CARTA DOS 10 PRINCÍPIOS ÉTICOS POR UMA NOVA GESTÃO DA ADAPAR (2027–2030)

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O problema

AOS SERVIDORES DA ADAPAR E À SOCIEDADE PARANAENSE

A ADAPAR é construída todos os dias por quem fiscaliza, inspeciona, certifica e protege a sanidade agropecuária do Paraná. Somos nós. E é hora de assumirmos o protagonismo sobre os rumos da nossa instituição.

Esta Carta de princípios não é contra pessoas. É a favor de um novo modelo de gestão: técnico, meritocrático, transparente e blindado contra a captura político-partidária. Não pedimos privilégio corporativo — pedimos a devolução da Agência à sua finalidade pública, como manda o art. 37 da Constituição.

O status quo que queremos superar é conhecido de todos: cargos de gestão distribuídos sem critério técnico, projetos abandonados a cada troca de comando, direção distante da realidade do campo e uma cultura de silêncio diante do que enfraquece a instituição. 

A proposta de mudança começa pela proposição de dez princípios a seguir, que exigiremos de qualquer gestão e sem os quais o nosso futuro é incerto, subalterno ou caminha rumo à extinção institucional.

I – INTEGRIDADE SEM EXCEÇÕES PELA ALTA ADMINISTRAÇÃO

Exigimos o cumprimento incondicional, pela Direção Executiva e do Conselho Administrativo, a aplicação incondicional do Código de Conduta PORTARIA Nº 248, DE 10 DE JULHO DE 2026 e de todas as normas da Controladoria-Geral e do Tribunal de Contas do Estado.

Regra não tem hierarquia: o que vale para o fiscal na barreira sob chuva e frio vale para o Diretor-Presidente no gabinete no ar condicionado. Dirigente que não suporta o escrutínio das normas de controle não está apto a dirigir a ADAPAR.

II – LISTA TRÍPLICE: A DIREÇÃO NASCE DO QUADRO

Defendemos que a escolha do Diretor-Presidente para 2027–2030 seja precedida de lista tríplice formada por voto secreto do corpo funcional, comandada ou não pelo SINDEFESA, composta exclusivamente por servidores efetivos da Agência, encaminhada ao Governador eleito, em sistema de votação on-line em data a ser determinada até dezembro de 2026, assim como as suas regras de submissão de candidaturas e competências mínimas a serem preenchidas pelos candidatos.

Reconhecemos a prerrogativa constitucional de nomeação do Chefe do Executivo. O que propomos é qualificá-la: três nomes legitimados pelo voto de quem conhece a instituição por dentro, com formação compatível, experiência de gestão e ficha funcional limpa, com inclusão de pelo uma candidata feminina obrigatória, em consonânica a EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 117, DE 5 DE ABRIL DE 2022.

Nenhum Governador perde ao nomear alguém referendado pelo próprio quadro técnico dado que em um eventual caso de emergência sanitária, considerando VBP agropecuário do Paraná em 2025.  Muito pelo contrário, ele se protege em deixar uma autarquia estratégica ao agronegócio do estado do Paraná na mão de um "outsider".

O levantamento preliminar da Seab/Deral registrou R$ 212,6 bilhões em 2025, com crescimento nominal de 13% em relação ao VBP de 2024 (R$ 188,3 bilhões). 

O Ipardes calculou o PIB paranaense em R$ 765,17 bilhões de 2025, em valores correntes. A razão direta VBP/PIB resulta em aproximadamente 27,8% (212,6 ÷ 765,17) ou 27,8%, ou seja quase 1/ do PIB paranaense.

Nesse diapasão, emergências sanitárias são de fato, riscos socioeconômicos que um governante deve ter como prioridade em estado agrícola como o Paraná. A história mundial da agricultura já nos ensinou, e muito, os episódios históricos e suas consequências para a humanidade.

Neste sentido, perde a sociedade quando a DEFESA AGROPECUÁRIA vira moeda de acomodação política.

Após quase 15 anos de história da agência, mesmo com um quadro de servidores qualificados, há uma desmotivação flagrante em toda a instituição, principalmente no campo, quando autos de infração levam anos a serem analisados, o que leva ao desestímulo funcional e da imagem institucional.

O INDICADOR QUE NINGUÉM QUER DIVULGAR...

