Pista de skate e área de lazer no Jardim Romano

Pista de skate e área de lazer no Jardim Romano

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Kevin Nascimento criou este abaixo-assinado para pressionar Subprefeitura de São Miguel Paulista

QUEREMOS NOSSA PISTA! JÁ PASSOU DA HORA!
Este abaixo-assinado está sendo organizado pelos residentes do bairro Jardim Romano, Zona Leste de São Paulo, apoiadores no que refere-se a solicitação de uma área de lazer que contenha uma pista de skate.
O bairro Jardim Romano, localizado no extremo Leste da periferia de São Paulo, possui inúmeros problemas sociais, dentre os quais: a falta de espaços e equipamentos específicos de lazer e incentivo ao esporte e à cultura. O bairro possui uma quantidade considerável de skatistas que, em função da falta de um espaço específico, utilizam as ruas da região e frente da E. E. Professor José Bonifácio Andrada e Silva Jardim como local para a prática do esporte. As escolas da região não possuem estímulo e subsídios do Governo do Estado e, em razão disso, não conseguem realizar trabalhos e projetos relevantes de inclusão social para com a comunidade e com esse grupo de skatistas que cresce a cada dia, além de não haver um interesse em recebê-los.
Atualmente o skate tem sido um dos esportes que mais cresce no país. Segundo última pesquisa realizada pelo Instituto Data Folha, 2016, encomendada pela Confederação Brasileira de Skate - CBSK, o número de praticantes de skate contabiliza cerca de 8,5 milhões no país, sendo que destes 81% são homens e 19% mulheres. Estes dados nos mostram um crescimento de mais de 100% do número de skatistas no Brasil desde 2009, quando o número de praticantes era de 3,9 milhões. Hoje, com quase nove milhões de praticantes, o mesmo está entre um dos “esportes” mais praticados no país. Tendo em vista o crescimento constante do número de praticantes desta modalidade, acreditamos que o skate seja uma ótima ferramenta de identificação juvenil e inclusão na cultura corporal de movimento.
Em função disso, embora a reivindicação por uma área de lazer e uma pista de skate seja antiga, mais recentemente, algumas lideranças de skate da região - Projeto Skate Poético (PROSKAP), Projeto Skate com Propósito e Associação Itaim "Skate or Die!" - iniciaram uma campanha mais incisiva no que se refere a essa demanda.
Atualmente existem dois terrenos na região para a construção dessa pista. Um desses terrenos pertence a Secretaria do Verde e Meio Ambiente e situa-se entre o CEU Três Pontes e os prédios "Terras Paulistas". Na planta, a entrada desse terreno é pela rua Capachós, que por sua vez está bloqueada em função do uso indevido por parte dos condôminos, que estão utilizando o espaço como estacionamento.
As condições do espaço consistem em um imenso lamaçal, além de ser um espaço ocioso e ponto para uso de drogas, proliferação de ratos, cobras, mosquitos, acúmulo de lixo e, eventualmente, carcaça de animais mortos. Além dessas condições, muitas crianças da região, sem nenhuma outra alternativa de lazer, no tempo livre de suas obrigações, se apropriam do espaço para brincar sem noção alguma do alto risco que correm de serem picadas por um animal peçonhento, contraírem leptospirose ou até mesmo se cortarem em cacos de vidro ou arame farpado.
Ao todo, a área consiste em um espaço de mais ou menos 1080 m² (60x18), e seria ideal para a construção de uma pista “Skate Plaza”, e equipamentos de lazer, como, por exemplo: um "playground" e aparelhos para pratica de exercícios físicos.
Por fim, no que se refere a esse terreno, temos este abaixo-assinado com mais de 1100 assinaturas, um ofício protocolado pela Prefeitura Regional de São Miguel Paulista e uma vistoria que foi realizada no local com vista à possibilidade de construção desses equipamentos de lazer e uma pista de skate.
