Santa Maria e a indissociabilidade entre preservação e desenvolvimento

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É impossível retroceder no tempo para corrigir os erros do passado. Mas o que dizer de uma sociedade que insiste em repeti-los?

Estranhamente, em pleno século 21, um tema volta a causar apreensão em Santa Maria: o risco de retrocesso na proteção do pouco que resta de seu outrora riquíssimo patrimônio arquitetônico, histórico e urbanístico.
Qualquer lugar do mundo que aspira a verdadeira evolução tem se preocupado em zelar pelos signos do seu passado. É angustiante constatar que Santa Maria, pretensiosamente autodenominada "cidade cultura", esteja seriamente ameaçada de andar na contramão, ao abdicar das poucas medidas vigentes, voltadas à preservação de seu patrimônio edificado, na revisão do Plano Diretor. O novo texto abrirá uma brecha legal para as demolições, sem consulta prévia ao Instituto de Planejamento de Santa Maria.
Caso isso aconteça, estaremos condenados à perda de nossa já frágil autoestima e de nossa noção de pertencimento. Dessa perda, decorrem consequências imprevisíveis, mas invariavelmente desoladoras.
É absolutamente equivocado o argumento de que preservação e desenvolvimento são incompatíveis. Em verdade, os dois são complementares, imprescindíveis um ao outro; basta examinar inúmeros exemplos bem sucedidos em outros lugares que superaram tais dificuldades há muito. Se não compreendermos assim, em breve veremos nossas antigas belezas somente por meio dos registros fotográficos.
Este abaixo-assinado foi idealizado com o objetivo único de fazer um apelo a todos os que participam dessa discussão, para que deixem prevalecer o bom senso e que reflitam com a necessária serenidade. Há muitos espaços disponíveis, apropriados para novos investimentos em construção civil. E que eles sejam bem-vindos! Contudo, ao mesmo tempo, que seja assegurada a defesa intransigente de nossa história, também materializada em edificações com valor, ao se estabelecer incentivos aos proprietários dos imóveis preservados, para que os conservem e valorizem, pois, de pouco vale impedir a demolição, se não se tomar o cuidado para que, logo adiante, o imóvel não desmorone, em ruína.
O patrimônio histórico material e imaterial deve ser, muito além de preservado, vivenciado e sentido pela população, tanto com o objetivo de proteger a identidade como para fomentar sua valorização. São marcos de referência para as pessoas se localizarem no tempo e no espaço e identificarem o local onde vivem. Se assim ocorrer, não haverá lado vencedor, tampouco perdedor. Todos serão beneficiados.



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