Três outras pessoas do grupo que defendia a não inclusão de questões de gênero e de diversidade sexual (a proposta em questão era sobre esta temática), vieram em momentos alternados se sentar ao meu lado e dizer que reprovavam a postura daquele homem. Os três elogiaram minha postura respeitosa, construtiva e de escuta, durante toda a tarde de debates e se desculparam pela atitude daquele homem.
Enquanto os trabalhos transcorriam, aquele homem chegou perto de mim e pediu desculpas. Ele disse: “Estou pedindo desculpas à senhora. Eu me descontrolei. Eu errei. Estou me desculpando.” Eu sai de perto e não respondi nada. Havia quatro pessoas do grupo que defendia a não inclusão de questões de gênero e de diversidade sexual, inclusive um pai de aluno que na hora disse “Graças a Deus que você se arrependeu do que fez”.
Eu disse às pessoas que haviam me apoiado, protegido, reconhecido na hora em que ele teve uma postura amedrontadora comigo: “Gente, o cara já se desculpou. Ele é grosseiro e descontrolado mesmo. Vou fazer o B.O. para que não se repita e ele entenda que não pode agir assim novamente”.
Terminamos a avaliação das propostas e fomos para a eleição dos representantes. Somente aí eu soube que aquele homem era pai de aluno. Eleitos os representantes, chegaram os policiais.
Enquanto os policiais conversavam com aquele homem, o tempo todo era dito que NÓS os havíamos chamado de fascistas e eu dizia “Em que momento chamei qualquer um de vocês de fascistas? Estávamos fazendo um debate de ideia que é a lógica na democracia”. Os policiais me chamaram e fiz a eles o relato do que ocorreu.
De repente, quando os policiais falavam com as testemunhas dele, aquele homem chegou no local onde estávamos eu e as pessoas que me protegeram e disse: “Você não me desculpou?” Então, eu respondi a ele: “Não. Não desculpei. E quando isso acontecer com uma filha sua ou com sua mulher, você vai entender que isso não é coisa de se desculpar. Que alguém nos mandar calar a boca não se pode simplesmente desculpar.”
Os policiais chamaram novamente aquele homem e ele deveria ter feito o mesmo que eu fiz. Mas não o fez. Ele não relatou aos policiais o que ocorreu. Acontece que, mais uma vez os policiais me chamaram para entregar o número do B.O. e neste momento eu perguntei a eles se aquele homem havia dito que eu o chamara de fascista e eles responderam. “Não. Ele disse que todos fizeram isso. Ah! E ele negou que tenha mandado a senhora calar a boca”.
Neste momento, percebi que aquele homem não era um machista, grosseiro. Entendi que aquele homem é um RACISTA COVARDE. RACISTA COVARDE desses que de uns tempos para cá não conseguem ser felizes vendo a felicidade dos outros. Desses conservadores, fundamentalistas e daqueles que não se felicitam com as conquistas de negros, deficientes, jovens, mulheres, pessoas LGBT e pobres em geral. Não dos que discordam. Mas dos que não suportam ver avanços mesmo que mínimos solapando a desigualdade. Naquele momento eu decidi que o B.O. vai se transformar em um processo e que isso NÃO é uma tentativa ou uma simulação, mas uma agressão.
Se isso doeu? MUITO!! Entretanto, não foi o que mais doeu. O que mais doeu não foi ter olhado nos olhos daquele homem enquanto ele me pedia desculpas, enquanto mentia dizendo que havia se descontrolado, enquanto dissimulava dizendo que havia errado.
O que mais doeu, foi ver que uma das pessoas que lá estava apoiando aquele homem que mandou uma mulher se calar, que caminhou na direção de uma mulher para agredi-la fisicamente, que mentiu dizendo-se arrependido, que gritou ‘Senzala’ em sua fúria machista, racista, covarde, antidemocrática é uma educadora da EJA na região metropolitana de BH.
Eu sou uma mulher negra adulta que avalia que nós somos um país que se estruturou a partir de mecanismos de exclusão e que entende que reafirmar o direito à educação de excluídos é reafirmar o direito à justiça e ao direito.
E enquanto ainda dói, fico lembrando um trecho da Conceição Evaristo que diz que a nossa escrita não pode ninar os habitantes da Casa Grande, pois ela precisa incomodar e não permitir que eles sonhem sonhos de injustiça. Farei isso, mais uma vez, e preciso de um advogado que possa me dizer como proceder.
Grande abraço e sigamos!!!"
Nós, abaixo-assinados, nos solidarizamos com a professora agredida e repudiamos o acontecimento. Solicitamos à Comissão Organizadora, medidas antes, durante e depois do evento, que possam evitar que o fato seja recorrente. Pedimos ainda uma manifestação da Comissão no sentido de se fazer entender que não serão aceitas manifestações dessa ordem, que seja um encontro pautado pelo diálogo respeitoso, desejado por aqueles de nós que somos pela defesa do princípio do pluralismo de ideias e da liberdade de opinião, e contrários ao pensamento único e que avaliamos que os fins não justificam os meios. O desrespeito, o machismo, o sexismo e a injúria racial não podem se configurar como uma concepção de Educação!

Os tomadores de decisão
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Abaixo-assinado criado em 31 de maio de 2016