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Declaração e Compromisso Fé no Clima

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Vamos pressionar nossas lideranças governamentais/parlamentares a assumirem posturas ambiciosas na direção de políticas locais, regionais, nacionais e globais que considerem os atuais cenários previstos para as mudanças climáticas, promovendo ações de educação, adaptação e mitigação adequadas que privilegiem a boa vida e a proteção daqueles em situações de maior vulnerabilidade.

A Declaração e Compromisso Fé no Clima foi gerada a partir do Encontro Internacional Fé no Clima, fruto da iniciativa Fé no Clima (ISER/GIP) que visa reunir lideranças religiosas diversas no debate sobre mudanças climáticas. A Declaração foi inicialmente subscrita pelas 12 lideranças que participaram do Encontro e agora queremos dar amplitude a seus pleitos, buscando adesões nacionais e internacionais, mostrando que religiosos e não religiosos no mundo inteiro estão mobilizados por esse tema e exigem de suas lideranças posturas ambiciosas, não só na Conferência do Clima em Paris (em dezembro de 2015), mas também depois dela.

Leia abaixo a Declaração e Compromisso Fé no Clima e assine a petição!

Declaração e Compromisso Fé no Clima

Comunidades Religiosas e Mudanças Climáticas

Introdução

·               Reunidos a convite do Instituto de Estudos da Religião (ISER), em parceria com Gestão de Interesse Público (GIP), no Encontro Internacional Fé no Clima, ocorrido em 25 de agosto de 2015 no Rio de Janeiro, enquanto representantes de diversas comunidades religiosas regionais, nacionais, internacionais e transnacionais, vimos compartilhar nossas convergências de percepções e aspirações em torno do tema das mudanças climáticas.

·               Consideramos que essas percepções e aspirações, na medida em que sejam conhecidas e disseminadas no interior das nossas comunidades religiosas, contribuirão de maneira substantiva para promover na esfera local mudanças comportamentais e éticas — individuais e coletivas —, que se somarão aos compromissos sociais, econômicos e políticos a serem assumidos pelos governos em suas esferas regionais, nacionais e nos fóruns internacionais.

·               O debate sobre as mudanças climáticas não pode se dar descontextualizado das questões sociais, econômicas e ambientais. O risco que se corre com isso é o de que este importante desafio de lidar com a mudança do clima se torne apenas mais uma “bandeira”, sem uma reflexão mais profunda sobre seus impactos no aprofundamento das desigualdades e na geração de disputas de política econômica global. Esse debate deve ser apreciado à luz da justiça social, das questões ambientais mais amplas e da busca de equidade econômica.

·              O grupo de lideranças comunitárias e religiosas, comprometido com a agenda ambiental, reunido na iniciativa Fé no Clima espera dar um testemunho vivo da possibilidade de comunhão de percepções, aspirações e ações concretas para a construção de um mundo mais saudável e respeitoso, mesmo em face da mais ampla diversidade de crenças e pertenças e inclusive de não crenças.

Percepções comungadas

·               A Ciência vem demonstrando que o estado de dilapidação do planeta Terra e o agravamento das mudanças climáticas foram provocados pela ação humana recente (Antropoceno). O conjunto de ações que conduziram o planeta à situação presente foi baseado em uma mentalidade dominante que acreditava e agia como se o ser humano fosse algo isolado das complexas relações que possibilitam a vida. Nossos fundamentos sagrados, no entanto, encontram uma forte convergência na percepção de que o ser humano é tão importante no planeta Terra (Mamapacha, Irê, Casa Comum) quanto os outros entes animados e não animados que aqui vivem. A interdependência entre todos os seres é a consciência que devemos promover em nossas comunidades, se quisermos propiciar uma transformação ética e comportamental sistemática e planetária.

·               Consideramos que enquanto a lógica da competição dominar a vida humana em sociedade e prevalecer na base das razões dos Estados e nos campos de negociação da diplomacia global, pouco ou nenhum avanço conseguiremos no sentido de tornar a vida planetária mais justa e segura. Baseados em nossos fundamentos sagrados comungamos a ideia de que o espírito de colaboração e cooperação pavimentam o caminho de uma vida em sociedade mais saudável e digna para todos e cada um dos nós, em harmonia com o ambiente e nossas diferenças intrínsecas. O espírito de colaboração e responsabilidade compartilhada é o que devemos promover em nossas comunidades, se quisermos propiciar a sustentabilidade da comunidade e do planeta, onde cada pessoa conhece e defende os seus direitos, aceita e se compromete com as suas responsabilidades.

·               Entendemos que para a mobilização das nossas comunidades em torno do tema das mudanças climáticas devamos nos aproximar da Ciência e dos Saberes Tradicionais com igualdade de respeito e valoração. Cada uma destas formas de produção de conhecimento, à sua maneira, nos oferece evidências do estado atual do planeta e os horizontes possíveis para ações transformadoras. Nossas experiências com ações sociais e educativas desenvolvidas em nossas comunidades demonstram que percepções e conceitos são melhor compreendidos e assimilados quando apresentados a partir de experiências vividas. Assumimos o compromisso de  expressar as discussões sobre mudanças climáticas em uma linguagem que faça sentido para nossas comunidades e que nos permita refletir sobre como podemos transformar nossos modos de vida, promovendo sensibilização e mobilização efetiva sobre o tema.

·               Consideramos a juventude o grande ator potencial da transformação de que necessitamos. As gerações passadas, incluindo-se a nossa, agiram equivocada e inconsequentemente, e disto estamos conscientes. Os jovens das nossas comunidades são os principais agentes da transformação desejada e aqueles que construirão — assim o esperamos — um planeta mais saudável para acolher os sonhos e as aspirações humanas. Devemos agir imediatamente, veiculando esta mensagem de confiança na juventude e em sua capacidade de transformação de uma forma abrangente e eficaz, utilizando todos os meios de comunicação ao nosso alcance e uma linguagem positiva, se desejarmos que as chances de um futuro saudável e seguro estejam garantidas para as gerações atuais e futuras.

Aspirações compartilhadas

·               Sem negar nossa preocupação com as tristes perspectivas que se apresentam sobre o futuro da vida humana no planeta Terra, acreditamos na potência transformadora que reside na comunhão de aspirações das diversas comunidades religiosas do mundo. Congregados na intenção de transformar o paradigma de desenvolvimento vigente, pautado equivocadamente na visão de que a proteção ao meio ambiente é um obstáculo ao crescimento econômico e à promoção do bem-estar de nossas sociedades — e sua correlata mentalidade predadora — desejamos contribuir com a promoção de importantes transformações éticas e comportamentais — individuais e coletivas — na direção de uma Criação que reflita esforços de cuidado, conexão espiritual e justiça social, econômica e ambiental.

·               Entendemos como fundamental que a sociedade, por intermédio também das suas comunidades religiosas, envolva-se assertivamente na discussão sobre as mudanças climáticas, a responsabilidade que temos sobre elas e o que podemos fazer, individual e coletivamente, para mudar nosso estilo de vida,  interagindo com seus governos e instituições especializadas no processo de construção de uma agenda global de enfrentamento da crise climática, anunciadas pela Ciência e que só vem agravando, decorrentes das ações humanas predatórias.

·               Convocamos as comunidades religiosas a demandarem que seus governos nacionais assumam metas ambiciosas na Conferência do Clima (COP 21), que ocorrerá em Paris em dezembro de 2015, para promover: 1) a redução substancial das emissões de gases com efeito de estufa compatível com a necessidade de limitar o aumento da temperatura global a 2 graus Celsius até 2100; 2) a preservação da biodiversidade em todos os biomas; 3) o controle do desmatamento; 4) ações de adaptação em benefício das populações mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas; 5) a garantia de preservação de tradições culturais e modos de vida; 6) o combate à fome e à indignidade, e 7) a adoção preferencial de fontes de energia renováveis e de tecnologias limpas.

