Conciliação assim, NÃO !
Conciliação assim, NÃO !
O problema
Pelas primeiras manifestações pós-eleição, tanto do bolsonarismo como do petismo, parece que nossas lideranças políticas-judiciárias não entenderam mesmo o recado das urnas. Pelas primeiras manifestações e balões de ensaio, querem continuar na toxidade da polarização em benefício próprio, certos que chegaremos a 2030 na mesma situação de reféns dos extremos que temos vivido desde 2018.
Não se trata de rejeitar o diálogo entre adversários. Trata-se de rejeitar uma conciliação que transforme a responsabilização de autoridades em moeda de troca. A pacificação nacional exige regras comuns e respeito ao devido processo legal, não proteção recíproca entre grupos de poder. Não pode ser confundida com vingança nem com impunidade.
Alcolumbre controla a pauta do Senado e tem usado essa posição para atender a interesses próprios, em detrimento dos interesses da nação. A fala que proferiu desde a mesa diretora — “todo mundo esqueceu que pediram 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme” — é apresentada como defesa de Lulinha diante das investidas dos senadores do PL, que se esqueceram de Daniel Vorcaro. Denúncias contra um grupo não podem servir para neutralizar denúncias contra outro. Se os senadores buscam justiça apenas para atingir adversários, fazem-no pelos motivos errados. E, se a resposta consiste em invocar irregularidades alheias para evitar apuração, prevalece a lógica “se todos somos ladrões, locupletemo-nos”.
Agora, às custas de seduzir a bancada do PL, David Alcolumbre lança no ar a “idéia” de perdão ao ex-despresidente Bolsonaro, contanto que não se criem óbices à sua reeleição à presidência da Casa e se esqueçam quaisquer aberturas de processos de impeachment contra ministros do Supremo, em especial, Alexandre de Moraes.
Em suma, propõe reabilitar o mais nefasto presidente da história da República - que dia sim, outro também, ficará fazendo recortes para o Tiktok e o Instagram na porta dos quartéis, insuflando a "sua militância" com a apologia das armas, do pau de arara e do desrespeito total às minorias (e às maiorias também, diga-se de passagem), às custas de segurar o juiz Moraes em sua posição, sem qualquer averiguação sobre os graves desvios de conduta que lhe são atribuídos e são de domínio público, nunca explicados.
Se o presidente eleito concorda com isso, não entendeu os milhões de jovens que foram às ruas defender sua escolha para a presidência. Está fazendo um contrato com o atraso e a desfaçatez, às custas de ter o mesmo tipo de governabilidade que o presidencialismo de coalizão forjou no Brasil nos últimos 20 anos.
Onde há corruptor, há corrupto: a responsabilização deve alcançar ambos. O Estado é o maior comprador de bens e serviços do país e continuará sempre a sê-lo. Muitos empresários, premidos por dificuldades de mercado, fazem vista grossa para sobreviver à corrupção endêmica em todos os níveis de governo e contribuem para perpetuá-la, às custas de subsídios e subvenções que atrasam nossa inserção na economia moderna. Essas dificuldades explicam pressões, mas não justificam práticas corruptas. Tampouco é admissível que um servidor público tire vantagem pessoal desse contexto, sobretudo quando optou pela carreira da magistratura, do Ministério Público ou do Legislativo. Esses agentes devem ser investigados com celeridade e, quando houver fundamento legal para tanto, afastados tempestivamente de suas funções. O julgamento deve respeitar o devido processo legal e a Constituição, sem interpretações casuísticas. Se condenados, devem devolver o patrimônio obtido às custas dos contribuintes e sofrer as sanções previstas em lei. Que não recebam, tampouco, benefícios estatais que premiem a conduta ilícita, e voltem à planície.
Há mais do que sólidas suspeitas de que o ministro Alexandre de Moraes (não o único, aliás) cometeu infrações incompatíveis com sua posição na Suprema Corte. É obrigação do Ministério Público solicitar ao Senado que abra as investigações da relação do magistrado com o notório Vorcaro. E não que use o caso para tentar uma conciliação das “elites”, à revelia da nação. Não atenderão as demandas que vieram das ruas oferecendo brioches ao povo.
Por óbvio, não existe contrato de assistência jurídica de R$ 3,6 milhões mensais, boa parte já recebido, para estruturar a política de compliance de um mafioso. Inclusive porque, se de boa fé tivesse sido assinado, o dito contrato deveria ter sido rescindido pelo contratante, por descumprimento total de seu objetivo.
Conciliação sem punição não basta. Estamos vendo esse mesmo enredo desde Aragarças.
Os cidadãos dessa República requerem que, imediatamente e antes do fim dessa legislatura, o Procurador Geral da República solicite ao Senado Federal a abertura de investigação contra o juiz Alexandre de Moraes e que o Senado o afaste do cargo para que seja investigado devidamente e, se culpado, seja afastado definitivamente da Corte.
Exigem, também, que o senador Alcolumbre não prossiga com a idéia estapafúrdia de buscar conciliação entre inconciliáveis às custas de devolver ao ex-presidente sua liberdade para delinquir contra o país, às custas de uma pretensa humanidade que ele não teve quando condenou indiretamente à morte milhares de brasileiros, e de salvar a carreira de um juiz que já deveria ter largado a toga e voltar à política da qual saiu, não sem antes ter suas relações extra-tribunal devidamente investigadas..
