Manifesto do WIT e Meninas Digitais sobre Representatividade de Fala em Computação

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Belém, 16 de Julho de 2019 (Atualizado em: 19/08/2019)

Há 13 anos nascia o WIT (Woman in Information Technology) dentro do CSBC (Congresso da Sociedade Brasileira de Comutação), para discutir os assuntos relacionados à questões de gênero e as Tecnologias da Informação. Quatro anos depois, verificamos a necessidade de criar um programa com ações para englobar o público dos ensinos fundamental, médio e técnico no sentido de cativar mais meninas a escolherem as áreas de Computação e de criar um ambiente mais acolhedor e seguro para as nossas estudantes, professoras e profissionais. Assim, nasceu o Programa Meninas Digitais, que completará dez anos em 2020. Nesta jornada já chegamos a quase cem projetos parceiros, alcançando mais de sete mil pessoas em todo país. 

As conquistas do WIT e do Programa Meninas Digitais são muitas, mas os desafios ainda se fazem presentes. Não podemos deixar de lado o acúmulo de relatos de situações de assédio moral e sexual, bem como de violência simbólica, que estudantes, professoras e profissionais compartilham conosco em nossos eventos e projetos parceiros. Se mudar pensamentos e comportamentos da sociedade é uma tarefa longa e difícil, acreditamos que este processo gradual pode começar pela nossa comunidade. Façamos parte da transformação!

O movimento em busca da Equidade de Gêneros na Computação não é recente e, embora tenhamos apoio da Diretoria da Sociedade Brasileira de Computação (SBC) desde o início das nossas ações no país, bem como de centenas de pessoas da comunidade ao longo dos anos, sentimos por vezes o isolamento das discussões nas paredes do WIT & Fórum Meninas Digitais. Sempre ouvimos que este é um “movimento das mulheres” e “para as mulheres”, como se este não fosse um movimento da comunidade de Computação que a beneficia como um todo.

Neste sentido, gostaríamos de chamar a atenção das pessoas associadas à SBC de que não é mais possível ver com naturalidade que em nossos eventos tenhamos painéis, mesas e até programações inteiras sem a participação de mulheres. A programação divulgada inicialmente para o SECOMU deste ano (CSBC 2019), evento de tradição da comunidade de Computação brasileira, foi um exemplo. Agir com indiferença a esta questão é concordar que não há mulheres competentes que possam debater e falar com propriedade sobre os mais diversos temas tratados ao longo dos eventos da área – o que seria um absurdo. As mulheres da nossa comunidade também possuem expertise, desenvolvem tecnologias e fazem pesquisas de qualidade, logo, é apenas justo que haja representatividade feminina de fala em nossos eventos.

Desta forma, gostaríamos de solicitar o compromisso da nova Diretoria da SBC, bem como de toda a comunidade de computação, independente do gênero, que busquem, na prática, a inclusão feminina na nossa área a fim da promoção da Equidade de Gêneros. Uma atitude simples, mas extremamente importante, é proporcionar o devido espaço para a fala feminina nos eventos. Não é algo secundário, é essencial para trazer diversidade às discussões da nossa comunidade, para que as mulheres sejam visibilizadas e recebam a valorização de direito do seu trabalho e, para que as novas gerações de estudantes e profissionais de Computação possam ter figuras femininas como referencias para se reconhecerem, espelharem e se apoiarem.

Esperamos contar com o apoio de todas e todos nesta luta diária e de toda a sociedade!

Coordenação do 13º WIT & Comitê Gestor do Programa Meninas Digitais.

Este Manifesto recebeu 167 assinaturas durante o CSBC 2019 em Belém.