Já no que se refere a reivindicação de uma pista de skate no CEU Três Pontes, é necessário contextualizá-la de maneira um pouco mais detalhada, uma vez que esse CEU, se não o primeiro, é um dos poucos a não ter uma pista de skate.
Nas eleições de 2004 a prefeita de São Paulo Marta Suplicy (PT), prometeu, caso fosse reeleita, a construção do Centro Educacional Unificado (CEU) Três Pontes, fato que não se consolidou naquele momento, em função da vitória do candidato de oposição José Serra (PSDB).
Com o término do mandato da prefeita Marta Suplicy, [...]. Na gestão seguinte, do prefeito José Serra (PSDB, 2005 - 2006) e em seguida de Gilberto Kassab (DEM, 2006 - 2008), a Secretária de Esportes pretendeu dar continuidade às políticas públicas voltadas ao skate, visto que esse esporte, segundo pesquisas, é um dos mais praticados entre crianças e jovens da cidade de São Paulo. (MACHADO, 2014, p. 47).
Assim, somente em dezembro de 2006, mesmo ano em que Serra renunciou do cargo e se candidatou ao Governo de São Paulo, fato que o levou a vitória em primeiro turno, seu vice, Gilberto Kassab (DEM), assumiu a prefeitura, dando início às obras do CEU Três Pontes, quando a “Secretaria de Infra-estrutura Urbana e Obras (SIURB), por intermédio do Departamento de Edificações (EDIF), iniciou as obras de construção com custo de R$ 28,4 milhões.”[2] Foi com o pronunciamento dessa obra que as esperanças de muitos skatistas do bairro foram renovadas, uma vez que:
Somente na gestão da prefeita Marta Suplicy (2000 - 2004), por exemplo, foram construídas mais de 60 pistas públicas de skate dentro do projeto de revitalização de praças ‘centros de bairro’ e nos Centros Educacionais Unificados, conhecidos como CEUs. (BRANDÃO, 2014, p. 190).
Naquela época, o Jardim Romano já possuía muitos skatistas e todos andavam nas ruas esburacadas do bairro, montando seus próprios obstáculos ou tendo que se deslocar cerca de 4/5 Km para a pista mais próxima, localizada no CEU Curuçá, se arriscando nas avenidas e ruas movimentadas.
Não obstante, esperávamos ansiosamente sermos contemplados com uma pista de skate, visto que todos os CEUs da gestão Marta Suplicy (PT) continham uma em seu projeto, como por exemplo nos CEUs Alvarenga, Casa Blanca, Cidade Dutra, Inácio Monteiro, Jambeiro, Navegantes, Parque Veredas, Pêra Marmelo, Perus, Rosa da China, São Mateus, São Rafael, Três Lagos, Vila Atlântica, Vila Curuçá, entre outros.
A maioria dessas pistas está localizada nos CEUs (Centros Educacionais Unificados), [...]. Com essa benfeitoria, os skatistas não precisariam mais se deslocar por longas distâncias para acessar as poucas pistas públicas, nem pagar para praticar em um espaço privado. (MACHADO, 2014, p. 45-46).
No dia 31 de agosto de 2008, ainda sob a administração de Kassab, veio a notícia da inauguração do CEU Três Pontes, possuindo 11.205 m² de área construída em um terreno de 21.000 m², contando com um Teatro (“Chico Anysio”) com 184 lugares e 2 camarins; biblioteca; telecentro; 3 piscinas; 1 quadra coberta (ginásio); 1 quadra aberta; 1 sala de dança; 1 sala de ginástica etc. Entretanto, para a decepção de muitos skatistas, nenhuma pista de skate havia sido construída. Nesse momento de frustração, levando em consideração a esperança de ter uma pista de skate no local e tendo como exemplo os outros CEUs que possuíam tal projeto em sua planta, surge um questionamento: por que no CEU Três Pontes não há um local específico para a prática do skate? Na época não tínhamos de prontidão essa resposta, mas hoje sabemos que a administração Kassab modificou o projeto dos CEUs, além disso o “então prefeito Jose Serra, [...] havia anunciado em 2005 uma versão mais barata do CEU”.³
