Devolução à comunidade da Trindade de área de praça pública cedida a um clube fechado.

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Mantido voluntariamente pela comunidade do bairro Trindade há 10 anos, o Campinho Canino é a parte mais movimentada da Praça Atílio Ferreira.  Mais de 50 famílias de todos os tipos frequentam o espaço com seus pets, de todos os tamanhos e raças.

A Praça Atílio Ferreira compreende três lotes separados pelas ruas Presidente Gama Rosa e Juvêncio Costa, antigos terrenos baldios que os moradores do entorno trataram de arborizar. Em 2006, foi reconhecida pela municipalidade como praça pública e batizada em homenagem ao principal idealizador.

Por ser cercado, o lote que corresponde ao Campinho Canino é confundido com propriedade particular e ignorado pelos serviços de limpeza municipal. Desde 2010, um grupo de voluntários faz a manutenção do espaço. Providencia limpeza, arca com custos de roçagem e dedetização do gramado, abastece bebedouros, poda as árvores e realiza festas comunitárias, como Festa Junina, Desfile de Carnaval e Halloween. 

Recentemente, os voluntários instalaram mobiliário extra, convocaram grafiteiros para embelezar os muros laterais e montaram composteiras para reduzir o uso de plástico na coleta de fezes caninas, diminuindo o despejo de lixo orgânico no aterro sanitário da cidade. Nenhuma outra área de lazer na Trindade foi abraçada pela população com tanta dedicação quanto o Campinho Canino da Praça Atílio Ferreira. Hoje, é a praça pública mais querida da região. 

Em 2015, uma associação privada, cujos membros compartilhavam o uso da área de lazer com as famílias de cachorros, fechou para si um terço do espaço, abrindo-lhe entrada exclusiva. Ali construíram um abrigo precário, dotado de WC (de portas sempre abertas e voltadas à praça pública), cozinha e churrasqueira, onde passam os dias jogando cartas, ocasionalmente assando carne e bebendo álcool. O acesso é restrito a associados selecionados, mediante pagamento de mensalidade (vide foto no cabeçalho desta página). Todas as etapas da ocupação estão registradas, ano a ano, pelos satélites do aplicativo Google Earth. Em 2018, com apoio de políticos com cargos na Câmara dos Vereadores, na  Câmara dos Deputados e na Prefeitura de Florianópolis, conseguiram finalmente a formalização da ocupação.

Ocorre que tomaram da Praça Pública muito mais do que já ocupavam. A Prefeitura de Florianópolis lhes cedeu nada menos que metade de todo o lote correspondente ao Campinho Canino. Um Termo de Autorização de Uso de Bem Público, expedido na forma de decreto do Prefeito Municipal, em 10 de julho de 2018, sem apreciação da Câmara Municipal, transformou, numa só canetada, os usuários habituais e mantenedores da praça pública mais querida do bairro em invasores de um espaço privado. 

Nesse espaço adicional, onde hoje ainda se encontram bancos de concreto com brasão municipal, luminárias decorativas e um poste central onde está afixada a placa de identificação de praça pública, além de um holofote de iluminação  instalado pela Secretaria Municipal de Segurança Pública, o clube masculino pretende construir uma cancha de bocha para uso privativo. A obra ainda não saiu do papel, por falta de recursos financeiros da referida associação, mas isso pode ocorrer a qualquer momento. O que nos informam é que os recursos utilizados seriam públicos, oriundos de uma fatia de Emenda Parlamentar ao Orçamento da União, proposta por determinado Deputado Federal em benefício do município de Florianópolis. O Prefeito teria cedido a praça em troca de tal verba. O presidente da referida associação se apresenta como cunhado do parlamentar proponente da Emenda. O principal articulador de seus interesses junto ao Prefeito ocupava cargo de comando numa superintendência da Prefeitura de Florianópolis e é candidato a uma vaga na Câmara de Vereadores na próxima eleição. 

Desde então, empoderados pelo decreto municipal que lhes dá o uso (ainda que não concretizado) da área mais movimentada da praça, membros do referido clube masculino têm cometido atos de agressão física e intimidação aos frequentadores habituais. Há suspeita, também, de tentativas de envenenamento dos animais com restos de alimentos jogados no Campinho Canino. Ameaças nesse sentido têm sido recorrentes. Esses episódios já demandaram a vigília da Guarda Municipal no local para proteção dos usuários da praça e geraram Boletins de Ocorrência registrados presencialmente em DP da Capital e por meio da Delegacia Virtual da Polícia Civil.

As mais de 50 famílias usuárias do espaço desejam reaver a área pública que lhes foi subtraída e ter garantida sua integridade física e moral. Reduzido pela metade, o Campinho Canino da Praça Atílio Ferreira perde a principal qualidade, de amplo gramado livre de obstáculos, perfeito para a realização de eventos comunitários abertos a toda a população, bem como para as correrias diárias de cães de todos os portes, em área segura  de convivência com crianças, jovens, adultos e idosos de todos os matizes. Perde também sua atratividade para adoção por uma empresa privada, projeto no qual os voluntários estão empenhados, quando não para a continuidade dos atuais serviços voluntários de manutenção, bancados com recursos próprios, garantindo assim a usabilidade da praça e a segurança pública no entorno.

A nossa causa é o engajamento de cidadãos na busca de soluções para a cidade, a integração comunitária, a preservação das areas públicas de lazer e a qualidade de vida na cidade de Florianópolis. 

Nós somos o Comitê de Amigos da Praça Atílio Ferreira.