Caímos da posição de melhor agência de defesa animal, em 2017, no Programa de Avaliação da Qualidade e Aperfeiçoamento dos Serviços Veterinários Oficiais (Quali-SV), para a quinta posição no país na última avaliação, apesar da atual Diretoria Executiva tentar esconder esse indicador de qualidade, precípuo à segurança alimentar e aos negócios do agro, que simplesmente foi desconsiderado no e-mail da Direx do dia 25/09/2026, “Carta de Esclarecimento”. 

Neste sentido, qual é o plano atual da atual diretoria para sair deste baixo ranqueamento? Há um documento, um planejamento estratégico, um plano de ação, um grupo de trabalho?

Não adianta apenas adquirir carros novos, a infraestrutura de fiscalização é importante, mas sem cumprir os demais indicadores de Avaliação da Qualidade e Aperfeiçoamento dos Serviços Veterinários Oficiais (Quali-SV) estamos caindo ladeira abaixo.

Isto sem contar com a Sanidade Vegetal cuja PORTARIA SDA/MAPA Nº 1.245, DE 18 DE FEVEREIRO DE 2025, está prevendo a mesma lógica e que regulamentará o “Sistema de Avaliação da Qualidade e Aperfeiçoamento dos Programas Oficiais de Prevenção e Controle de Pragas – AUDIFITO”. Estamos preparados? Existe alguma diretriz da Diretoria Executiva pensando nisso? 

Ademais, inicialmente, precisamos de um Diretor-Presidente presente na instituição, articulando-se com órgãos nacionais e internacionais para a atração de recursos e investimentos e para parcerias estratégicas, e não de um presidente que ficou ausente durante 1/3 de seu mandato em viagens que só geraram despesas ao erário e nenhum resultado concreto. É admissível uma instituição pública da importância daos a Adapar ser gerida desta forma?

Segundo os dados do Portal da Transparência, foram 718 diárias, que equivalem a 702 dias de calendário distintos - 638 deles em dias úteis, ou seja, 31,9% dos 1.997 dias úteis do mandato, ao custo atualizado de R$ 614.978,49, corrigido pelo IPCA até ago/2026, com acréscimo de 14,29%.

Traduzindo, a cadeira de Diretor-Presidente ficou vazia 1/3 do tempo de janeiro de 2019 a agosto de 2026. 

A sociedade pode admitir em pleno século XXI, seja no privado ou no público, administrar uma instituição de 800 servidores de forma ausente ?

III – REVISÃO DO REGULAMENTO E DO REGIMENTO INTERNO

Defendemos a revisão integral e participativa de um novo Regulamento e de um Regimento Interno que sejam coerentes com as necessidades da Defesa Agropecuária nacional e internacional. Ambos foram elaborados à revelia dos servidores. 

Caso clássico, foi o desmantelamento da GERÊNCIA DE TRÂNSITO AGROPECUÁRIO, atividade precípua do SISTEMA UNIFICADO DE ATENÇÃO À SANIDADE AGROPECUÁRIA-SUASA, demonstra a ignorância da atual diretoria quanto a um dos princípios da defesa agropecuária internacional. Conforme preconiza a LEI Nº 8.171, DE 17 DE JANEIRO DE 1991 que dispõe sobre a política agrícola, no seu Art.28-A:

“ § 2o A instância local do sistema unificado de atenção à sanidade agropecuária dará, na sua jurisdição, plena atenção à sanidade, com a participação da comunidade organizada, tratando especialmente das seguintes atividades:

III – controle de trânsito de animais e plantas; “ . 

Além disso, a descentralização do TRÂNSITO AGROPECUÁRIO da agência, impactou na descentralização e no monitoramento dos Indicadores da Qualidade dos Serviços Veterinários, “4.10.3.2. Indicadores e fiscalização da movimentação”.


IV – BANCO DE TALENTOS E MERITOCRACIA: O FIM DO APADRINHAMENTO

Toda assunção de cargo ou função de gestão será precedida de análise do Banco de Talentos da Agência, que deve ser normatizado por portaria, com critérios objetivos, públicos e definidos: formação, titulação, experiência, desempenho e resultados entregues.

A ADAPAR tem um quadro excelente de profissionais, especialistas, mestres e doutores espalhados por todo o Estado. É inaceitável que esse capital seja preterido por afinidade pessoal, grupos de fraternidade, irmandade, nepotismo conjugal ou conveniência política. Quem quiser gerir a ADAPAR que demonstre mérito, não proximidade.

Manter um banco de talentos institucional não formalizado e ignorá-lo nas nomeações é esvaziar sua finalidade e desrespeitar de forma vil os servidores que se qualificam e legitimamente aspiram a ocupar cargos na instituição indo de encontro ao OE 13 - Melhorar o clima organizacional. 

