Nota Pública de Solidariedade à Escola E.B. Araranguá

0 pessoa já assinou. Ajude a chegar a 1.500!


Expressiva parcela dos profissionais da Escola de Educação Básica de Araranguá manifesta nesta nota sua indignação diante de um ataque sofrido pelo conteúdo de um vídeo pessoal postado recentemente em redes sociais. Respondemos porque NÃO nos identificamos com qualquer uma das acusações e consequentemente rejeitamos todas elas.

Aderindo a uma paralisação nacional na sexta-feira 22/3, centenas de pessoas e diversas entidades protagonizaram um belo protesto contra a reforma da Previdência. O ato caminhou pelas ruas do centro de Araranguá e terminou com um abraço coletivo ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), instituição pública severamente atacada pela dita “Nova Previdência”.

Diante desse ato público, gravou-se tal vídeo a partir de um carro de luxo. Essa gravação dirige seu discurso contra os/as professores/as em geral e em particular aos da histórica E.E.B.A.

Trata-se de uma sequência de acusações e ofensas que não merecem uma resposta à altura. Jamais nos rebaixaremos a tal nível. Mas uma reposta, ponto a ponto, é sim merecida. Seguem abaixo reproduzidas as acusações e em seguida nossas respostas.

1 - Primeiro, acusa-se a presença de camisetas com os dizeres “Lula livre”.
→ Na verdade, uma pessoa entre as centenas vestia tal camiseta. Fica já aqui flagrante a má-fé do autor em tentar associar o movimento a qualquer partidarismo. Lembramos também que é comum nas manifestações Brasil afora o uso de diversas camisas, inclusive da CBF. Tal instituição tem dois ex-presidentes condenados, um preso e outro foragido, por crimes internacionais. Ou seja, camiseta é uma questão de escolha pessoal.

2 - Depois, acusa a presença de alunos no ato.
→ Todos alunos foram previamente dispensados e avisados acerca da paralisação de sexta-feira (22/3) e não foram convocados para o ato. Se compareceram não foi devido à suposta doutrinação, mas por seu agenciamento político, fruto da sua própria indignação com o fato de ter de trabalhar até os 65 anos de idade ou mais.

3 - Em seguida, acusa os professores da E.E.B.A de sofrerem de “demência”, “doença” e de serem “retardados”, pois deveriam se preocupar com a escola, “caindo aos pedaços”, em vez da reforma da Previdência.
→ Afirmamos que não temos nenhum tipo de preconceito com as doenças mentais que assolam os brasileiros. Afinal, elas exigem solidariedade e não desprezo. Não raro, sofremos sim de síndrome do pânico, síndrome de burnout, depressão e demais doenças que atingem o precarizado profissional da educação.
→ Por outro lado, somos plenamente capazes de pensar e nos preocupar com mais de um problema social. Assim - ao mesmo tempo que já fizemos atos de rua pela reforma da escola, já protocolamos pedidos no Ministério Público e já elaboramos um dossiê dos nossos pedidos de reforma – temos a consciência e a energia para nos preocuparmos com isso tudo e ainda com a reforma da Previdência, que afeta não apenas os professores mas todos trabalhadores e usuários do INSS no Brasil.
→ Destaca-se, nesse sentido, que justamente na mesma sexta-feira responsáveis da nossa Escola estavam discutindo novamente com autoridades públicas o caso da nossa reforma.
→ Afirmamos também que não somente a E.E.B.A. estava presente mas diversas outras entidades e escolas da região.

4 - O autor questiona então sobre nosso “tempo de escola ter sido pouco”, ou termos sofrido “doutrinação de 16 anos do PT”.
→ Temos ensino superior completo, fruto de estudos nas melhores instituições da região. Temos pós-graduação em diversos níveis. Temos dezenas de anos de experiência na área educacional. Assim, somos nutridos por concepções e expressões políticas das mais variadas matrizes e nenhuma delas é fruto de doutrinação, mas sim da trajetória intelectual e profissional de cada um. Logo, tampouco somos comentaristas de plantão que formaram sua “consciência social” nos últimos 2 ou 3 anos em correntes de redes sociais.

5 - Em seguida, acusa-nos de falta de “decência”, nos manda diversas vezes “garrar vergonha na cara”, “botar aluno na sala de aula” e “ir trabalhar”.
→ Entendemos que o lugar dos estudantes é na sala de aula mas também na biblioteca, no laboratório, nos ginásios de esportes, nas saídas de campo, etc. Se cada aluno, por sua própria consciência política desejar, também será seu lugar ao nosso lado nas ruas, assim como aconteceu com alguns casos no bonito ato do dia 22/3. Assim como aconteceu em diversas ocupações estudantis de escolas no nosso país nos últimos anos, sendo também antiga nossa tradição de luta dos secundaristas.

6 - Depois de destilar seu explícito desprezo e desrespeito pelos profissionais da educação que ousaram sair de dentro das suas salas de aula, acusando-os de “dementes” “vagabundos” e “indecentes”, o autor retoricamente nos convida para conversar e debater.

Eis aqui - e em breve nas ruas novamente - a nossa resposta.

Diante do exposto, afirmamos para toda a população de Araranguá e região, para nossos alunos e seus responsáveis, que nós não temos nenhum motivo para “garrar vergonha na cara”, pois não cometemos nenhum ato na nossa conduta profissional e social que nos geraria tal sentimento. Pelo contrário, apesar de comentários como esse, ainda temos garra, orgulho e sobretudo coragem de sermos professores, nas salas de aula e nas ruas quando necessário.

Respeitosamente,

Pela Seguridade Social do povo brasileiro,

NEM UM ANO A MAIS!

CONTRA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA!