Contra a permanência de Weintraub no Ministério da Educação

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NOTA DE REPÚDIO DO CENTRO ACADÊMICO VISCONDE DE CAIRU (CAVC) AO MINISTRO DA EDUCAÇÃO ABRAHAM WEINTRAUB


O Centro Acadêmico Visconde de Cairu (CAVC) se posiciona contra a gestão de Abraham Weintraub a frente do Ministério da Educação, no governo Bolsonaro. Ex-aluno, qualificado como persona non grata pelos estudantes da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA - USP), em assembleia realizada no no dia 14 de maio de 2019, Weintraub promove uma gestão obscurantista, que tem como foco principal o combate a um suposto marxismo cultural na educação e que promove um ataque sistemático à educação pública, gratuita e universal para todas e para todos, como preconiza a Constituição Federal de 1988.

Desde sua posse, o ministro protagoniza uma série de episódios que conduzem ao verdadeiro desmonte da educação brasileira. O primeiro ato do ministro, no mesmo mês de sua nomeação, foi a determinação do bloqueio de 30% das verbas do orçamento para custeio das universidades federais, comprometendo cerca de R$ 1,7 bilhão das instituições. Em um primeiro momento, o ministro adotou o critério nada republicano de que o corte seria feito em instituições que não apresentassem desempenho acadêmico esperado e, ao mesmo tempo, estivessem promovendo “balbúrdia” em seus campi. Frente à flagrante ilegalidade e de improbidade que tal critério representaria, Weintraub recuou e ampliou o corte para todas as universidades federais.


Como resultado de sua irresponsabilidade e de suas declarações grotescas e mentirosas, que envolveram inclusive acusações sem provas de que há, nas universidades federais, plantações de maconha e laboratórios de droga, mais de um milhão de pessoas se manifestaram, por todo o país, em defesa da educação. Essas manifestações, as quais ficaram popularizadas como 15M, foram o maior ato de repúdio ao governo Bolsonaro registrado até o momento.


Na pós-graduação, há que se mencionar o corte orçamentário das bolsas de mestrado e doutorado, de R$ 4,25 bilhões em 2019 para R$ 2,20 bilhões em 2020, comprometendo todo esforço de desenvolvimento nacional da ciência, tecnologia e inovação. Na educação básica, a renovação do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica), maior fonte de financiamento da educação brasileira, está paralisada no Congresso Nacional e conta com um ensurdecedor silêncio do governo Bolsonaro e com esse ministro que perdeu qualquer interlocução com o parlamento, como já declarou publicamente o presidente da Câmara dos Deputados.


O programa Future-se, lançado de forma autoritária, sem nenhum diálogo e apresentado como “a maior revolução na área de ensino no país dos últimos 20 anos”, nas palavras do próprio ministro, foi combatido por toda a comunidade acadêmica e fracassou. Além disso, a autonomia universitária, conquista secular de nossa sociedade, está ameaçada com a nomeação de verdadeiros “reitores biônicos”, rompendo com o ciclo virtuoso, que existia até então, do Ministério da Educação optar pela escolha dos reitores mais bem votados por suas respectivas comunidades.


O Ministério da Educação está refém de uma gestão (ou da falta dela) puramente ideológica, que prejudica diariamente brasileiras e brasileiros com suas políticas ineficazes, autoritárias e absurdas e com a descontinuidade e o desmonte de políticas de estado de reconhecido êxito, que perpassam diferentes governos. Não menos grave são os constantes erros, que atropelam o futuro e os sonhos de milhões de estudantes, como foi a gigantesca falha no último Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a evidência definitiva de uma administração precária, que prejudicou cerca de 6 mil alunos em razão de erros na correção da prova, que deveria ter sido a “melhor de todos os tempos”, comprometendo o Sisu e a expectativa de milhares de jovens na entrada para as mais de 500 universidades públicas e particulares do país, com exceção de um apoiador do governo Bolsonaro, que teve seu direito de revisão da nota assegurado, fora do prazo, pelo próprio ministro no Twitter, em mais um ato cristalino de improbidade administrativa.


As ofensas proferidas pelo ministro, muitas vezes em um péssimo português, são inaceitáveis e dirigidas indiscriminadamente a pessoas ou a entidades por meio do Twitter, de entrevistas a blogs extremistas ou em lives oficiais, demonstrando desrespeito com a população brasileira e irresponsabilidade com a altura e o decoro, exigidos ao cargo de ministro da Educação. Neste particular, não podemos deixar de repudiar veementemente os ataques proferidos por Weintraub diretamente contra educadores, a quem o ministro acusa de serem responsáveis pela “desconstrução da família”, e as constantes agressões contra o patrono da educação brasileira, Paulo Freire, que vilipendiam sua memória e sua obra.


Abraham Weintraub, enquanto ex-estudante da FEA - USP, nos decepciona duas vezes. A primeira, por todos os motivos acima mencionados e a segunda por desrespeitar a imagem e os ensinamentos de nossa Faculdade.


Pedimos a imediata renúncia de Abraham Bragança de Vasconcellos Weintraub por sua inaptidão à condução do Ministério da Educação.