O servidor na ilusão de crescer na instituição pela capacitação é preterido por indicadores sociais: amizade, interesses difusos, nepotismo, fraternidades, entre outros. Chega! Esta “meritocracia social funcionava no século XX”. Estamos exaustos disso!!!

V – CARGOS DE GESTÃO PARA QUEM É DA CASA

Os cargos e funções de gestão da ADAPAR, de qualquer espécie e em qualquer nível, devem ser preferencialmente ocupados por servidores do quadro próprio. 

Cada cargo entregue a alguém de outra instituição é, ao mesmo tempo, um servidor qualificado preterido, indo de encontro à instituição de um Banco de Talentos instituído pelo Planejamento Estratégico que hoje é disfuncional.

Diremos com clareza a qualquer governo: a ADAPAR não será mais uma autarquia com a prática conhecida como “transferência de problemas”, fenômeno administrativo em que a movimentação de um servidor, dirigente ou unidade organizacional entre órgãos ou entidades públicas resulta na migração de servidores com problemas funcionais pretéritos em suas instituições de origem; sejam eles comportamentais, gerenciais ou éticos, para a nova instituição, sem que suas causas tenham sido previamente enfrentadas ou corrigidas. 

É, no mínimo, estranho que cargos de integridade e de controle interno sejam ocupados atualmente por servidores celetistas de outras instituições, que atuam na observância e na execução dos nossos serviços, que são típicos de Estado, como polícia administrativa, uma excrescência administrativa.

Além disso, atualmente, 10% da força laboral é composta por servidores que vieram de outras instituições e os motivos todos nós sabemos: transferências políticas ou foram convidados a irem embora, por improdutividade, por problemas de relacionamento interpessoal ou apadrinhamento, sendo a Adapar um refúgio para o descarte funcional, inclusive recentemente um servidor de fora do quadro foi preso, maculando a imagem da instituição. Isso vai de encontro ao nosso OE 06 - Elevar a percepção do valor público da Adapar. 

VI – FIDELIDADE À MISSÃO E AO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO

A gestão seguirá fielmente a missão, a visão e os valores da ADAPAR e o seu planejamento estratégico. Planejamento não é peça decorativa na parede para auditoria: é contrato da gestão com a instituição e com a sociedade. Repudiamos a descontinuidade e o monitoramento injustificado de programas a cada alternância de comando. Revisar é legítimo quando há diagnóstico técnico, participação e registro. 

VII – NEPOTISMO: COMBATER E DENUNCIAR

Combateremos e denunciaremos aos órgãos de controle toda forma de nepotismo, direto ou cruzado, nos termos da Súmula Vinculante nº 13 do STF. Toda nomeação para cargo em comissão será precedida de declaração de inexistência de parentesco impeditivo, sujeita a verificação. Estaremos vigilantes na ocupação de cargos !

E assumimos o compromisso que falta na cultura administrativa: não nos calaremos!  Denunciar nepotismo com fundamento não é deslealdade institucional, é a sua forma mais nobre de exercer a cidadania e o estatuto do servidor público do Estado do Paraná.

VIII – CONTRA O CORPORATIVISMO

Rejeitamos o corporativismo que protege o mau servidor à custa da instituição e dos bons. Apurada infração grave — com contraditório e ampla defesa, como assegura a Lei Estadual nº 6.174/70, defendemos a sanção cabível, inclusive a perda do cargo de gestão, não importa a posição hierárquica nem as relações pessoais do infrator.

E que fique claro: este compromisso vale também para cada um de nós. Um movimento que nasce para mudar o status quo não pode reproduzir, em benefício próprio, a blindagem que critica nos outros.

IX – UMA ADAPAR CONHECIDA E RESPEITADA 

Uma instituição invisível é uma instituição vulnerável: não atrai orçamento, não retém talentos e não resiste a ingerências. Trabalharemos para que a classe política e a sociedade saibam o que está em jogo quando a defesa agropecuária funciona — e o que se perde quando ela falha: segurança alimentar, sanidade dos rebanhos e lavouras, saúde pública, desenvolvimento territorial sustentável, mercados internacionais e a competitividade do agronegócio paranaense.

Devemos ter como prática contínua comunicar os resultados das nossas ações.

É necessário e urgente melhorar as condições de infraestrutura decadente dos escritórios locais e demais unidades administrativas que são motivo de vergonha e abandono da carreira da maioria dos novos servidores adaparianos. 

