Garantir mobiliário adaptado e resistente para pessoas com obesidade nos espaços publicos

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O problema

O sol da tarde batia forte no asfalto da Avenida Henriqueta Mendes Guerra, no centro de Barueri. Marcos ajustou a camisa no corpo, respirou fundo e encarou os degraus do ônibus municipal que acabava de encostar no ponto. O simples ato de pegar um transporte público na cidade, algo cotidiano para a maioria, para ele era o início de uma verdadeira maratona física e emocional.

Ele entrou, pagou a passagem e se aproximou do verdadeiro obstáculo: a catraca. Marcos sabia o que podia acontecer, mas precisava ir à Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Silveira para acompanhar os exames de rotina. Posicionou-se, tentou passar de lado, mas o espaço estreito da borboleta de ferro travou no seu quadril. Por alguns segundos que pareceram uma eternidade, ele ficou preso. Sentiu os olhares impacientes de quem vinha atrás na fila e o calor subir pelo rosto. Com um esforço constrangedor e a ajuda solícita de um passageiro, conseguiu avançar. O constrangimento, no entanto, já tinha feito o estrago.

Durante todo o trajeto até a UBS, não encontrou um único assento prioritário adequado. Os bancos convencionais do ônibus eram estreitos demais, forçando-o a viajar de pé, equilibrando-se nas curvas enquanto lidava com a dor incômoda na lombar.

Ao desembarcar na UBS, a esperança era de encontrar um pouco de alívio. Porém, a sala de espera estava cheia devido à alta demanda do dia. Marcos olhou ao redor procurando uma cadeira em que pudesse se sentar com segurança. As poucas cadeiras disponíveis eram de plástico fino ou tinham braços fixos de metal que apertavam as coxas. Sem opção, sentou-se na extremidade de uma das fileiras.

A espera se prolongou por mais de uma hora. A cada minuto, a falta de estrutura cobrava seu preço: primeiro veio o formigamento nas pernas, depois uma dor contínua que travava a coluna e o forçava a se levantar a cada dez minutos para tentar aliviar a pressão. Ali, cercado por dezenas de pessoas, Marcos pensou em como aquela situação era injusta. A obesidade não é um caso isolado; afeta mais de 20% da população brasileira, segundo dados da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica. Como uma cidade moderna como Barueri ainda não estava totalmente preparada para acolher um em cada cinco de seus cidadãos com a dignidade que merecem?

Quando finalmente foi atendido, a conversa com o médico foi excelente, mas a dor física e o desgaste psicológico da jornada já tinham deixado marcas. Naquela mesma noite, ao chegar em casa, Marcos decidiu que não deixaria aquela experiência ser apenas mais um dia de resignação. Ele ligou o computador e começou a escrever.

Ele não estava pedindo privilégios, mas sim **direitos básicos de mobilidade, segurança e conforto**. Escreveu sobre a necessidade urgente de políticas públicas em Barueri que garantam a instalação de cadeiras reforçadas e sem braços nas UBSs e hospitais da rede municipal, assentos largos no transporte coletivo e catracas acessíveis que permitam o livre trânsito de todos, sem constrangimento.

Sua história virou uma petição pública, um manifesto endereçado às autoridades de saúde, aos gestores de transporte e à infraestrutura da cidade.

Ao publicar o texto na internet, Marcos olhou para a tela e soube que não estava sozinho. A inclusão não é apenas sobre abrir portas; é sobre garantir que todos consigam passar por elas com dignidade.

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ANDRE PRUTKICriador do abaixo-assinado

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