Carta dos educadores do município de São Paulo contra ataque virtual após as eleições.

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CARTA ABERTA DOS EDUCADORES MUNICIPAIS À POPULAÇÃO DE SÃO PAULO

É com grande preocupação que recebemos nesta semana (pós-eleições municipais), a notícia de um ataque virtual direcionado a profissionais das escolas e Diretorias Regionais de Ensino (DREs) da Rede Municipal de Educação de São Paulo.

Em e-mail enviado simultaneamente para todas as escolas da DRE Campo Limpo, inclusive conveniadas, o/a autor/a, que não se identifica, comemora a derrota do ex-candidato à prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos (PSOL), valendo-se de argumentação agressiva, incitação à violência e morte e uso de palavras de baixo calão.

Nós, educadores, não aceitaremos calados ataques desta natureza. Somos defensores do debate democrático e do confronto de ideias. É nossa obrigação vir a público repudiar ato tão covarde, levado a cabo por pessoas que se escondem em nomes falsos e telas de computador.

É certo que os próximos anos serão de muita luta contra as sistemáticas tentativas de desmonte da Rede Municipal de São Paulo, que sofre com cortes e desvalorizações de vários tipos nos governos psdbistas. Sabemos que uma eleição como esta define rumos para a educação municipal que rebatem diretamente no chão da escola, do material escolar à merenda.

As diversas categorias do serviço público municipal correm o risco, ainda, de sofrerem com nova Reforma Previdenciária, com aumento da alíquota, que em 2018 foi de 11% para 14% em votações a portas fechadas na Câmara Municipal, dias antes das festas de final do ano. Em greve, servidores foram violentamente atacados com bombas, balas de borracha e até cassetetes nas dependências da Câmara.

Diferentemente do que diz o email, alegando que os professores são “vagabundos que não querem trabalhar”, temos plena consciência de que, a despeito de todas as dificuldades impostas por aqueles que não governam com olhos para as periferias da cidade, formamos a linha de frente em favor de uma educação pública de qualidade.

É fundamental reconhecer, ainda, que a robusta estrutura da Rede Municipal de São Paulo (atualmente tão diferente das escolas estaduais paulistas), é fruto direto do mandato de Luíza Erundina, no início dos anos 90, quando Paulo Freire atuou como Secretário de Educação da cidade. Destacamos especialmente o plano de carreira criado para os professores municipais (atualmente um dos mais atrativos do Brasil), com jornadas que incluem tempo de estudo e formações coletivas do corpo docente nas escolas – proposta que segue ameaçada pelos governos tucanos.

Temos orgulho deste e de outros legados deixados pelo educador Paulo Freire, que, por meio de seus escritos, segue atuante em cada profissional que acredita em uma educação para a justiça social e a liberdade humana. 

Por fim, repudiamos veementemente ataques ao processo democrático e insultos pessoais contra qualquer educador da Rede. Seguiremos firmes, unidos e alertas. Não nos intimidaremos.

Convidamos toda a população a defender a educação pública, reconhecendo e fortalecendo o trabalho de seus profissionais.

Educadores da Rede Municipal de São Paulo