Professores Waldorf pela democracia, diversidade e justiça social

Vitória

Este abaixo-assinado foi vitorioso com 667 apoiadores!

O problema

Em defesa da democracia, da diversidade e da justiça social

“A nossa mais elevada tarefa deve ser a de formar seres humanos livres que sejam capazes de, por si mesmos, encontrar propósito e direção para suas vidas.” Rudolf Steiner (GA 307)

Nós, professoras e professores Waldorf do Brasil, abaixo assinados, manifestamos, individualmente nosso compromisso com a democracia. Às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, entendemos que o silêncio diante de projetos políticos que ameaçam direitos e aprofundam divisões sociais não é neutralidade: é omissão. Como educadoras e educadores, temos a responsabilidade ética de explicitar os princípios que orientam nossa atuação e nossa compreensão do futuro que desejamos construir e defender.

Escolhemos nosso lado! Estamos com a diversidade, a justiça social,  a soberania nacional e contra o autoritarismo e a naturalização das desigualdades. Defendemos os direitos humanos, a liberdade de expressão, a participação popular, a liberdade religiosa, os direitos trabalhistas, a vida dos povos originários, ribeirinhos e quilombolas. Ou seja, defendemos a dignidade do ser humano. Não aceitamos discursos que transformem preconceitos em opiniões legítimas ou apresentem a exclusão como consequência inevitável da vida em sociedade.

A liberdade não pode ser privilégio de poucos. Uma sociedade verdadeiramente democrática precisa garantir condições para que todas as pessoas possam viver com dignidade, estudar, trabalhar, amar, participar das decisões coletivas e exercer suas escolhas. Isso exige enfrentar o racismo, o machismo, a LGBTQIAPN+fobia, o capacitismo, o classismo e todas as formas de opressão que limitam direitos e perpetuam injustiças e ameaçam a existência.

Nossa prática pedagógica, fundamentada em princípios antroposóficos, deve garantir a formação de crianças e jovens autônomos, críticos e responsáveis, capazes de compreender a realidade social em que vivem e de atuar conscientemente em sua transformação. Isso implica reconhecer que as decisões políticas afetam diretamente suas condições de vida, seus direitos e suas oportunidades de futuro. Educar para a liberdade exige enfrentar as barreiras que impedem tantas pessoas de exercê-la; educar para a fraternidade exige combater as desigualdades e as injustiças, em vez de naturalizá-las. Nosso compromisso educativo deve, portanto, contribuir para a construção de uma sociedade mais democrática, diversa e justa.

Defendemos o diálogo e o respeito às diferenças de pensamento, mas não confundimos pluralismo com indiferença. Ouvir posições divergentes é indispensável; tratar a defesa e a negação de direitos como equivalentes, não. A liberdade de pensamento exige autonomia e julgamento crítico, coragem para reconhecer ameaças à convivência democrática e posicionar-se diante delas. Nenhuma comunidade escolar se fortalece quando o respeito às opiniões é usado para silenciar injustiças.
Nesse sentido, não pretendemos impor opiniões à comunidade escolar nem eliminar divergências. Queremos um ambiente educador capaz de debater, questionar e rever certezas, sem relativizar os direitos humanos ou normalizar o neofascismo. Nossas escolhas, nossas palavras e nossos silêncios também educam. Assumir essa responsabilidade é parte inseparável de nossa missão.
Diante do segundo turno presidencial, reafirmamos que os projetos políticos devem ser avaliados por seus compromissos com a democracia, os direitos humanos e sociais, a inclusão e o enfrentamento das desigualdades. Nossa posição decorre desses princípios éticos, fundamentais à sociedade que defendemos.

O futuro depende das decisões que tomamos e das injustiças que escolhemos combater. O medo do confronto não pode minar esse impulso. Nesse momento, a suposta neutralidade suprapartidária nada mais é do que o silêncio confortável de quem prefere contemporizar com o conservadorismo a correr os riscos da verdadeira coragem e da solidariedade política nas urnas.

Educar é tomar posição diante do mundo. Nós escolhemos não nos omitir.

São Paulo, 23 de outubro de 2026

Professoras e Professores Waldorf do Brasil

Pedro Luiz Damião – São Paulo
Alessandra Miguez – São Paulo
Suzane Santos Abbamonte – São Paulo
Matheus Augusto Trunkle de Oliveira – São Paulo
Cláudia Helena Polito – São Paulo
Nathalia Guedes Martine – São Paulo
Ruana da Costa Alves – São Paulo
Renan Bastos de Olivas Ferreira Santos – São Paulo
Marquilandes Borges de Sousa – São Paulo
Marina Heleno – São Paulo
Sandra Pereira Gomes Machado – São Paulo
Tarcísio Dias da Silva Filho – São Paulo
Priscila Figueiredo Araújo Carneiro – São Paulo
Júlia Conceição Brandão da Silva – São Paulo
Rita de Cassia Aguiari Barbosa – São Paulo
Vagner Luiz da Silva – São Paulo
Sívio Tâmbara – São Paulo
Aline Oliveira Orlando Araújo – São Paulo
Larissa de Abreu Galvão – São Paulo
Adriana Betti de Oliveira e Souza – São Paulo
Caren Sarteschi – São Paulo
Daniel Nobre Kulaif – São Paulo
Juliana Klein – São Paulo
Luana Walczak de Jesus – São Paulo
Jean Felipe Gomes – São Paulo
Gabrielle Stephano de Queiroz – São Paulo
Clarissa Rassi Mattoso – São Paulo
Andressa Thiemi Braga – São Paulo
Lidiane Maziero – São Paulo
Marcos Brotero Farah – São Paulo
Nina May Olsen – São Paulo
Luisa Balsimimelli Satub Pereira – São Paulo
Stefani Malena Trunkle de Oliveira – São Paulo
Cristina Maria Brigagão Ábalos – São Paulo
Monique Alves Rosa – São Paulo
Juliana Franco Maia – São Paulo
Francine Lobo – São Paulo
Vilma Lúcia Furtado Paschoa – São Paulo
Alexsandro de Souza Menezes – São Paulo
Julia Geiling Cardoso Falcone – São Paulo
Mauro Pompeu Porrino – São Paulo
Heloisa Helena Fernandes – São Paulo
Maria Zita Braga J. Cecchini- São Paulo

daniel kulaifCriador do abaixo-assinado

Mensagens de apoiadores

Atualizações do abaixo-assinado