Carta aberta à DIRPS

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Uberlândia, 10 de Maio de 2019.

À banca de Língua Portuguesa da DIRPS,

Nota de insatisfação e de repúdio à prova de Língua Portuguesa do vestibular da Universidade Federal de Uberlândia.

Este ano, 26370 candidatos se inscreveram no processo seletivo para disputar uma das 1654 vagas ofertadas na Universidade Federal de Uberlândia, com uma taxa no valor de R$ 117,00. Todo ano, a prova é comentada pelos professores de colégios e de cursinhos pré-vestibulares, tendo a de Língua Portuguesa se destacado, infelizmente, pela sua falta de coerência e de construção diante das questões.
O sentimento de frustração é compartilhado por todos aqueles que investiram tempo, recursos emocionais e financeiros para se prepararem para o vestibular da universidade e se depararam com uma prova mal elaborada, cujo propósito, o de selecionar os candidatos capacitados para preencherem as vagas ofertadas, se perde.
Embora a banca examinadora busque dar voz àqueles que se opõe ao gabarito preliminar proposto pela universidade, o que demonstra o seu caráter democrático e dialogal, essa atitude se prova, ano após ano, como um projeto demagógico para amenizar os problemas oriundos de uma prova, muitas vezes, má formulada, sem quaisquer critérios de seletividade, ao colocar o aluno numa situação de dubiedade na maior parte das questões.
Para mais, há de se destacar que os próprios professores de língua portuguesa não foram capazes de se chegar a um consenso na maioria das questões deste ano, o que não acontece pela primeira vez. Ora, qual é o propósito de se abrir para contestações, se essas não refletem na melhoria da qualidade das questões de todas as disciplinas no ano seguinte, não são respondidas de maneira clara e contundente, e continuam a prejudicar alunos todos os anos? Isso não é rigor, é fracasso instituído.
Nesse contexto, o lema “UFU, um bem público a serviço do Brasil”, ostentado pela universidade, é incoerente com o processo de seleção de seus alunos. De que adianta a excelência acadêmica, e aqui se destaca as pesquisas e a história da universidade, se a ocupação das vagas é feita de maneira quase arbitrária por aqueles que tiveram não o melhor preparo, mas a sorte de assinalar a alternativa proposta como correta em questões com mais de uma proposição atendendo ao comando da questão?
A UFU dispõe de um conteúdo programático que se destaca pela sua ampla gama de conteúdos comtemplados e isso é uma ferramenta importante para a construção de uma prova que selecione alunos visando atender às demandas do ensino superior. Nesse processo, pais, alunos e professores se envolvem, cientes que o ensino é um agente transformador social, visando, assim, o ingresso dos estudantes numa graduação. Logo, é revoltante o descaso, numa prova desestruturada e desestruturante, repleta até mesmo de erros gráficos, bem como o silêncio da universidade ano após ano, num profundo desrespeito com a comunidade escolar.
Assim, exigimos uma retratação pública e a coerência ao analisar os pedidos realizados nas contestações em nome da lisura do processo. E, cabe destacar, vale para todas as disciplinas, pois não somente a língua portuguesa tem um histórico de problemas. É importante, também, pela universidade, garantir um compromisso de diálogo e de responsabilidade com todos os envolvidos, para se efetivar, em sua completude, o lema tão pregado pela instituição.

Respeitosamente,

Nós pais, alunos, professores