CARTA DE APOIO À LUTA DOS ESTUDANTES PELO RU UNIVERSAL

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O papel do/da educadora é o de transmitir às novas gerações os saberes que as tornem aptas a encontrar as soluções mais coerentes aos conflitos sociais de seu tempo histórico. Diante do contexto da intensificação da crise do capital que assola a sociedade brasileira, redundando no desmonte dos direitos sociais dos/das trabalhadoras brasileiras, nos depararmos com os estudantes se levantando contra o fim da universalidade do RU e o aumento do preço das refeições, para nós, é o sentimento de dever cumprido.

Há quem defenda o fim da universalidade como medida justa para o enfrentamento aos privilégios. Essa atitude, no fundo, esconde a espúria escolha entre a permanência dos estudantes na Universidade e a garantia dos lucros privados. Assim, entre a universalidade do RU e a privatização a conta-gotas da Universidade, a opção da Administração Superior tem sido cada vez mais clara.

O aumento do RU é mais uma expressão do projeto de desmonte da Universidade pública e gratuita, junto com todos os demais direitos sociais da classe trabalhadora brasileira. Tratar a questão do RU como uma questão exclusivamente contábil implica recusar a discussão sobre as garantias necessárias à existência da Universidade Pública e Gratuita, assim como resignar-se à destruição de tudo que é público, aprofundada pelo governo ilegítimo de Michel Temer. É fundamental compreender, nesse sentido, que a aprovação da Emenda Constitucional 55 em 2016, mesmo sob intenso protesto de professores e servidores, bem como as ocupações estudantis de escolas e de universidades, congela por 20 anos os investimentos sociais, a contar a partir de 2018.

Neste primeiro ano de vigência do congelamento dos investimentos sociais, Temer cortou mais 600 milhões de reais da educação. Na UFMT foram cortados mais de 4 milhões. Isso, evidentemente, obriga a gestão a promover cortes, já que tais recursos foram contingenciados para ser enviados para bancos.

Hoje cortam recursos do RU; amanhã, das pesquisas e extensões, das carreiras e, assim, passo-a-passo, a primazia de lucro dos bancos desmonta a Universidade pública e gratuita, produtora de ciência e tecnologia para o desenvolvimento do país, até que deixe de existir, para ser substituída pela universidade mercantilizada, em função de lucros privados.

Mas o direito ao RU universal não é apenas obstacularizado pelos lucros dos bancos. A execução do RU, intermediada pela terceirização, leva à precarização e ao encarecimento do serviço. No caso, no contrato do RU, o lucro à empresa é da ordem de 11%. Como consequência da terceirização, a empresa privada que se beneficia desse contrato transforma o preço da refeição no RU (R$ 12,90) mais caro que em restaurantes privados ao redor da Universidade.

A alimentação dos/das estudantes não pode estar à mercê dos lucros privados! A Universidade pública, gratuita, de qualidade, democrática e socialmente referenciada é de interesse nacional! Afinal, um país livre e soberano requer alto desenvolvimento educacional, científico e tecnológico. E, para isso, é preciso garantir que os estudantes ocupem seus espaços e exerçam seus direitos não apenas à educação de qualidade, mas ao mais elementar, que é o direito à alimentação. Por isso, reivindicamos o RU como direito (não mercadoria) e a serviço das necessidades humanas: como política de segurança alimentar, de assistência e permanência estudantil; como equipamento social que pode ser potencializado e utilizado pela Universidade como espaço de pesquisa e extensão; como medida de fomento aos pequenos produtores de alimentos da comunidade que cerca a Universidade; e toda a diversidade de possibilidades que se abrem quando este direito não é capturado pela lógica mercantil da prestação de serviços.

Um projeto que ouse conceber bibliotecas e universidades como mais importantes que os bancos e os lucros privados requer uma atuação política que enfrente as medidas de austeridade neoliberais, reverta a Emenda Constitucional n. 55 e defenda a Universidade Pública para todos!

Por tudo isso, apoiamos a luta dos estudantes pelo RU Universal, a R$ 1,00!

Caso deseje mostrar o seu apoio, assine a carta colocando o seu nome, Faculdade/Instituto e Departamento.



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