Criação de Lei para Proteção ao Movimento Cultural do Funk

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O INSTITUTO FUNKEOU diante a repercussão causada pela sugestão de lei encaminhada ao Senado Federal, vem se posicionar de forma CONTRÁRIA ao projeto de CRIMINALIZAÇÃO DO FUNK e propor o debate para criação de uma lei em esfera nacional para proteção aos movimentos culturais de origem popular, em especial o FUNK.

Há 40 anos o FUNK surgiu nas comunidades do  Rio de Janeiro e sua trajetória desde então é marcada por perseguições e atos de discriminação. Seu período mais crítico foi em 1990 quando a violência nos bailes virou notícia e gerou uma grande pressão contra o ritmo musical, sendo proibida a realização de bailes em clubes populares. Nessa mesma época, donos de Equipe de Som, MCs, e DJs se uniram para proteger o movimento funk e fortalecer a produção musical realizando seus bailes em comunidades do subúrbio carioca. Com o passar do anos o ritmo acabou conquistando adeptos por todo o país e afora, além de consagrar diversos MCs e DJs como verdadeiros artistas. O surgimento de novas vertentes do funk, como o “funk ostentação”, fez com que grandes empresas quisessem associar suas marcas à artistas para alcançar um novo mercado. O FUNK tornou-se um produto altamente lucrativo movimentando bilhões de reais, e para os jovens, a oportunidade para melhorar de vida. O sonho de se tornar um jogador de futebol passou a dividir o imaginário de milhares de jovens brasileiros com o sonho de se tornar MC.

A massificação das produções independentes tomou força no gênero e produziu grandes artistas de fama internacional. No entanto, foi observada uma triste perda na qualidade das letras, que não mais expressavam as aspirações, história de vida e de luta, fazendo com que o FUNK  novamente torna-se a ser visto como vilão.  Hoje se percebe que as letras se baseiam basicamente em desejos mundanos, disfarçados pela batida eletrônica do “tamborzão” que envolve o público jovem.

Felizmente, essa mudança de postura não se reflete em todo o gênero. Muitos artistas já consagrados e novos MCs carregam em suas letras mensagens positivas que servem de exemplo para muitos jovens. MC Guimé, Anitta, Naldo, Nego do Borel, MC Marcelly, Marcinho, Cidinho e Doca, Ludmilla, MC Gui, e muitos outros, são exemplos de artistas que promovem o funk do bem.

Nós e nossos apoiadores não enxergamos a criminalização do funk como solução, uma vez que essa músicas ditas “proibidões” não são divulgadas nos meios convencionais e não são reproduzidas em qualquer evento com algum grau de compromisso com seu público. Criminalizar o funk, como gênero musical, além de ser um atentado a cultura, é de fato dar força a esta inversão marginal de valores. Com a triste realidade das nossas comunidades, o retrato do funk será de bailes clandestinos conduzidos pela força atuante nas comunidades (traficantes e/ou milicianos), não havendo qualquer controle de acesso ou consumo de entorpecentes, sendo de fato os jovens as principais vítimas de nossa negligência. A inversão e a perda dos valores se reflete em mais do que nas letras de funk, percebemos isso a cada notícia com que nos deparamos. Nós, como brasileiros, precisamos agir e cobrar por ações que busquem difundir valores para nossos jovens e só assim começaremos a ver mudanças na nossa sociedade.

Cabe ressaltar que em 2009 foi aprovada a lei em que o FUNK passou a ser reconhecido como patrimônio cultural e musical de caráter popular, sendo seus artistas de funk definidos como agentes da cultura popular. No entanto, o mesmo reconhecimento não veio acompanhado do cumprimento da lei, sendo o FUNK negligenciado.

Nós, do INSTITUTO FUNKEOU, ARTISTAS, E CIDADÃOS queremos assegurar nosso direito de fazer um FUNK MELHOR!



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