Manifesto em Defesa do Hospital Universitário da USP

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O problema

A USP passa por uma crise orçamentária que é usada como desculpa pela atual gestão da universidade para promover o desmonte dessa instituição pública e, então, seguir em frente com seu plano privatista. Seu projeto político tem sido colocado em prática por meio de medidas que demonstram claro boicote à universidade pública, a exemplo dos dois Programas de Incentivo à Demissão Voluntária (PIDV) e a recente proposta Parâmetros de Sustentabilidade Econômico-Financeira da USP. O Hospital Universitário (HU) se insere nesse projeto do reitor, tendo perdido 231 funcionários durante os PIDVs. Isso levou a um grave problema de falta de trabalhadores e sobrecarga daqueles que ficaram, direcionando o HU para um sucateamento intencional a mando do reitor.

O HU é essencial para a universidade: recebe 2.430 alunos todos os anos, tanto da graduação quanto da pós-graduação, provenientes de sete faculdades diferentes; e exerce o tripé universitário da extensão, retribuindo à população o investimento na educação pública. Ainda, tendo surgido de uma demanda da própria população local, o HU tem um valor evidente para essas pessoas: para muitas, é o único hospital secundário a que podem recorrer quando precisam. É um equipamento central da rede da Região Oeste que, contraditoriamente, é negligenciado pela Gestão Estadual e está sobrecarregado devido à desestruturação da rede básica.

No entanto, além da ameaça de desvinculação que ronda o HU desde 2014 - que já foi indeferida pelo Ministério Público de São Paulo, mas ainda está presente -, estamos enfrentando atualmente situações muito difíceis relacionadas ao seu sucateamento. Desde os PIDVs, há grande demanda por mais funcionários para que a equipe de saúde seja ampliada e completada, pois só assim os diversos leitos fechados poderão ser reabertos. O Pronto Atendimento da Pediatria, por exemplo, foi fechado durante a noite, sendo só aberto para casos referenciados, e está sob risco de ser fechado também durante o dia. Tal decisão, tomada em decorrência de uma impossibilidade de manter o atendimento, traz inúmeros prejuízos para a população da Região Oeste, que depende do Hospital Universitário, e para o ensino de alunos de vários cursos.

Somando-se a isso, a proposta aprovada de maneira anti-democrática no último CO do dia 07 de março - que fora acompanhada de repressão contra os manifestantes a mandato do reitor - dificulta ainda mais o reequilíbrio do quadro de funcionários e investimentos necessários para reestruturar o Hospital. Revela-se, assim, uma vontade de “solucionar a crise” por meio de corte de gastos arbitrários, e não uma busca por qualidade e abertura dos gastos para rediscussão do financiamento da Universidade que não se altera desde 1995.

Nestes momentos de tantos ataques na conjuntura nacional e na USP, é fundamental que estejamos em unidade fortalecendo o movimento em defesa da educação e da saúde públicas. Esse manifesto se faz necessário devido ao seu objetivo de reiterar a posição contra o desmonte e a desvinculação do Hospital Universitário. Damos todo o apoio à luta do HU e dos trabalhadores que resistem diariamente a fim de manter vivo o patrimônio dos alunos e da população assistida. Por uma universidade pública de qualidade e democrática, por uma saúde pública, integral, universal e equânime, assinemos este manifesto!

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Núcleo de Estudantes da Saúde da USPCriador do abaixo-assinado

Os tomadores de decisão

Reitoria da Universidade de São Paulo
Reitoria da Universidade de São Paulo
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
Conselho Universitário da USP
Conselho Universitário da USP
Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo
Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo

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