Rede Globo: queremos checagem de fatos AO VIVO no debate presidencial de 23 de outubro!

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O problema

Esta é uma petição apartidária em defesa do direito à informação de qualidade e do combate à desinformação, independentemente de posicionamentos políticos ou ideológicos.

A desinformação não é apenas um problema de opinião. Ela pode prejudicar decisões individuais, comprometer a saúde pública, intensificar a polarização e enfraquecer o debate democrático.

No dia 23 de outubro, a Rede Globo realizará o último debate presidencial das eleições de 2026 entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Exigimos que a emissora incorpore à transmissão a checagem de fatos, utilizando a experiência do Fato ou Fake, iniciativa de verificação do Grupo Globo.

A proposta é objetiva:

  • Checagem durante a transmissão, com esclarecimentos exibidos ao público sempre que houver evidências suficientes.
  • Critérios transparentes e iguais para ambos os candidatos, independentemente de partido ou posicionamento político.
  • Correções visíveis e contextualizadas, distinguindo fatos comprovados, afirmações falsas e informações que ainda exigem apuração.

Por que essa medida é necessária?

Os danos da desinformação são documentados por pesquisas científicas e organismos internacionais:

  1. Compromete o debate democrático: informações falsas podem distorcer discussões públicas e dificultar decisões fundamentadas em fatos. (OCDE, 2024)
  2. Pode se espalhar rapidamente: estudo publicado na revista Science identificou que notícias falsas tinham 70% mais chances de serem retransmitidas do que verdadeiras no Twitter, no período analisado. (Vosoughi et al., 2018)
  3. Pode continuar influenciando o raciocínio após a correção: informações falsas podem permanecer influenciando julgamentos mesmo depois de desmentidas. (Ecker et al., 2022)
  4. Pode prejudicar a saúde pública: a desinformação em saúde está associada à hesitação vacinal, a atrasos na busca por atendimento e a outros prejuízos. (OMS, 2022)
  5. Além disso, pesquisas demonstram que correções factuais ajudam a melhorar a precisão das crenças, mas nem sempre alcançam as pessoas expostas à informação falsa. (Porter e Wood, 2024)

Corrigir apenas depois do debate não deveria ser a única estratégia.

A responsabilidade de quem informa

Como a maior emissora do país e da América Latina, a Rede Globo tem a oportunidade de estabelecer um novo padrão de responsabilidade jornalística nos debates eleitorais brasileiros.

Informar não é apenas dar voz a quem fala. É também oferecer ao público os elementos necessários para avaliar o que está sendo dito.

Não estamos pedindo censura, interferência editorial ou favorecimento político. Estamos exigindo compromisso com a verdade, precisão das informações e respeito aos eleitores e telespectadores.

Solicitamos que a Rede Globo se manifeste publicamente, antes do debate de 23 de outubro, informando se adotará a checagem de fatos durante a transmissão e quais medidas e critérios utilizará para garantir a precisão das informações apresentadas ao público.

Permitir que afirmações comprovadamente falsas sejam transmitidas sem esclarecimento oportuno deixa a audiência vulnerável à desinformação.

Rede Globo, a democracia exige informação de qualidade. E o eleitor merece respeito. Contamos com seu apoio.

Checagem de fatos ao vivo no debate presidencial de 23 de outubro!

Fontes e referências
OCDE (2024) — Facts not Fakes;
Vosoughi, Roy e Aral (2018) — The Spread of True and False News Online, Science;
Ecker et al. (2022) — The Psychological Drivers of Misinformation Belief and Its Resistance to Correction;
OMS (2022) — Infodemics and Misinformation Negatively Affect People's Health Behaviours;
Porter e Wood (2024) — Factual Corrections: Concerns and Current Evidence.

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Camila FonsecaCriador do abaixo-assinado

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