Clamor dos professores do Estado de Minas Gerais

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Maio de 2017

 

Ao Sind-UTE/MG

 

Nós professores da rede estadual de ensino de Minas Gerais somos conscientes da nossa necessidade de união como classe trabalhadora para garantir o respeito à nossa dignidade de trabalhadores, condição essencial para a eficiência do nosso trabalho. Somos conscientes também que somos nós que estamos na linha de frente da educação escolar, somos nós os que mais temos contato com os estudantes, os que melhor conhecem a realidade da sala de aula e os que mais deveríamos ser ouvidos a respeito do tema. Contudo, não somos respeitados, não somos ouvidos e não somos devidamente valorizados.

 Embora já conquistamos muito, sabemos que ainda temos muito o que lutar para conquistar o devido respeito a nossa classe e não devemos ficar parados. Nossa dignidade é oprimida frequentemente: por muitos estudantes violentos contra os professores, por um considerável número de famílias que não colaboram com a educação dos próprios filhos, por várias autoridades políticas, pelo Ministério da Educação, pela Secretaria Estadual de Educação, por muitas Superintendências de Ensino, por muitas inspetoras, por muitas analistas, por muitos diretores, por muitos supervisores e todo um sistema corrupto que não garante eficiência no ensino-aprendizagem, o que tem piorado gradativamente com o passar dos anos, fato notável por diversos estudos nacionais e internacionais.

Queremos enumerar situações em que nossa dignidade está ameaçada e suplicar que sejam tomadas as providências necessárias para revertê-las, ainda que tais providências signifiquem mudanças na legislação.

- As faltas ao respeito à dignidade dos professores em sala de aula já atingiram dimensões insustentáveis, muitas vezes com argumentação de amparo legal em interpretações do Estatuto da Criança e do Adolescente, e de outros textos. Acontecem agressões psicológicas por parte de muitos estudantes através de troca de olhares, comentários de duplo sentido, apelos de cunho sexual tanto para humilhar quanto para sedução com finalidades maléficas etc. Tem ocorrido agressões verbais nas quais muitos estudantes fazem uso de palavrões, e outras formas de insultar os professores. Se dá ainda agressões físicas, quando professores tem levado pontapés, socos, empurrões, cadeiradas, jogo de ombro, ameaças com revólveres ou outras armas. Professores têm recebido ameaças, têm sido perseguidos e sofrido ameaças por estudantes não só dentro dos edifícios escolares, mas também em lugares públicos e situação que tem alcançado até mesmo as próprias residências. Professores têm sido obrigados a tolerar a presença de estudantes sob efeitos de drogas dentro das salas de aulas, estudantes em estado de consciência alterada a ponto de se tornarem violentos, colocando em risco a integridade não só do professor, mas também dos outros estudantes. É frequente que superintendências de ensino, inspetores e diretores têm pressionado e obrigado professores a pedir demissão como única alternativa de não colocar a vida em risco diante de situações como essas.

- Sabemos que além das horas aulas, devemos cumprir as horas módulos e parte do tempo de planejamento deve ser cumprido dentro da escola como parte da nossa carga horária semanal de trabalho. Contudo, essa carga horária não é respeitada. A quantidade de trabalho que um professor tem com planejamento de aulas, preenchimento de diários, elaboração e correção de provas já supera as horas previstas, pelas quais os professores são pagos. Se pede muita disponibilidade e flexibilidade do professor fora do tempo previsto, sem considerar que os mesmos têm deveres a cumprir fora das atividades escolares, sendo elas também profissionais, com a família, com a sociedade em geral e de natureza pessoal, as quais o professor não precisa prestar contas à comunidade escolar. Muitas vezes as reuniões de módulo ultrapassam o tempo previsto; os professores muitas vezes são pressionados a comparecerem a reuniões extras com os diretores, com estudantes, com pais; frequentemente se exige que os professores trabalhem em festas da comunidade escolar. Mas o abuso da quantidade de trabalho não é só esse, exigem que professores elaborarem gráficos sobre o rendimento das turmas, planos de intervenção pedagógicas, avaliações diagnósticas, fichas pessoais sobre deficiências e metas atingidas por estudante. Trabalhos de resultados questionáveis. Atualmente, com os diários eletrônicos que estão sendo implantados vergonhosamente tarde, há muitos lugares que pedem aos professores preencherem o diário eletrônico e o diário de papel, há lugares ainda que pedem os professores assinarem um termo de responsabilidade pelas notas dos alunos caso o sistema eletrônico sofra algum pane, ao invés de garantirem um sistema funcional e um eficiente treinamento dos professores para manuseá-lo.

- O respeito à avaliação aplicada pelo professor ao estudante está sendo pisoteada. O professor é quem convive com o estudante, sabe o que foi ensinado, explicado e o que melhor conhece o que pode ser exigido. É frequente que alguns supervisores ou diretores inventem notas e presenças para os estudantes e obriguem os professores a registrá-las nos diários. Existem lugares onde inspetores têm afirmado que a menor nota que os professores estão autorizados a dar aos estudantes não pode ser menor que 60 % dos pontos distribuídos, ainda que os estudantes não façam nenhuma avaliação. Os professores têm percebido que os estudantes que estão em progressão parcial são aprovados automaticamente pelo sistema, ainda que os mesmos não apresentem o rendimento necessário para serem aprovados. Essa situação tem feito que os estudantes encarem os estudos cada vez com menor seriedade, até mesmo zombando dos professores, recusando a colaborar com o rendimento das aulas e a cumprir com as atividades avaliativas.

- As salas de aulas estão superlotadas impossibilitando o ensino-aprendizagem. As salas superlotadas impedem a locomoção dos professores diante do quadro, dificultam a disciplina e o atendimento personalizado do professor aos estudantes.

- As mudanças feitas na LDB pela medida provisória do Presidente Michel Temer, conhecidas como “Reforma do Ensino Médio”, desrespeitou o processo democrático que estava acontecendo a respeito do tema. Não foi adequado o procedimento de fazer reformas no ensino por meio de uma medida provisória. A visível falta de estrutura física para aplicar as mudanças é clara, as escolas públicas em sua maioria não têm recursos materiais para aplicar dita reforma, menos ainda em um tempo tão curto. A aplicação da dita reforma vai agravar a diferença social, diferenciando drasticamente a qualidade de instrução entre os mais favorecidos e os menos favorecidos economicamente, haja vista que os estudantes de escolas públicas terão mais dificuldades em ingressar nas universidades não só pela má qualidade da instrução dada nessas com um duvidável método de valorização do ensino técnico, mas também pelas mudanças na aplicação do ENEM que deixará de ser o exame de ingresso nas universidades. O estudante se verá obrigado a se deslocar e pagar as taxas de inscrições dos vestibulares nas diferentes universidades, o que está fora do alcance da maioria deles. A mencionada medida provisória também outorga exageradas competências ao Ministério da Educação, dando a este a possibilidade de escolher as disciplinas e os conteúdos a serem ofertados no ensino brasileiro sem passar por vias democráticas como a aprovação do congresso, pondo os estudantes em risco de serem manipulados recebendo conteúdos conforme os interesses ideológicos do executivo.

 

Clamorosamente,

                              Professores que assinam.

 



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