·               Que a presente declaração seja nosso compromisso coletivo para um clima ambiental e relacional mais saudável entre todos os seres da Terra.

 

Rio de Janeiro, 25 de agosto de 2015.

 

André Trigueiro – Espiritismo

Jornalista com pós-graduação em Gestão Ambiental pela COPPE/UFRJ, autor de livros como Mundo Sustentável e Espiritismo e Ecologia, Professor de Jornalismo Ambiental da PUC/RJ e repórter da TV Globo. Desde 2006 é editor-chefe do programa “Cidades e Soluções” da Globo News. É comentarista da Rádio CBN, na qual apresenta aos sábados e domingos o quadro “Mundo Sustentável”; e na Rádio Rio de Janeiro apresenta o quadro “Ecologia e Cultura”. http://www.mundosustentavel.com.br/andre-trigueiro/

Pastor Ariovaldo Ramos – Evangélico

Ariovaldo Ramos é escritor, articulista e conferencista com larga experiência na missão da igreja. Ariovaldo foi presidente da AEVB (Associação Evangélica Brasileira), Missionário da SEPAL, e presidente da Visão Mundial no Brasil. Atualmente ministra na Comunidade Cristã Reformada. http://www.ariovaldoramosblog.blogspot.com/

Mãe Beata de Yemonjá – Iyalorixá do Ilê Omi Ojuarô

Iyalorixá fundadora do terreiro Ilê Omi Ojuarô, personagem histórica do movimento interreligioso do Rio de Janeiro, líder feminista de religiões afro-brasileiras. http://mapadecultura.rj.gov.br/manchete/mae-beata-de-iemanja

Dolores (Inkaruna) Ayay Chilón – Tradição andina, Peru

Consultor e professor do idioma Quechua e Presidente da Organización Nacional de las Comunidades Indígenas: Aimaras, Amazónicos y Quechuas del Perú-Región Cajamarca e Presidente da Confederación de los Clarineros y Cajeros de Cajamarca, no Perú.

Mãe Flavia Pinto – Sacerdotisa de Umbanda

Socióloga, sacerdotisa de Umbanda do Centro Espírita Casa do Perdão, ativista do Movimento Negro, coordenadora de projetos sociais, experiência em planejamento e gestão de políticas públicas, colunista de rádio, escritora, palestrante. Membro do Comitê de Diversidade Religiosa do Ministério da Justiça, Integrante do Grupo para Enfrentamento a Intolerância Religiosa da Secretaria Estadual de Direitos Humanos do Rio de Janeiro; Membro da Comissão Organizadora da 1° Conferência Municipal de Direitos Humanos do Rio de Janeiro; Assessora da Coordenadoria de Direitos Humanos do Município do Rio; Ganhadora do Prêmio Nacional de Direitos Humanos 2011 entregue pela presidenta Dilma Rousseff. http://www.casadoperdao.com.br/#!os-dirigentes/ctig

Reverendo Fletcher Harper - Pastor Episcopal, Estados Unidos

Pastor Episcopal, diretor executivo da GreenFaith, uma coalizão multireligiosa ambientalista norte-americana. Premiado autor e pregador sobre questões ambientais, tem desenvolvido programas inovadores para tornar a GreenFaith uma líder no movimento religioso e ambiental no mundo. Cursou graduação em Teologia em Princeton University, atuando como pastor por dez anos antes de se juntar a esta organização. É autor do livro GreenFaith: mobilizando as pessoas de Deus para Proteger a Terra (Abingdon Press, março de 2015). http://www.greenfaith.org

Padre Josafá Carlos de Siqueira S.J. – Igreja Católica

O Professor e Padre Josafá Carlos de Siqueira SJ, é um sacerdote jesuíta, Doutor em Biologia Vegetal e professor do Depto. de Biologia da PUC-Rio. Na Universidade fundou o Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente (NIMA). Possui mais de 50 artigos publicados em periódicos científicos, sendo autor de 15 livros na área de biologia, ética e espiritualidade ecológica. Nos últimos anos tem se dedica ao ensino e pesquisa na área de ética socioambiental, onde os seus livros mais conhecidos são: Ética e Meio Ambiente, Ética Socioambiental, Rio+20 reflexões sobre sustentabilidade socioambiental. Como atividade na área de pastoral ecológica, tem orientado retiros ecológicos no Rio de Janeiro, São Paulo, Piauí, Goiás e Brasilia, onde seus livros mais divulgados são: Espiritualidade e Meio Ambiente, Um olhar sobre a Natureza, Orações Ecológicas, Meditações Ecológicas de Inácio de Loyola e a Espiritualidade Ecológica dos Jesuítas. Atualmente é o Reitor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

Kola Abimbola - Babalorixá yorubano, Nigéria

Babalorixa Yorubano, filósofo, pesquisador, articulista e acadêmico nigeriano com atuação na área de ética, política e justiça. Kola é o editor do Journal of Research Forense e Criminologia. Foi Presidente da Sociedade Internacional de Filosofia e Estudos Africanos entre 2006-2010, e do Conselho Britânico Commonwealth Acadêmico Acadêmico entre 1989-1992. Atualmente atua no campo da ética ambiental a partir das experiências religiosas Yorubanas. http://www.abimbola.net

Txai Leopardo Yawa Bane - Tradição indígena Huni Kuin

Leopardo Yawa Bane, indígena do povo Huni Kuin (“Povo Verdadeiro”) do Acre, vem conduzindo cerimônias de Ayahuasca em São Paulo. Há 10 anos, trabalha com a planta de poder, valorizando sua tradição e divulgando sua cultura na cidade. Através das cerimônias, das pinturas e de outras medicinas, como o Rapé, Sananga e Kambô, Leopardo Yawa Bane traz o conhecimento de seus ancestrais, de seu povo.

Rabino Nilton Bonder – Tradição judaica

Rabino e líder espiritual da Congregação Judaica do Brasil, é doutor em Literatura Hebraica pelo Jewish Theological Seminary e dirige o Centro de Cultura Midrash no Rio de Janeiro. É autor de livros reconhecidos nacional e internacionalmente sobre diversos temas vistos sob uma ótica judaica. http://www.niltonbonder.com.br

Lama Padma Samten - Monje budista

Monje Budista, físico, escritor, palestrante e fundador do Instituto Caminho do Meio – Centro de Estudos Budistas Bodisatva (CEBB). Lama Padma Samten tem orientado profissionais e acadêmicos de diferentes áreas, que buscam aprofundar e qualificar suas teses, estudos e atuações profissionais, a partir de uma interface com a espiritualidade, de modo geral, e com o budismo, de modo específico. Ciência, psicologia, saúde, sociologia e educação são algumas das principais áreas em que este diálogo acontece. http://www.cebb.org.br/lamasamten/

Pastor Timoteo Carriker – Pastor Presbiteriano

Bacharel em Ciências da Religião da Universidade de Carolina do Norte em Charlotte (E.U.A.), Mestrado em Divindade no Seminário Teológico Gordon-Conwell (E.U.A), Mestrado em Missiologia na Escola de Estudos Interculturais de Fuller (E.U.A.), e Ph.D em Estudos Interculturais na Escola de Estudos Interculturais de Fuller (E.U.A.). É professor, Pastor, membro do Capelão da Rocha Brasil (ONG cristã ambiental) há 8 anos, escritor e editor (da Bíblia Missionária de Estudo, inclusive com reflexões socio-ambientais); teológo e missiólogo da Igreja Presbiteriana independente do Brasil. http://ultimato.com.br/sites/timcarriker/; https://www.facebook.com/pages/Timóteo-Carriker/880251505395962;http://www.timcarriker.com/

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