Devolvam as "dobras" dos professores, já!

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Resposta à Audiência Pública do dia 13 de Agosto de 2020.

Belo Horizonte, 14 de Agosto de 2020. 


Excelentíssima Senhora Ângela Dalben, digníssima Secretária de Educação


Senhora Secretária,  com os nossos cordiais e respeitosos cumprimentos.
Somos professores da Rede Municipal de Educação, profissionais de uma categoria que sempre lutou para manter a sua essência.


 A educação em nosso município, sempre foi conhecida pela excelência no ensino e dedicação de seus  profissionais. 


Entretanto, após Audiência Pública realizada aos  13 dias do mês de Agosto deste ano, ao olhos do Senhor Secretário de Orçamento deste município, abre aspas: a educação é um gasto. Fecha aspas. Não dá para mensurar o quanto a afirmação machucou a todos nós professores, profissionais de uma rede que preza pelo bem estar físico e emocional dos estudantes, sermos tratados com tamanha frieza . Diante do atual contexto de uma grave pandemia, nos encontramos perdidos e em extrema fragilidade.


Os fatos ocorridos no último período nos levam a crer que  as propostas apresentadas no início do seu mandato, enquanto secretária, não estão sendo cumpridas.


Para que os professores da Educação Infantil tivessem seu reconhecimento como docentes, foi necessário uma greve histórica de 52 dias. E hoje, em 2020, em plena pandemia, estamos novamente discutindo a valorização do Magistério. 


Ressaltamos, Senhora Secretária, que a extensão  de jornada dos trabalhadores em educação, é um complemento no salário e não uma BONIFICAÇÃO.
Mas, aos olhos da gestão do atual Prefeito Sr. Alexandre Kalil e sua equipe gestora, os investimentos destinados a educação não passam de GASTOS. Será que uma rua pavimentada, tem um valor maior do que um aluno matriculado, recebendo o carinho, afeto e os ensinamentos para sua sobrevivência e formação pessoal?  


Estão retirando as extensões de jornadas dos professores em regência compartilhada, em referências, em atendimento domiciliar, bem como  em projetos especiais.
Aos nossos olhos ficou claro que o corte das dobras dos salários dos educadores da Rede Municipal foi, sim, uma iniciativa do Secretário de Orçamento André Reis, quando na referida audiência, ele mesmo disse que, abre aspas: assumia tal responsabilidade. Fecha aspas. E ao ser questionado sobre a devolução de salários recebidos ,minimizou o fato dizendo se tratar de, abre aspas: medidas necessárias durante a pandemia. Fecha aspas. Se esquivando de nos responder. Trata-se, claramente, de um choque de gestão no qual as contas da PBH estão sendo repassadas aos professores. 


 Há ainda algo mais preocupante, a questão de professores que estão ficando excedentes. Em plena crise epidemiológica surge a pergunta:  precisamos temer perder a nossa lotação?


Infelizmente, ao que nos parece, a Secretária de Educação Ângela Dalben, não se comove com os problemas gerados por estas ações, tampouco pratica a empatia para conosco. Empatia tão propagada por essa secretaria através de suas próprias palavras.


É este o cuidado que nos foi prometido? É este o governar com carinho? Onde está o diálogo, a valorização do servidor, e a manutenção da vida?     


Nós também estamos em vulnerabilidade, mas quem pode nos auxiliar neste momento? Ainda aguardamos as respostas dos e-mails enviados desde junho.


Fica aqui registrado a nossa preocupação e o apelo de que seja revertido este corte. As dobras/extensões de jornada fazem parte de um complemento da manutenção de nossos lares, é a alimentação de nossos filhos e familiares. Não nos negamos a trabalhar e o faremos e fazemos com amor, empatia, profissionalismo e dedicação.


Atenciosamente, aguardamos a sua resposta, reiterando os nossos cumprimentos.


Professores da Rede Municipal de Educação.

Giovana Gomes
2 months ago