Reduzir a estrutura física dos Escritórios Locais, ampliar os serviços digitais e alocar servidores em municípios com melhor qualidade de vida deve ser um princípio humanístico institucional inegociável. 

Manter um Escritório Local em um município sem estrutura por mero devaneio e interesse político sem sentido deve ser repelido com todas as nossas forças, pois a sanidade psíquica em um servidor abandonado em um lugar de trabalho decadente e sem estrutura, deve ser maior que os interesses políticos locais e da Direção Executiva. 

Um dos primeiros atos de humanidade da nova gestão é a criação de um grupo de trabalho para que isto ocorra priorizando a melhoria da qualidade de vida do servidor.

X – RECURSOS NACIONAIS E INTERNACIONAIS

Defendemos uma frente permanente de captação de recursos: convênios, cooperações técnicas, emendas parlamentares, fundos setoriais, organismos multilaterais e parcerias com instituições de pesquisa e fomento, para financiar modernização, infraestrutura, tecnologia e capacitação, sempre com rigorosa prestação de contas.

Agência que depende só do tesouro estadual negocia sua autonomia a cada ciclo orçamentário. Diversificar fontes é condição de independência técnica e estratégica.

A ADAPAR QUE QUEREMOS EM 2030

Uma Agência em que o servidor da ponta sabe por que seu chefe foi escolhido e sabe que pode ser o próximo, se demonstrar mérito. Em que o projeto bem-feito sobrevive à troca de governo. Em que ninguém precisa de padrinho para crescer, nem de coragem heroica para denunciar. Em que o produtor, o deputado e o cidadão sabem o nome da instituição que protege a comida no seu prato e o ambiente de produção, com o convívio entre os diversos modos de produção do orgânico ao convencional.

Nada disso é utopia. É gestão pública bem-feita e está ao nosso alcance.

COMPROMISSO E CONVOCAÇÃO

Também será levada aos candidatos ao Governo do Estado no pleito de 2026, dos quais cobraremos posicionamento público sobre cada um dos dez princípios.

Senhores candidatos, é preciso lembrar: durante a pandemia de covid-19, a Adapar manteve suas atividades essenciais ininterruptamente, todos os dias do ano, 24 horas por dia, mesmo diante das adversidades e da perda de um de seus servidores. Esse compromisso ficou sintetizado em um lema que expressa a dedicação de todo o corpo funcional: “A Adapar não para!”

Os subscritores acompanharão anualmente o seu cumprimento e se manifestarão formalmente, perante as instâncias de governança e os órgãos de controle, sempre que houver descumprimento.

Esta Carta foi escrita para você, dedicado servidor. Quem ama a instituição, para quem abre os escritórios locais de manhã nos mais distantes rincões do estado e se mantém na barreira sanitária de noite. Para quem já viu colega qualificado ser passado para trás e engoliu em silêncio. Para quem entrou na ADAPAR acreditando que serviço público se faz com técnica — e ainda acredita, apesar de tudo.

Não pedimos que você confie em nós. Pedimos que você confie no que está escrito aqui e que cobre, de nós e de qualquer gestão, cada linha. A ADAPAR de 2030 começa a ser decidida agora, e será decidida por quem tiver a disposição para assinar o próprio nome embaixo daquilo que defende.
 
ASSINE. A CASA É NOSSA  !!!! 

É aqui, na Adapar, que construímos muito mais do que uma carreira: construímos a vida e o futuro de nossas famílias. É o nosso trabalho que leva dignidade, educação e o alimento para dentro de casa, ampara nossos pais e mães, abre caminhos para nossos irmãos e oferece esperança aos nossos filhos e netos. Por isso, defender a Adapar é também defender cada pessoa que amamos e tudo o que, com esforço e dedicação, conquistamos juntos.

Este abaixo-assinado chegará às mãos dos candidatos e de todos os atores estratégicos do nosso agro, para que cada um assuma publicamente seu compromisso com o futuro da Adapar e da defesa agropecuária paranaense.
 
Adaparianos Unidos, 

Paraná, 28 de setembro de 2026
 
 
 

 

Os tomadores de decisão

Academia
Academia
ADAPAR
Produtores rurais
Produtores rurais
ADAPAR
Sociedade organizada do agro
Sociedade organizada do agro
ADAPAR
Candidatos ao Governo do Paraná
Candidatos ao Governo do Paraná
ADAPAR

Atualizações do abaixo-assinado