A partir dessa conjuntura, alguns skatistas do bairro começam a se organizar para reivindicar um espaço onde pudessem praticar essa atividade. No início, reivindicávamos a construção de uma pista, mas visto a dificuldade de alguns gestores em se expor ao levarem tal reinvindicação adiante, ou seja, aos órgãos mais competentes, como a Subprefeitura Regional de São Miguel Paulista e as Secretarias de Educação e do Esporte – estabelecendo um diálogo entre ambas – começamos, de imediato, a reivindicar qualquer espaço que pudesse ser utilizado para a prática do skate, como quadras poliesportivas e/ou Bloco Esportivo Cultural (BEC), bem como um espaço para guardar nossos obstáculos, pois entendíamos que primeiro deveríamos ocupar o local para depois avançar com a nossa demanda.
Contudo, embora o CEU tenha uma perspectiva de acolhimento e integração da escola com a comunidade ampliada, evidentemente havia uma certa desconfiança e resistência em receber os skatistas no local. Para se ter uma noção, tínhamos sempre que deixar o skate na guarita quando era preciso conversar com os gestores. Geralmente os gestores eram sempre carismáticos, mas de modo algum aceitavam o skate, alegando que o mesmo depredaria o espaço, uma vez que o CEU não dispunha de nenhum equipamento específico para essa modalidade. Sempre tentávamos driblar a situação utilizando desse mesmo argumento, ou seja, o fato de que outras unidades possuíam uma área específica para o skate e aquela não, além da região não dispor de nenhuma outra área de lazer, então nada mais justo que nos fosse cedido um espaço para tal finalidade aos finais de semana.
Resumindo, como moradores do bairro e skatistas, desde a inauguração do CEU em 2008, lutamos por uma pista de skate. No que se refere a esse local, além deste abaixo-assinado, já temos um ofício assinado pelo vereador George Hato, que se propôs em acompanhar essa demanda e uma vistoria que foi feita no local.
Várias promessas já foram feitas, mas até hoje tudo o que conseguimos foi um horário de meio período, aos finais de semana, em uma quadra que muitas vezes, no horário reservado para o skate, temos que dividir com praticantes de basquete ou futebol, coisa que atrapalha as atividades do Projeto Skate Poético, sobretudo no que diz respeito ao momento das aulas práticas de skate, logo o espaço torna-se pequeno e inviável para todos ocuparem ao mesmo tempo.
Juntando nossa luta desde 2008 ao nosso Projeto que tocamos desde 2016, surge a ideia de lutar pelo nosso direito constitucional, lutar por um espaço de lazer, por uma pista de skate adequada para todos os skatistas, no CEU e/ou terreno entre essa escola e os prédios "Terras Paulistas".
Nunca é demais lembrar que o direito ao lazer está na Constituição – artigo 6º, caput, artigo 7º, IV, artigo 217, § 3º, e artigo 227. O lazer está inserido no capítulo dos Direitos Sociais, e este, por sua vez, está inserido no Título dos Direitos Fundamentais[4].
A ideia de mover este abaixo-assinado virtual no que se refere ao uso dessas áreas é atender uma demanda emergente de skatistas que cresce a cada dia; ter um espaço voltado ao esporte, cultura e lazer; além da aplicação de projetos sociais e organização e promoção de eventos e, sobretudo, atribuir uma função social à uma área abandonada e ociosa que representa riscos a população local. Alguns vereadores já visitaram a área, fizeram promessas, colocaram empecilhos, entre outras artimanhas. Mas o recado é simples, e serve à todos, NÃO QUEREMOS PROMESSAS, QUEREMOS AÇÕES CONCRETAS!

 

São Paulo, 01 de agosto de 2020

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