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O problema
Pelas primeiras manifestações pós-eleição, tanto do bolsonarismo como do petismo, parece que nossas lideranças políticas-judiciárias não entenderam mesmo o recado das urnas. Pelas primeiras manifestações e balões de ensaio, querem continuar na toxidade da polarização em benefício próprio, certos que chegaremos a 2030 na mesma situação de reféns dos extremos que temos vivido desde 2018.
Não se trata de rejeitar o diálogo entre adversários. Trata-se de rejeitar uma conciliação que transforme a responsabilização de autoridades em moeda de troca. A pacificação nacional exige regras comuns e respeito ao devido processo legal, não proteção recíproca entre grupos de poder. Não pode ser confundida com vingança nem com impunidade.
Alcolumbre controla a pauta do Senado e tem usado essa posição para atender a interesses próprios, em detrimento dos interesses da nação. A fala que proferiu desde a mesa diretora — “todo mundo esqueceu que pediram 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme” — é apresentada como defesa de Lulinha diante das investidas dos senadores do PL, que se esqueceram de Daniel Vorcaro. Denúncias contra um grupo não podem servir para neutralizar denúncias contra outro. Se os senadores buscam justiça apenas para atingir adversários, fazem-no pelos motivos errados. E, se a resposta consiste em invocar irregularidades alheias para evitar apuração, prevalece a lógica “se todos somos ladrões, locupletemo-nos”.
Agora, às custas de seduzir a bancada do PL, David Alcolumbre lança no ar a “idéia” de perdão ao ex-despresidente Bolsonaro, contanto que não se criem óbices à sua reeleição à presidência da Casa e se esqueçam quaisquer aberturas de processos de impeachment contra ministros do Supremo, em especial, Alexandre de Moraes.
Em suma, propõe reabilitar o mais nefasto presidente da história da República - que dia sim, outro também, ficará fazendo recortes para o Tiktok e o Instagram na porta dos quartéis, insuflando a "sua militância" com a apologia das armas, do pau de arara e do desrespeito total às minorias (e às maiorias também, diga-se de passagem), às custas de segurar o juiz Moraes em sua posição, sem qualquer averiguação sobre os graves desvios de conduta que lhe são atribuídos e são de domínio público, nunca explicados.
Se o presidente eleito concorda com isso, não entendeu os milhões de jovens que foram às ruas defender sua escolha para a presidência. Está fazendo um contrato com o atraso e a desfaçatez, às custas de ter o mesmo tipo de governabilidade que o presidencialismo de coalizão forjou no Brasil nos últimos 20 anos.
Onde há corruptor, há corrupto: a responsabilização deve alcançar ambos. O Estado é o maior comprador de bens e serviços do país e continuará sempre a sê-lo. Muitos empresários, premidos por dificuldades de mercado, fazem vista grossa para sobreviver à corrupção endêmica em todos os níveis de governo e contribuem para perpetuá-la, às custas de subsídios e subvenções que atrasam nossa inserção na economia moderna. Essas dificuldades explicam pressões, mas não justificam práticas corruptas. Tampouco é admissível que um servidor público tire vantagem pessoal desse contexto, sobretudo quando optou pela carreira da magistratura, do Ministério Público ou do Legislativo. Esses agentes devem ser investigados com celeridade e, quando houver fundamento legal para tanto, afastados tempestivamente de suas funções. O julgamento deve respeitar o devido processo legal e a Constituição, sem interpretações casuísticas. Se condenados, devem devolver o patrimônio obtido às custas dos contribuintes e sofrer as sanções previstas em lei. Que não recebam, tampouco, benefícios estatais que premiem a conduta ilícita, e voltem à planície.
Há mais do que sólidas suspeitas de que o ministro Alexandre de Moraes (não o único, aliás) cometeu infrações incompatíveis com sua posição na Suprema Corte. É obrigação do Ministério Público solicitar ao Senado que abra as investigações da relação do magistrado com o notório Vorcaro. E não que use o caso para tentar uma conciliação das “elites”, à revelia da nação. Não atenderão as demandas que vieram das ruas oferecendo brioches ao povo.
Por óbvio, não existe contrato de assistência jurídica de R$ 3,6 milhões mensais, boa parte já recebido, para estruturar a política de compliance de um mafioso. Inclusive porque, se de boa fé tivesse sido assinado, o dito contrato deveria ter sido rescindido pelo contratante, por descumprimento total de seu objetivo.
Conciliação sem punição não basta. Estamos vendo esse mesmo enredo desde Aragarças.
Os cidadãos dessa República requerem que, imediatamente e antes do fim dessa legislatura, o Procurador Geral da República solicite ao Senado Federal a abertura de investigação contra o juiz Alexandre de Moraes e que o Senado o afaste do cargo para que seja investigado devidamente e, se culpado, seja afastado definitivamente da Corte.
Exigem, também, que o senador Alcolumbre não prossiga com a idéia estapafúrdia de buscar conciliação entre inconciliáveis às custas de devolver ao ex-presidente sua liberdade para delinquir contra o país, às custas de uma pretensa humanidade que ele não teve quando condenou indiretamente à morte milhares de brasileiros, e de salvar a carreira de um juiz que já deveria ter largado a toga e voltar à política da qual saiu, não sem antes ter suas relações extra-tribunal devidamente investigadas..
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Abaixo-assinado criado em 29 de outubro de 2026
