Em Defesa Da Vida. Volta Às Aulas Não! Americana SP

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O COMITÊ EM DEFESA DA VIDA, VOLTA ÀS AULAS NÃO! AMERICANA SP, após realizar plenária virtual no dia 23 de julho de 2020, vem apresentar o seu posicionamento contrário ao Retorno das Aulas Presenciais, no dia 08 de setembro de 2020, por entender que os aspectos políticos e econômicos estão prevalecendo sobre os aspectos sanitários.

Desde o mês de março estamos todos em estado de alerta quanto às medidas sanitárias de contenção do avanço da Covid-19, momento em que a administração decretou a suspensão das aulas e agora, sem consultar a comunidade escolar e a população em geral, anuncia o retorno das mesmas.

Existe uma preocupação muito grande entre nós, professores, gestores e funcionários da educação, no que diz respeito a volta às aulas presenciais, pois essa medida aumentará significativamente a chance de contágio relativa ao SARS-CoV-2 (Covid-19) entre as crianças e, consequentemente, para professores, pais e responsáveis. Estes, por sua vez, levarão a doença aos seus familiares, contexto em que devemos considerar o risco de agravo a saúde dos mais velhos e pessoas com prognóstico de doenças classificadas como comorbidades. Nesse sentido precisamos deixar também registrado que muitos dos profissionais da educação são adultos que cuidam de seus pais e avós, como único familiar possível de lhes prestar a assistência segura e necessária em tempos de pandemia.

Em primeiro lugar é preciso garantir o direito democrático e amplo de participação em decisões que afetam toda coletividade escolar. Os trabalhadores da educação, pais e alunos precisam ser ouvidos, afinal a saúde e a vida desses indivíduos, bem como de seus familiares, estarão em risco neste processo.

Não é concebível que as discussões e definições caibam apenas à Prefeitura e a um grupo de representantes da mesma, sem que haja um amplo debate e a participação democrática das pessoas diretamente envolvidas. Estamos falando de crianças e adolescentes, de mães, pais, avós, tios, de trabalhadores do transporte escolar, de funcionários e auxiliares administrativos das escolas, e, por fim, de professoras e professores, todos diretamente afetados pelas decisões que estão sendo, e ainda serão, tomadas à revelia dos trabalhadores que estarão na linha de frente dessa batalha.

A mídia em geral tem noticiado, diariamente, que Americana e região mostram a curva de contágio e morte por Corona Vírus em crescimento ascendente acelerado.

Embora ainda existam muitos pontos  obscuros a respeito da doença, já sabemos o suficiente acerca do fato de que o contato e a proximidade física são responsáveis pela disseminação do vírus, assim como temos conhecimento da longa durabilidade do mesmo em superfícies como o papel, que será manuseado pela criança e pelo professor. Somente quem está há muito tempo longe de uma sala de aula não percebe que é impossível manter o distanciamento em unidades escolares que atendem crianças.

Sabemos, ainda, que por mais rigorosos que sejam os protocolos, a quantidade de interações ocorridas numa escola é potencialmente perigosa para a saúde, e que estes protocolos não eliminam as chances de contágio.

Os níveis de infecção no Brasil e, particularmente na nossa região, não podem ser minimizados, portanto a possibilidade de um aluno ou algum profissional estar contaminado, mesmo de forma assintomática, é real e preocupante.

Como iremos evitar esse contágio, uma vez que mesmo com máscaras a mucosa dos olhos estará exposta? E como garantiremos que os alunos fiquem de máscaras corretamente durante todo o período? A administração municipal garantirá o fornecimento de EPIs  para aumentar a proteção de alunos e profissionais envolvidos? Outra questão reside nas já bem conhecidas medidas sanitárias: será possível que funcionários façam adequadamente a limpeza com álcool ou água sanitária das superfícies, sobretudo corrimões, maçanetas e bebedouros, várias vezes ao dia? Ou ainda, o chão será lavado com água sanitária ou sabão, todos os dias?

Sabemos que o recomendado é não entrar em nossas casas com sapatos e roupas vindos da rua. Como minimizar o fato de que teremos centenas de pessoas entrando na escola e carregando, eventualmente e potencialmente, o vírus nas solas dos sapatos? Nós, que estamos atuando nas escolas, sabemos que é humanamente impossível a realização de tais atividades de assepcia nestes ambientes sem a contratação de pessoal. Ainda há que se atentar para o grande número de profissionais da educação que fazem parte do chamado grupo de risco e deverão estar afastados de suas atividades laborais.

Então, se o poder público puder garantir essa logística extremamente rigorosa e onerosa, poderíamos considerar, MAS AINDA DE FORMA INSEGURA, o retorno, porque mesmo assim O RISCO NÃO ESTARIA ELIMINADO, mas apenas minimizado.

Considerando que não temos medicamento específico e nem vacina à disposição, o retorno às atividades presenciais nas escolas, seja em setembro ou noutro mês, coloca muitas vidas em risco, o que não é aceitável do ponto de vista humano.

É uma decisão que em tese seria de prerrogativa da administração municipal, mas os demais atores, trabalhadores e toda a comunidade escolar, podem se contrapor a decisão ou mesmo não obedecê-la.

O retorno das aulas presenciais é um risco a saúde da população, basta uma breve verificação nas recomendações sanitárias da OMS e outras organizações especializadas em saúde. Portanto, o comitê em questão deixa registrado que o retorno às aulas presenciais é um erro grave e, caso a admnistração mantenha a posição de abertura das escolas, iremos repudiar e utilizar todos os meios necessários para o seu impedimento.

Apesar de apresentarmos uma posição radical contrária a volta às aulas, entendemos que não há melhor forma de resolver esta problemática do que dar voz ao conjunto mais amplo possível de representações daqueles que estão envolvidos na questão.

Em virtude do quanto exposto, o COMITÊ EM DEFESA DA VIDA, VOLTA ÀS AULAS NÃO! AMERICANA SP, Requer A IMEDIATA SUSPENSÃO DO RETORNO ÀS AULAS PRESENCIAIS e que este comitê seja incluído em todas as discussões, assim como os demais trabalhadores da educação e comunidade escolar.

Requer, igualmente, que lhe seja apresentado, oficialmente, o que já fora debatido a respeito do tema, para que possa analisar e estabelecer ponderações.

Pela segurança, saúde e bem-estar de todos! Pela vida!