SALVE A COSTA DO CACAU DE UM PROJETO DEVASTADOR

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Casa de uma das mais ricas biodiversidades do planeta, a Costa do Cacau está seriamente ameaçada. O governo da Bahia, motivado por investimentos Chineses, está prestes a desmatar centenas de hectares de Mata Atlântica, e degradar mais de 30 km de litoral, para construir um enorme complexo portuário em Ilhéus: Porto Sul.

Esse porto nos foi imposto para que Eurasian Resources Group (ERG) possa exportar minério de ferro de Caetité, alto-sertão baiano, até à China, através sua subsidiária Bahia Mineração (BAMIN). A licença ambiental para a instalação foi obtida sob denúncias de corrupção, segundo a disputa na mais Alta Corte Inglesa que opôs ERG contra Zamin Ferrous, primeira acionista da BAMIN, em 2015.

A barragem de rejeitos da BAMIN seria construída acima do distrito de Guanambi, arriscando 86.000 habitantes. Em janeiro, a barragem de rejeitos de Brumadinho se rompeu, matou cerca de 350 pessoas e destruiu tudo no caminho. Seu conteúdo altamente tóxico acabou no rio Paraopeba, hoje considerado morto pelos cientistas. A barragem de rejeitos da BAMIN seria 15 vezes maior que a de Brumadinho!

No litoral vivemos principalmente de turismo, pesca artesanal, produção de cacau e agricultura familiar. Cada vez mais adotamos um estilo de vida sustentável: reciclagem, agrofloresta e educação ambiental na escola. Enquanto nossas praias atraem ecoturistas do mundo todo, nosso sonho de desenvolvimento inclui a rica identidade cultural da região, marcada por tradições afrobrasileiras e indígenas.

Porto Sul teria um impacto irreversível na fauna e na flora de todo o litoral, inclusive baleias jubarte e tartarugas que se reproduzem aqui cada ano, assim como inúmeras outras espécies ameaçadas. Além dos riscos de poluição química, a poluição sonora subaquática compromete perigosamente a biodiversidade marinha. A população de peixes poderia rapidamente diminuir, sendo afectada sua capacidade de se alimentar, reproduzir e evitar predadores. 

Os pescadores dependem de um ecossistema marinho saudável para sua sobrevivência. O setor do turismo depende de um oceano limpo, florestas luxuriantes e uma cultura preservada. O que seria a Bahia sem a moqueca de dendê ? Além disso esse projeto prejudicaria uma Area de Proteção Ambiental - a Lagoa Encantada – e milhares de nascentes, das quais dependem vilas e cidades vizinhas, assim como a agricultura local, para produção de cacau e alimentos.

A ferrovia que ligaria o Porto Sul ao minério de ferro está abandonada com erros grosseiros de projeto: já custou 3 bilhões de reais e causou grandes danos socioambientais. Feita durante o Programa de Aceleração do Crescimento do governo brasileiro, no final poderá fazer parte da nova Rota da Seda. A rígida "Política de Céu Azul" poderia incentivar empresas chinesas a transferir atividades poluidoras para o Brasil, a fim de reduzir as emissões de carbono em seu território.

As consequências a longo prazo seriam provavelmente catastróficas. O porto motivaria indústrias potencialmente prejudiciais a se estabelecerem na região. Ar, solo e águas seriam severamente poluídos. Privados de seus meios de subsistência, as comunidades rural migram para as periferias urbanas, aumentando desemprego, drogas, violência, depressão, doenças, custos de saúde e segurança.

Ilhéus foi o berço da literatura de Jorge Amado, que contou para o mundo a saga do cacau no meio das florestas, em livros como Gabriela e Terras do Sem Fim. No ano passado, o faturamento dos produtores rurais de cacau da Bahia aumentou de 220%, graças à crescente tendência de chocolate tree-to-bar. A Costa do Cacau poderia ser um exemplo de economia sustentável, florescendo com sua fruta emblemática, desde agroflorestas a cooperativas de chocolate e ecoturismo!

Segundo as noticias, eles pretendem começar os trabalhos no segundo semestre de 2019! Vamos mover o governador da Bahia, os ministros do meio ambiente, turismo, agricultura e infraestrutura, e especialmente o Ministério Público brasileiro, à cancelar Porto Sul!

 

Photo: Renata Guioto