MANIFESTO CONTRA O ÓDIO E EM DEFESA DA DEMOCRACIA

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COLETIVO TERRITORIALIDADES criou este abaixo-assinado para pressionar Prefeitura de São Paulo e

          No dia primeiro de dezembro todas as escolas da Diretoria Regional de Ensino, suas educadoras e educadores foram alvos de um ataque virtual, através de e-mail enviado simultaneamente a todas as Unidades.

          No texto o autor/a não se identifica e comemora a derrota do ex-candidato à prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos utilizando-se de um discurso antidemocrático, argumentação agressiva, violência e uso de palavras de baixo calão, ofendendo não apenas os ex-candidatos, Guilherme Boulos e Luiza Erundina, como o coletivo de educadoras/es da Rede Municipal de Ensino, e utilizando-se de discurso de ódio contra uma Educadora do território de Campo Limpo.)

             O formato  do texto repete o que  tem sido uma constante nas redes sociais, onde pessoas que não tem argumentos políticos, se utilizam da violência e do ódio para expressar suas opiniões. O uso de informações mentirosas, o desejo de morte de outras pessoas, o desrespeito e  a agressividade empenhadas em palavras de baixo calão atiradas diretamente em pessoas ou numa categoria ferem os Direitos Humanos, os princípios de respeito à vida, à integridade, bem como o do pluralismo político e o da democracia.

            O conteúdo do texto remete a um discurso, infelizmente, muito presente nas redes sociais e em nossa sociedade, onde ataques a integridade pessoal de outros(as), desinformação, e discurso de ódio são utilizados em detrimento da argumentação e do debate de ideias.

            É nossa obrigação, enquanto educadoras e educadores, repudiar este ataque ao pluralismo político, à democracia e aos Direitos Humanos, assim como a utilização de práticas de desinformação que confundam ou amedrontam.

            Esse manifesto é apartidário e nem se reivindica como defensor de nenhuma candidatura desse pleito. 

            É escrito por educadoras e educadores que se sentiram ameaçados, ofendidos e envergonhados em receber na caixa de mensagens das unidades educacionais esse ataque vergonhoso. Um ataque ao trabalho digno e de excelência que é feito dentro das escolas. 

          Tal prática  nos faz refletir o quão vulneráveis estamos e como atitudes  grotescas e irresponsáveis como essas podem ser disseminadas através de canais oficiais criados para tratar de demandas sérias que visam contribuir ao trabalho que é  oferecido às  comunidades e aos territórios que atendemos. Quando e-mails institucionais de escolas que atendem os territórios periféricos de nossa cidade podem ser invadidos com postagens caluniosas e propagar violência isso se torna um ataque ao Direito a uma cidade acolhedora, plural, democrática e educadora. 

           Como proteger as escolas (e), seus trabalhadores e a sociedade desses crimes pela internet? Como garantir segurança de trabalho quando ficamos na situação vexatória de receber escritos chulos e violentos? 

           Todos podem expressar suas opiniões, mas opiniões não podem ferir os direitos humanos e proliferar discursos de ódio, nem se esconder atrás de perfis falsos. Essa prática configura assédio moral, e, da forma como aconteceu, afetou a toda a rede de educadores da Diretoria Educacional de Campo Limpo, a maior de São Paulo. 

           Campo Limpo tem se tornado um território onde essas práticas estão ficando comuns. Muitos temem denunciar, mas não podemos nos calar.

           O texto traz mentiras sobre o candidato Guilherme Boulos em relação a ser professor e o acusa de se utilizar das pessoas sem teto para ter uma vida de luxo.                Ofende Luiza Erundina, ex-prefeita desta cidade, e invoca sua morte. Fere a memória de Paulo Freire, nosso Patrono da Educação, que já foi inclusive secretário de educação deste município, reconhecido mundialmente pelos seus estudos e luta pela educação pública, gratuita e de qualidade. Chama de vagabundos todas e todos os educadores que votaram em Boulos, e termina citando nominalmente uma supervisora, usando palavrão e ataques pessoais. 

           A primeira coisa que pensamos ao analisar essa mensagem é que há pessoas que estão se sentindo confortáveis para cometerem um crime tendo a certeza que ficarão impunes, o que tem sido, infelizmente, regra no Brasil. Talvez tenham proteção de quem não teme a lei. 

          Mas também pensamos que é uma ação desesperada e infeliz, pois inevitavelmente haveria reação. 

         O resultado da eleição parece ter sido um motivador para isso, pois permite identificar que  se está num reduto que luta pela democracia. Essa pessoa, de caráter autoritário, deve se sentir incomodada por ver experiências nesse território que unem as pessoas pelo bem em comum, pela partilha, solidariedade, cultura, arte e AMOR. 

         Conseguimos lutar e trocar sorrisos sinceros, conseguimos cuidar uns dos outros. Como isso fere a imoralidade de quem precisa escrever um texto escondido!

         Concluímos que aquilombarmo-nos, permanecermos cada vez mais unidos e continuar as lutas é de fato o que precisamos fazer.  Nossos ancestrais resistem há séculos, resistiram à invasão, à escravidão. Resistir a esse ataque é parte permanente das lutas que nunca cessam. 

         Essa supervisora citada no texto é, e continuará sendo, pilar dessa boniteza construída em Campo Limpo, assim como várias e vários educadores que por aqui estiveram e estão defendendo a democracia, o convívio, a superação das desigualdades e a diversidade como princípio básico da cidadania. Seus anos de trabalho nesse território só nos animam a continuar acreditando que é possível fazer escola pública de qualidade para todes! 

        Sonhamos e realizamos uma escola pública que faz a leitura do território em que se encontra. Que realiza parcerias entre diferentes unidades escolares, universidades,  outras secretarias, coletivos e sociedade civil; que promove seminários, simpósios, cursos, palestras e formação continuada a partir de necessidades coletivas de formação e atuação, revertendo a lógica de esperar de cima esses processos; que fortalece as práticas construídas em cada escola que visam garantir a equidade e valorização da educação.

           Exigimos apuração imediata da origem desse endereço de e-mail, localização da autora/autor e punição para quem, com atitudes como esta, propaga o ódio e a violência. 

          Exigimos também posicionamento da Secretaria Municipal de Educação sobre esse uso indevido dos correios eletrônicos das escolas. 

          Solicitamos à DRE CL que esse manifesto seja encaminhado às unidades Educacionais como reação civil e funcional a este triste ato. Esperamos que tais práticas sejam extintas  e que jamais voltem a ocorrer. 

         Continuaremos semeando a esperança !

 

 

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